Blog do Roberto Porto
Gênio das letras e paixão pelo Fogão!

O 'Botafogo paraguaio'

novembro 5, 2009 23:53 by rporto
 
 
É óbvio ululante, como diria meu ex-companheiro de redação Nélson Rodrigues (1912-1980), que os leitores deste meu alvinegro blog conhecem as expressões ‘cavalo paraguaio’ e ‘uísque paraguaio’. Mas na calorenta noite da última quarta-feira, em pleno Engenhão, todos ficaram conhecendo o’Botafogo paraguaio’. Faz tempo – não muito, claro – que eu não via um Botafogo tão mequetrefe como o que perdeu de 3 a 1 para o Cerro Portenho, depois de também ser derrotado por 2 a 1 em Assunção e, por consequência, ser bisonhamente eliminado da Copa Sul-Americana.

Agora eu pergunto: quantos de vocês, meus amigos e companheiros botafoguenses, terão coragem e disposição para ir novamente ao Engenhão estimular esse time – à beira de mais um rebaixamento – na partida contra o Coritiba? Eu, como diria o intelectual Kleber Leite, me incluo fora dessa. Não mais suporto ver o Botafogo pagar micos medonhos como o que pagou diante do não mais que modesto Cerro Portenho. E digo mais: logo após os primeiros minutos de jogo, sentado diante da televisão, percebi que o Botafogo não conseguiria vencer, jogando como jogou. Mas tomar um sacode de 3 a 1 foi demais para o meu visual, como costuma dizer o garotinho José Carlos Araújo. Não foi apenas uma derrota: foi um nocaute.

Ao invés de fingir-se de morto, fazendo com que o Cerro gostasse do jogo e abrisse espaços para contra-ataques, o Botafogo partiu para cima dos paraguaios desde o primeiro minuto, cometendo o erro primário de atacar sempre pelo meio, deixando André Lima cercado por pelo menos quatro zagueiros adversários. Não fosse a entrada (tardia) do garoto Jobson, pela extrema-direita, e não faríamos, com André Lima, um único e chorado escasso gol. Mas tomamos dois logo depois.

Eu me recordei do tempo em que Zagallo era jogador e, depois, técnico do time. Zagallo era matreiro, principalmente em jogos contra o Flamengo. O Botafogo ficava atrás, fingindo ser dominado e, de repente, com a massa rubro-negra empurrando o Simpaticíssimo, vinha o contra-ataque mortal, com Garrincha ou sem Garrincha. Não vou listar aqui as partidas a que assisti, diante do ‘Mais Querido’. Mas o Botafogo de Zagallo – jogador ou técnico, repito – não partia desesperadamente para cima do adversário, mesmo precisando da vitória a qualquer custo. É claro que sofreu uma ou duas derrotas, pois futebol não é matemática e nem sempre dois mais dois são quatro.

Mas o Botafogo de quarta-feira, pelo amor de meus netinhos, jogou pedra em santo e só não tomou de mais porque o goleiro Jefferson andou fazendo umas defesas milagrosas nos contra-ataques paraguaios. Agora, depois dos 15 mil pagantes de quarta-feira, fico imaginando como será nossa torcida num jogo de vida e de morte contra o Coritiba. Ninguém suporta tomar tantas porradas (perdoem o termo) seguidas.

Leandro Guerreiro fez falta? Claro que fez. Mas no esquema que o técnico (?) armou, não sei se faria diferença. Agora, confesso, espero pelo pior. E se voltarmos a desabar para a segunda divisão, não teremos, como já tivemos, o Palmeiras para nos ajudar. Com o elenco que tem, o Botafogo está mais perdido do que cego em tiroteio. E por mais que ame esse clube, há mais de seis décadas, meu pequeno otimismo foi para o espaço sideral.

O Botafogo, realmente, merece o apelido de ‘time paraguaio’, aquele que parece verdadeiro mas não é.

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