Blog do Roberto Porto
Gênio das letras e paixão pelo Fogão!

Para que clubes elas torcem?

março 29, 2010 14:30 by rporto
 
 
De nada vai adiantar a instalação de uma UPP na Gávea se as torcedoras do Clube da Beira da Lagoa continuarem a se comportar assim nos estádios. A UPP pode controlar o tráfego dos jogadores em direção aos esconderijos do tráfico. Mas fica a pergunta: quem vai vigiar o comportamento dessas duas torcedoras em pleno Maracanã? Elas vão provocar, isso sim, uma briga de foice no escuro entre os próprios adeptos do Simpaticíssimo. Classificá-las como ‘marias-chuteiras’ é pouco para o espetáculo que já proporcionaram e que, certamente, estão acostumadas a proporcionar em partidas do Clube da Beira da Lagoa. Trata-se de um caso de atentado ao pudor, previsto no Código Penal Brasileiro – embora esse Código Penal esteja mais do que desmoralizado com o correr dos tempos em nosso imenso país.

De qualquer maneira, o flagrante não me assusta. Reflete com precisão cartesiana o comportamento da torcida do Simpaticíssimo nos estádios. Os adeptos do Clube da Beira da Lagoa brigam entre si, caem das arquibancadas, atiram urubus em pleno gramado e, agora, suas torcedoras inauguram uma nova fase. Com os raros policiais que circulam pelo estádio, em breve, muito em breve, elas irão em frente, desnudando-se por inteiras, instalando um alvoroço sem precedentes durante as partidas.

Daqui deste espaço nada posso fazer, a não ser registrar o espetáculo lúbrico por elas proporcionado. Conseqüências? São rigorosamente inimagináveis.

É claro que sei que, com o passar dos tempos, os costumes e comportamentos vão se modificando numa velocidade nunca dantes navegadas. Mas, admito, jamais imaginei que chegassem a tal ponto. Mas como é coisa praticada por adeptas do Clube da Beira da Lagoa, alegres, livres e descompromissadas, chego a compreender pelo menos em parte.

Só espero que – no caso específico delas – não tumultuem ainda mais o comportamento dos torcedores, diante de um espetáculo tão inusitado.

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Os demolidores de estádio

outubro 28, 2009 09:35 by rporto

 

 

Como os torcedores do Urubu são indivíduos de pouca leitura – com as raras e honrosas exceções de sempre – imaginam que o Engenhão seja propriedade particular do Botafogo de Futebol e Regatas, e não um bem público cedido ao alvinegro pelo prazo de 20 anos. Assim, desacostumados ao conforto e a instalações modernas, decidem quebrar tudo o que encontram pela frente. Foi assim que essa malta rubro-negra comportou-se no clássico Botafogo x Flamengo no último domingo. Esses bandidos, disfarçados de torcedores do Simpaticíssimo, quebraram tudo o que encontraram pela frente, como banheiros e cadeiras (foto). As latrinas, a que não estão acostumados, também foram quebradas, assim como torneiras e pias.

Pessoalmente – posso estar completamente equivocado – não acho que o Botafogo deveria receber essa súcia (bela palavra, não?) de malfeitores em outra partida no Engenhão. Quando o mando de campo voltar a ser do Botafogo, o clube deveria propor um local neutro, como São Januário ou (quem sabe?) Volta Redonda. Como o Urubu não tem estádio – aliás, tem, mas está caindo aos pedaços – quando tiver o mando de campo, sugiro o Aterro do Flamengo ou a área gramada do Jóquei Clube Brasileiro. Por sinal, o Jóquei não é bem o local indicado pois esses bandidos, que brigam entre si (só por brigar porque dinheiro ninguém tem) não sabem exatamente para que serve o belíssimo Jóquei Clube Brasileiro.

Retido em casa por razões de trabalho, escutei o jogo pela sempre alegre transmissão de José Carlos Araújo. E seus repórteres, todos eles competentes, antes da partida, já chamavam a atenção para o confronto entre as quadrilhas que formam as torcidas organizadas do Flamengo. Impressionada com o quebra-quebra, a repórter Maria Chuteira – inteligente e sensível, além de engraçada – estava disposta a dar uma geral nos banheiros. Alertada por José Carlos, ela disse que entraria nos banheiros masculinos acompanhada por soldados da PM a fim de não ser agredida.

