Coluna do Cesar Maia
Memórias de um botafoguense

Didi: - O que é um craque?

abril 22, 2009 21:49 by cesarmaia
Ano de 1958: supercampeonato. Botafogo, Vasco e Flamengo terminaram empatados e foram para dois turnos a três. Eu tinha 13 anos e acompanhava os filhos do diretor de futebol do Botafogo, Renato Estelita. O Botafogo foi relançado por Estelita depois de quase 10 anos sem titulo. Entre outros, trouxe o Didi, grande craque que havia jogado no Fluminense. Uma transação milionária, a maior na época.


Os jogadores do Botafogo iam da concentração para a sede de General Severiano. Ali faziam revisão médica e ficavam livres para relaxar. Garrincha preferia atravessar a rua, subir numa árvore com uma fruta e ver a pelada que corria no campo na área onde hoje é o Canecão. Outros paqueravam na porta dando autógrafos e se assanhando com as meninas que passavam por ali ou que iam lá para vê-los de perto.


O único que ficava recluso era DIDI. Ele ia para o andar de cima da sede, sentava numa poltrona, esticava as pernas e ficava meditando, fazendo as suas reflexões. Era exatamente o personagem que Nelson Rodrigues o batizou: Príncipe Etíope de Rancho. Ninguém podia se aproximar do andar de cima. O porteiro pedia: - Silêncio, por favor, que o mestre está relaxando.


Mas eu queria fazer uma perguntinha ao mestre e tinha que passar pelo cerco do porteiro. Fiquei à espreita aguardando que o porteiro fosse atender a algum chamado. Não demorou muito e foi chamado lá perto do vestiário. Foi o suficiente. Subi a escada evitando fazer barulho. E entrei no salão.


Didi olhou para mim e disse: - O que quer, garoto? Eu respondi de pronto: - Seu Didi. Eu queria fazer só uma pergunta. E ele: - Se for rápida faça logo. A pergunta estava na ponta da língua: - Seu Didi, o que é um craque? E a resposta veio de bate-pronto: - Filho,craque é o jogador que de dentro do campo vê o jogo como se estivesse na arquibancada.


Não precisava dizer mais nada. Saí dali com a resposta na cabeça. E nunca mais cansei de perguntar a todos: - O que é um craque? E eu mesmo respondia: - É o jogador que de dentro do campo vê o jogo como se estivesse na arquibancada. Dava um sorriso superior e dizia: - Eu aprendi com o Didi.

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Comentários

abril 23. 2009 16:44

Um dos maiores idolos do Nosso Fogãoo!!!!

Daltinho

abril 24. 2009 09:29

Excelente coluna e comentário, parabens.

elias gouvêa - Rio de Janeiro

Elias Gouvêa

abril 24. 2009 18:18

E pensar que hoje a imprensa esportiva banalizou o termo, expondo ao rídiculo a imagem da desportividade, quando chama qualquer mais-ou-menos de craque. Craque é isso que seu comentário diz: o cara que joga e pensa - não necessariamente nessa ordem. O Gerson, em uma ocasião, disse que no Botafogo de 1960, o indivíduo tinha que jogar muito, pois estava cercado de Paulo Valentim, Quarentinha, Didi, Garrincha, Nilton Santos, dentre outros CRAQUES. Por isso, a opção era: saber jogar ou procurar outro time. Consequentemente, surgiram Jair Ventura, Paulo Cezar, Roberto, Carlos Roberto, Ney "Chiclete" Conceição, e outros GRANDES jogadores que a história os eternizou.

Luiz Renato

abril 27. 2009 22:38

Definição perfeita pelo craque que vi jogar e admirei sempre.
Gostei da coluna ela faz falta.
Parabéns por mais essa qualidade - botafoguense sem reservas!

Sergio Padilha

abril 28. 2009 12:58

Parabens pela Coluna caro Cesar Maia, e que o nosso eterno Botafogo de Futebol e Regatas volte a ter craques como Didi em seu elenco, pois somente um gênio daria uma resposta tão clara como esta.

ALEXANDRE SANTOS SOARES

abril 28. 2009 17:49

Bom depois desse saudosismo só me resta uma pergunta! será que não dava para escalar esse "tal" de Didi pra jogar Domingo? hahaha.
Parabéns pelo blog dedicado ao nosso Glorioso.
E é uma pena não termos hoje em dia no Botafogo, Didis, Querentinhas, Niltons Santos e o fenomenal Garrincha.
Mas... vamos ser campeões no Domingo!

