Coluna do Cesar Maia
Memórias de um botafoguense

O passe em profundidade do mestre Didi!

maio 26, 2009 08:40 by cesarmaia
Uma outra vez, eu estava no hall dos elevadores do Maracanã, subindo para a Cadeira Especial, e o Didi entra no mesmo elevador. Estava recuperando-se de uma contusão. Pedi um autógrafo a ele, na minha camisa do Botafogo, e tentei ser simpático. Na saída do elevador, lá em cima, não me contive e perguntei: - Seu Didi, posso fazer uma pergunta? Ele respondeu que sim e com calma encostou-se na grade e esperou.

- Todo mundo fica impressionado com seus passes em profundidade e mais ainda à longa distância. A bola sai de seu pé e chega certinha no pé do jogador, que corre para recebê-la.

Lembrei alguns passes para o Garrincha, para o Quarentinha, para o Paulo Valentim.... E completei: - Como é possível o senhor acertar direitinho e às vezes de tão longe,  exatamente no pé do jogador que queria?  O senhor combina com o outro jogador no treino e trocam sinais?

O mestre Didi, já cercado por uns quatro meninos, sorriu e afirmou: - Não é nada disso. É muito mais fácil do que você imagina. A única coisa que lembro a todos do ataque é que o objetivo é o gol e que eles devem estar sempre ou abrindo ou recuando para receber uma bola rolada, ou devem sempre que o lançador estiver com a bola entre as linhas intermediárias do Botafogo e do adversário,  olhar para os zagueiros e correr na direção deles pelo lado dos mesmos.

E completou: - Eu estou sempre olhando os zagueiros adversários. Quando recebo a bola na intermediária levanto a cabeça, vejo o zagueiro que eu quero que a bola o drible, e faço o lançamento só olhando para ele. A bola deve passar acima da cabeça do zagueiro. A reação dele é tentar subir e cabecear. A bola passa por ele e cai na frente, livre entre quem vem de trás e o goleiro.

E finalizou: - Se o atacante não correu no espaço vazio à sua frente, a bola vai mansa para a mão do goleiro ou para a linha de fundo. Se correu, vou deixá-lo na cara do gol. Esse também é o principio para passes em profundidade mais curtos. Se já estou na intermediária do adversário, olho para os zagueiros e empurro o bola rasteira entre dois zagueiros. O nosso atacante tem que vir de trás ou sair de trás dos zagueiros, buscando esses espaços. Lembrem como foi no jogo com a Áustria em 1958 quando empurrei uma bola assim para o gol do Nilton Santos. O segredo dos lançamentos está sempre em olhar para os zagueiros deles e não para quem vai receber.

Saí dali decorando tudo, repetindo e repetindo.

5.0 ponto(s). Avaliado por 14 pessoas

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Tags: ,
Categories:
Actions: E-mail | Permalink | Comentários (1) | Comment RSSRSS comment feed

Posts relacionados

Comentários

junho 1. 2009 02:07

Gosto de ler sobre essas histórias do passado pois não tive o prazer de ver nossos ídolos jogando.
Meu pai ia aos jogos e nunca me levava, agora que cresci vou sozinha e ainda levei ele ano passado pra conhecer o Engenhão. rs

Sei da importância desses craques no clube e tenho muito orgulho de ser Botafoguense!
Podemos não ter a maior torcida, o maior numero de titulos, mas temos uma historia que sempre será lembrada, passa de geração em geração....
Isso é o Botafogo!

Priscila

Comentar