Aliás, não é de hoje que os vândalos agem. Mesmo no Maracanã – outro estádio que pertence ao poder público – eles, os vândalos já chegaram a roubar latrinas para colocá-las em suas ‘mansões’. E, na avalanche que formam à esquerda das tribunas, quebraram a cerca de proteção e muitos caíram lá de cima nas gerais, por coincidência num Botafogo x Flamengo do Campeonato Brasileiro de 1992. Eu mesmo, numa atitude desassombrada, caí na besteira de levar meninos vascaínos e rubro-negros num Flamengo x Vasco no Maracanã. No final da partida, tive que me proteger dos tiros atrás de uma Kombi que vendia cachorros-quentes.

Em poucas e resumidas palavras, em qualquer jogo do Flamengo (contra os demais grandes do Rio) a chapa esquenta. E na saída dos estádios (falo mais do Maracanã), eles, os supostos torcedores, sobem no teto dos ônibus como se estivessem pegando surfe. E não há polícia que dê jeito nessa algazarra que, inúmeras vezes, já terminou com mortos, feridos e aprisionados. É o destino e pouco se pode fazer para impedir depredações, tumultos (entre eles próprios), assaltos, tiros e o diabo a quatro. E vejam vocês, meus leitores deste blog, que já assisti a inúmeros jogos entre Botafogo x Flamengo, em tempos mais remotos. E sempre me lembro de meu pai, rubro-negro decente, após um jogo Botafogo 5 x 0 Flamengo. Na saída do Maracanã, entristecido, meu pai me disse a seguinte frase inesquecível:

- Roberto, o juiz roubou para o Botafogo...


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O novo selo contra roubo de carros

junho 25, 2009 13:28 by rporto
 
 
O número de roubos, furtos e depredações de automóveis no Rio de Janeiro aumenta a cada mês. Ou o carro é transportado para um desmonte – no qual suas peças são vendidas à bangu, ou simplesmente ele é clonado, com nova placa, e dá um trabalho gigantesco à Polícia Militar.

Por isso, um grupo de especialistas do Detran, após longos meses de estudos, chegou à conclusão de que o selo (acima estampado) pode reduzir em 95% as queixas de proprietários nas delegacias espalhadas por toda a cidade.

Trata-se de um selo que, colado no vidro dos automóveis, deve diminuir brutalmente essas ocorrências policiais. O selo – ou plástico – ainda não está disponível, mas a partir do mês que vem fará parte integrante da vistoria dos automóveis que forem renovar seu IPVA. Mesmo que o proprietário do veículo não goste das cores – inspiradas em rituais do candomblé – ele será de uma utilidade inestimável na proteção contra roubos.

Vou encomendar dois: um para o meu carro, outro para minha bicicleta. O selo, digamos assim, funciona como uma espécie de salvo-conduto contra a bandidagem que anda solta pelas ruas e vielas da cidade, que já foi Maravilhosa.

Há alguns anos, o Kharman Ghia do comentarista Sérgio Noronha, hoje na Rede Bandeirantes, obviamente não era portador do novo selo que será obrigatório. Mas o carro foi logo encontrado, intacto, graças a um gigantesco escudo do clube da cruz de malta que trazia em seu vidro traseiro.

Mas os tempos agora são outros, principalmente para aqueles que vão comprar um veículo zero quilômetro, aproveitando os últimos dias da ausência do IPI. Não se trata de preferência por esse ou aquele clube. Trata-se de uma espécie de seguro obrigatório que todo proprietário deve colar no vidro traseiro – de preferência – pois será logo identificado.

Muito mais útil do que o já tradicional bafômetro – com conseqüências imprevisíveis – o novo selo permitirá ao proprietário do veículo que ultrapasse, incólume, a qualquer das batidas policiais espalhadas pela cidade. Mas o selo não pode ser pequeno: tem que ser enorme, para ser visto não só pela bandidagem como, também pelos policiais.

Particularmente, considero a invenção do Detran algo de inacreditável. Até porque levou anos para ser aprovada. Muitos elementos da comissão não o queriam aceitar, mas concluíram que era a melhor solução. Grande sacada.

Por fim, se for dirigir – à noite, principalmente – pode beber à vontade mas jamais se esqueça do selo de segurança. É uma advertência especial e deve ser obedecida por gregos e troianos. Eu, como já disse, aprovo a idéia.

