Coluna do Cesar Maia
Memórias de um botafoguense

"Folha Seca" do Didi!

maio 5, 2009 23:23 by cesarmaia

 

Até a metade dos anos 1950, as cobranças de faltas e os chutes à distância de efeito eram tradicionais. O jogador batia na bola com a parte de dentro da chuteira, levando a bola a fazer uma curva clássica e previsível, acompanhando o sentido da batida que a chuteira imprimia na bola. Era como o desenho de uma foice.

 

Bem, foi assim até o mestre Didi inovar nos chutes à distancia ou nas faltas com barreira. O curso da bola deixou de ser previsível e a bola passou a traçar uma curva invertida em relação a que era tradicional. Além da curva invertida, a bola caía como se a lei da gravidade se aplicasse a apenas um certo ponto. Na época, o grande comentarista Luis Mendes, com sua percepção aguçada, batizou a novidade introduzida por Didi de “Folha Seca”.

 

“Folha Seca” exatamente por isso: um movimento imprevisível de uma folha caindo no outono, que de repente deixava de obedecer ao balanço do vento, e caía. Talvez o exemplar mais espetacular de um chute de longa distância de “Folha Seca” tenha sido o gol que Didi marcou na Copa da França em 1958. Vale a pena revê-lo mil vezes e, agora com vídeo, repassá-lo quadro a quadro.

 

Eu assistia sempre que podia aos treinos do Botafogo em General Severiano. Um dia tomei coragem e gritei: - Seu Didi, preciso aprender uma coisa com o senhor. De bom humor, ele abriu a porta de um túnel de grade por onde saíam os jogadores do treino e perguntou: - O que é garoto? A pergunta estava na ponta da língua: - Como o senhor bate na bola para dar a “Folha Seca”?

 

Ele pediu uma bola ao roupeiro Aloísio, parou na porta do vestiário e, com toda a calma, fez a posição com o pé - quase o que depois se chamou trivela, só que com o bico da chuteira pegando a bola mais embaixo. E repetiu a mesma posição, em câmera lenta, umas três vezes. E fechou: - Aprendeu, garoto? Mas isso só se pode fazer com chuteira.

 

Eu disse que sim e saí correndo para não esquecer. Fui buscar a bola em casa, desci para a praça, chamei um amigo e fiquei tentando repetir o que o mestre ensinou. Mas aí lembrei: - Só com chuteira. E a dele deve ser ensinada.

 


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Comentários

maio 6. 2009 00:54

Maravilha, Cesar!
Grande iluminado é vc por ter "convivido" com estes craques do nosso Botafogo.
Parabéns pelo blog, tá excelente e já faz parte dos meus favoritos.

Saudações AN

AMARO

maio 6. 2009 13:51

é ta bem maneiro isso aqui ...

continue sempre postando , e vc teve sorte pegar essa época ...

já faz parte dos meus favoritos.

sandro

maio 6. 2009 23:04

Menina de colégio estadual tive a oportunidade de conhecer,de perto,os grandes Didi,Garrincha e Nilton Santos em visita ao Glorioso em General Severiano,mas fiquei muda diante deles.
Que bom que o menino César foi ousado.Suas duas crônicas demonstram que Didi foi mesmo um mestre,um professor,pois além de fazer,demonstrando em campo,traduziu em palavras o que é, de forma espetacular,ser um craque e aplicar a folha seca.
Sonia

Sonia

maio 7. 2009 11:23

Muito bom o texto e o blog.

O time de agora tinha que se inspirar nos ídolos do passado.

Saudações Alvinegras.

Pedro Gavazza

Pedro Gavazza

maio 7. 2009 16:17

Cesar,
O seu comentário saiu truncado, quanto ao fato histórico do primeiro gol de folha seca do Didi.Aconteceu nas eliminatórias para a Copa de 1958 (realizada na Suécia e não na França), contra o Perú, no Maracanã e o Brasil venceu de 1x0, gol do Ddid de falta, garantindo a nossa classificação para a Copa.

Mário Assis

maio 26. 2009 15:48

Cesar;
Lembro-me muito bem de fatos ocorridos nesta época,poi,junto com meu irmão Zeca,saímos co Colegio Pedro pegávamos o ônibus
Leblon-Estrada de Ferro-nº 12 ,apelidado de Camões,pela sua aero
dinâmica,para irmos assistir aos Treinos do Botafogo,éramos
sócios,e prestavamos atençao aos treinamentos que eram dados ,principalmente para o Didi e o Quarentinha,que consistiam em chutes contra os degraus das arquibancadas de Genera severiano e treinamento de bola de efeito.Sinto-me um botafoguense predestinado e iluminado por Deus,pois já conviva comm as broncas do seu Carlito em Heleno de Freitas por reclamar dos pontas (rogério(português)pardal e outros.Assim como Dino da Costa e Vinicius que foram cracks as custas do Mané
Abraços

adauto guedes

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