Allan de Paula

abril 29. 2009 05:18

Como botafoguense, nao deveria citar o Zico, mas acho que esta historia que li em algum lugar da forca a tirada genial do nosso Didi. O Antunes e o Edu, irmaos do Zico, viviam dando conselhos ao irmao mais jovem sobre como jogar, o que fazer em campo. Foram a um jogo do nosso rival um dia, na arquibancada. O Zico deu uma virada de jogo. O Antunes perguntou ao Edu: voce tinha visto esse lance, essa possibilidade? Nenhum dos dois tinha. A partir dai, deixaram de "importunar" o irmao, que infelizmente passou a nos importunar. Portanto, nem da arquibancada viram o que que outro viu em campo.
Os craques andam cada vez mais raros. E, no Brasil, jogadores de potencial como o Maicosuel, nao tem oportunidade de jogar ao lado de craques consagrados e desenvolver seu potencial. Vao para fora.

Leonardo

abril 29. 2009 08:41

Muito bom prefeito !
O futebol do Rio precisa de grandes administradores como vc, ousado e competente. E não menos o Botafogo. Pense nisso !

Vilson Augusto

abril 29. 2009 14:10

Parabéns pela iniciativa e pelo tema. Também sou botafoguense desde que me entendo por gente e fico feliz em ver nascer um blog com sua assinatura. Já o acompanho desde que iniciou o blog depois o ex-blog do Cesar Maia, fui seu eleitor em todas as ocasiões e tenho orgulho de termos trocado alguns emails nesse periodo. Espero podermos trocar agora emails de congratulações pelas vitórias esperadas de nosso glorioso Botafogo também. Sucesso para você e para o Botafogo!

Antonio Carlos

abril 30. 2009 12:32

Sou flamenguista, mas sabia que ao vir por aqui iria aprender algo importante.
Parabéns, está excelente o post.
Abraços

Marta

maio 1. 2009 19:40

Didi era craque mesmo ... pena que não pude ver ele jogar, tenho 18 anos ...
mas já li mt coisa a respeito dele, e já escutei muitas historias dele ...

Cesar Maia , nunca que iria imaginar que vc fosse tão ligado ao botafogo assim, mas sempre soube que era botafoguense!

Sandro

maio 2. 2009 05:11

Torço pelo Flamengo. Assisti aos jogos do super e do super super campeonato de 1958 no Maracanã. As pessoas diziam que haviam sido uma grande marmelada para aproveitar a renda. Ví um lance do Didi inesquecível. No meio do campo ele se dirigiu com a bola para a lateral esquerda atraindo assim todo o time adversário. Quase na linha lateral ele virou o corpo e deu um passe com incrível precisão. A bola foi cair no bico da grande área adversária pelo lado direito, onde Garrincha chegou sem nenhum marcador e fez um estrago que acabou não redundando em gol. Didi era realmente um maestro.
Aquele time do Botafogo era fenomenal.
Reinaldo
PS: Parabéns por mais esta feliz iniciativa.

Reinaldo Leal

maio 3. 2009 21:56

PARABENS PELA COLUNA,ESPERO QUE ATRAVES DELA POSSA FALAR SOBRE OS BASTIDORES DO NOSSO QUERIDO BOTAFOGO A MAIORIA DAS VEZES FICAMOS SÓ COM NOTICIAS SUPERFICIAL..POIS ATÉ AGORA NÃO ENTENDI SOBRE AQUELE ALMOÇO DA COMIÇÃO DO BOTAFOGO COM A COMIÇÃO DO FLAMENGO ACHEI MUITO ESTRANHA ESSA ATITUDE...QUANDO O NOSSO TIME NÃO JOGOU NADA...UM ABRAÇO

LUIZ ANTONIO DOS SANTOS

maio 15. 2009 10:17

Gostaria de felicita-lo. Tenho absoluta certeza da seriedade e lisura com que vossa excelência lidou com os assuntos de sua responsabilidade na prefeitura. Sua atividade pública e profissional deve ser motivo de orgulho para você e sua família. Meus cumprimentos.

Sylvio Marci Santos

maio 15. 2009 11:48

Mais uma vez fiquei surpreso com a história do Didi. A sua resposta é de sábio. O Sábio para o futebol é o craque.
Parabéns pela coluna e continue nos ilustrando com novas histórias.

luiz Henrique

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