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O 'Forró de Curitiba'

junho 16, 2009 21:03 by rporto
 
 
Domingo, quando liguei a televisão, juro pela minha mãe mortinha – até porque ela já se foi – que pretendia torcer pelo Clube da Beira da Lagoa, aliás, Flamengo. Estava empolgado com a escalação do Imperador no ataque rubro-negro, ele que manda e desmanda em todas as comunidades cariocas. Torcia, também, pelo Juanito das Candongas, aquele lateralzinho que gosta de meter medo em seus adversários. E, também, pela camisa vermelha e preta, embora os ‘inimigos’ achem que ela parece pano de macumba. Mas tudo bem. Ajustei a TV Fla no Canal 4 e fiquei à espera de uma surra naquele time de Curitiba, que seus torcedores apelidaram de ‘Coxa’.

De repente me lembrei que tenho, na capital do Paraná, um amigo de um amigo de um tio meu – gente finíssima, que torce pelo Coritiba. Aí, mesmo contra a vontade, passei a querer que o Coritiba aplicasse no Flamengo um novo forró, desta vez o ‘Forró de Curitiba’, Afinal estamos em junho e os paranaenses – como todo o povo brasileiro – comemoram as datas juninas. E aconteceu o que todo mundo viu. O Coritiba esculachou o time do Urubu, metendo 5 a 0 nos peitos da turma da Praia do Pinto.

Fui dormir contente, imaginando a alegria do amigo do amigo do meu tio. Mas confesso que, da próxima vez – juro pelo meu pai mortinho – até porque ele já se foi também – que darei mais uma oportunidade ao Flamengo, que está sempre na TV Globo. Aliás, O Globo, na segunda-feira, abriu em manchete ‘Derrota inaceitável’.

E eu pergunto por quê? O Globo quis dizer que o Flamengo – também chamado de Simpaticíssimo e Mais Querido – não pode ser esculachado? Fiquei sem entender a manchete.

O Flamengo, por acaso, é inderrotável? O Bruno não é o melhor goleiro do Brasil? O Imperador de Vila Cruzeiro não é o tal – que não treina de manhã porque tem atividades noturnas? Tenham paciência. Ele tem compromissos.

O ‘Forró de Fortaleza’ já está longe no calendário esportivo e foi aplicado pelo Botafogo no Castelão no time de Romário, o ‘Marrentinho’. Por que o Coritiba não poderia repetir a façanha? A cada gol do ‘Coxa’, esquecido de que pretendia torcer pelo Mais Querido, dei gritos medonhos, que assustaram todo o condomínio e que me valeram uma advertência do síndico, que, por falta se sorte minha, frequenta a Praia do Pinto.

Mas, como diria João Saldanha, vida que segue. Outros forrós virão por aí, pois o Brasileiro está só começando. Mas, pelo menos a princípio – desde que não tenha amigos de amigos de meus parentes – sempre estarei disposto a dar uma força àquela camisa de umbanda. Tenho pelo Flamengo um carinho incomensurável. E não haverá de ser a reedição de um forró curitibano que afetará essa minha atitude – tomada de repente.

Mas que os 5 a 0 foram demais, isso foi. E por pouco o Mengão não toma de mais. Pena que a Globo tenha abaixado o som do olé – nem mesmo se referiu a isso – e que Júnior Capacete tenha comentado a partida. O gol contra, então, foi espetacular. Jamais havia presenciado uma jogada daquelas. E estou certo de que vascaínos e tricolores também ficaram com pena do rubro-negro.

Mas o importante foi a nova edição do forró, desta vez no Paraná.

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Polícia eficiente em Recife

junho 8, 2009 18:20 by rporto
É óbvio ululante, como diria meu amigo Nélson Rodrigues (1912-1990) que os leitores desse alvinegro blog esperam que eu fale do Botafogo. Mas que Botafogo? Esse bando que além de perder três vezes do Flamengo (2007-2008-2009) no Campeonato Carioca anda a beira do abismo da segunda divisão do Campeonato Brasileiro? Se falo mal, como já falei mil vezes, os ‘anônimos’ da vida, covardes e sem peito de colocar seus e-mails, vão me esculachar. Se fico em cima do muro, dizem que estou protegendo Maurício Assumpção e a nova diretoria. Falar bem, é claro, não posso. Então vamos deixar o Botafogo cair tal qual um balão apagado e fica o dito pelo não dito. Perder do Fluminense foi demais para minha paciência.

No jogo do Mais Querido em Recife – o Sport passou por cima da urubolândia – quatro torcedores do Simpaticíssimo dirigiam-se ao estádio, acompanhados por um cachorro, quando a polícia pernambucana decidiu dar uma geral na rapaziada. Todos foram encostados à parede e revistados, pois pareciam armados. O pobre do cachorro, acostumado às estripulias de seus proprietários, também se enquadrou e ficou à espera da revista. Por sorte, todos foram liberados e puderam assistir ao baile que o Sport promoveu em seu estádio, virando um placar de 2 a 0 contra para 4 a 2 a favor.

