A moda entre os torcedores do Botafogo é criticar a diretoria pela falta de reforços. Há de se compreender o lado do torcedor, insatisfeito com os resultados. Mas, sobretudo, é preciso entender a diretoria. André Silva é tão botafoguense quanto todos nós e, certamente, quer o melhor para o clube. Não apenas como torcedor, mas também como dirigente. Agora, é muito difícil com orçamento enxuto, que não permite erros, com mercado escasso de boas opções e com limitação de janela de transferência achar bons, e viáveis, reforços. Até porque não é só o Botafogo que corre atrás...
E imaginem a seguinte rotina: acordar cedo, ir trabalhar em Nova Iguaçu, durante o expediente receber inúmeras ligações de jornalistas, empresários e do clube, ter zilhões de assunos para resolver e ainda ser pressionado por tudo quanto é lado... E o pior: sem ser remunerado pelo clube! Tudo bem, há um gerente de futebol remunerado para ajudar, que vive daquilo. Que ajuda no dia-a-dia, que dialoga com os empresários. Mas que raramente dá declarações à imprensa. Assim, a cobrança é toda no vice de futebol.
Evidentemente, ele também comete seus equívocos, até pela pouca experiência no meio do futebol. Como o discurso sempre superotimista, capaz de deixar interpretação de que Tony é jogador de Seleção, de que Alessandro é jogador referência e de que brigaremos pelo título. Tudo bem que não pode falar que são todos uma porcaria, mas não é preciso exaltar tanto. Voltando aos reforços, está certo em buscá-los, para ontem. E os dois que surgem com mais possibilidades (dada a recusa de Otacílio Neto e Lúcio ser incógnita) parecem boas apostas. Marquinhos, um meia habilidoso, driblador e de velocidade, e Bill, atacante rompedor, de força e finalização. Exatamente o que o setor ofensivo precisa. Sendo chato, trazer Damián Díaz também seria uma boa, mesmo que apenas para agosto. O Botafogo precisa, e precisará ainda mais, de elenco.
Se dá para vislumbrar algo maior é com o fundo (ou companhia ou sociedade, como preferir). R$ 5 milhões em caixa é um dinheiro e tanto. Ainda assim, é preciso ter muita cautela. Todo investimento é um risco, logo precisa ser bem calculado. Saber administrar essa verba é tão importante quanto conseguir se manter adequado a um orçamento que não quebre, literalmente, o clube...
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