Mas que a atitude do cão rubro-negro foi elogiosa, isso foi.

Quanto à Seleção Brasileira – sigo recusando-me a tocar no assunto Botafogo – deu um belo passeio em Montevidéu, no Estádio Centenário. Mesmo com a catimba de sempre, os uruguaios acabaram perdendo, com sobras, uma invencibilidade diante do Brasil que chegava a três décadas. Estive certa vez no Centenário e é realmente um alçapão. Mesmo com times inferiores à Seleção Brasileira, eles, os uruguaios, sempre foram marrentos e brigões, sustentando resultados durante tanto tempo. Agora teremos pela frente o Paraguai – velho freguês de caderno – em Recife. Tomara que o time brasileiro torne a mostrar coragem e disposição, como ocorreu diante do Uruguai. Aí estaremos próximos da classificação.

Não se esqueçam, porém, que teremos que encarar a Argentina de Maradona em Buenos Aires. E lá, com aquele povão todo aos gritos, será um osso duro de roer. Mas haveremos de conseguir um bom resultado.

(*) Em tempo: o famoso Imperador Adriano – Imperador da Vila Cruzeiro – jogou em Recife? Eu não o vi em campo.

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Torci para o Inter. Tem explicação?

maio 21, 2009 22:22 by rporto
 
 
Todos os meus companheiros de jornalismo, rádio e televisão estão cansados de saber que sou um ‘cronista neutro’, na mais pura expressão da palavra. Trabalhei com José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, com Luiz Penido, na Rádio Tupi, e com Haroldo de Andrade, na Rádio Globo.

Todos (a não ser Haroldo que já se foi) podem atestar a minha absoluta isenção. Essa história de que sou fervoroso torcedor do Botafogo é o que chamo de ‘intriga da oposição’. Sempre torço para Flamengo, Fluminense e Vasco quando estes três gloriosos clubes enfrentam adversários não cariocas.

O fato de ter sido amigo íntimo de João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e Luiz Mendes – para citar apenas estes quatro – não significa que seja adepto das cores alvinegras.

Certa vez, Nélson Rodrigues, que ficou meu amigo quando de minha passagem por O Globo, queria que eu assumisse um clube do coração, mas me neguei peremptoriamente. E Celso Itiberê, o editor de esportes na época, é uma de minhas mais abalizadas testemunhas, assim como Fernando Calazans e Renato Maurício Prado. A rigor, torço sempre pela vitoriosa Seleção Brasileira.

Outro dia, liguei a televisão para assistir ao duelo entre Internacional e Flamengo. E, confesso, queria que o ‘Mais Querido’ superasse o seu rival do Rio Guaíba. Foi então que de repente, não mais do que de repente, me recordei da beleza da Lagoa dos Patos e de uns longínquos parentes que ainda vivem em Porto Alegre, inclusive uma senhora que é amiga de uma amiga de minha tia Philomena. Aí não houve jeito. Passei a torcer pelo Inter, não por raiva do Flamengo, coitado, mas por uma lógica familiar. E vibrei quando Juanito das Candongas errou e permitiu o primeiro gol gaúcho.

A essa altura, eu já estava embrulhado numa toalha vermelha, cantando a música do Inter que imita o ‘Pelados em Santos’, dos infelizmente mortos ‘Mamonas Assassinas’. E quando o Inter marcou o gol da vitória, numa falta muito bem cobrada, dei um berro medonho que assustou todo o edifício onde moro. Vibrei pelos parentes, pela amiga da amiga de minha tia e de todos os colorados que conheço.

Foi uma reação estapafúrdia, bem sei, mas fui dormir feliz da vida com a eliminação do ‘Mais Querido’ da Copa do Brasil. Hoje estou com pena dos rubro-negros, principalmente de Juanito, sujeito disciplinado, que não xinga ninguém quando é driblado.

Confesso que foi a primeira vez que desprezei um clube do Rio, justamente o mais popular e o mais marrento de todos. Mas as coisas vão melhorar. Petkovic, aos 36 anos, já deixou a cadeira de rodas e vai dar um novo tchan ao Mengão.

E o Imperador? Se conseguirem tirá-lo da comunidade onde vive, será um sucesso total. Fiquei apenas com pena de Obina, um craque desprezado até pela torcida do clube. Obina me lembra Berico, que Jorge Cury queria levar para a Seleção Brasileira...

Mas dias melhores virão. Enxuguem as lágrimas, rubro-negros...

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