Todos os meus companheiros de jornalismo, rádio e televisão estão cansados de saber que sou um ‘cronista neutro’, na mais pura expressão da palavra. Trabalhei com José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, com Luiz Penido, na Rádio Tupi, e com Haroldo de Andrade, na Rádio Globo.
Todos (a não ser Haroldo que já se foi) podem atestar a minha absoluta isenção. Essa história de que sou fervoroso torcedor do Botafogo é o que chamo de ‘intriga da oposição’. Sempre torço para Flamengo, Fluminense e Vasco quando estes três gloriosos clubes enfrentam adversários não cariocas.
O fato de ter sido amigo íntimo de João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e Luiz Mendes – para citar apenas estes quatro – não significa que seja adepto das cores alvinegras.
Certa vez, Nélson Rodrigues, que ficou meu amigo quando de minha passagem por O Globo, queria que eu assumisse um clube do coração, mas me neguei peremptoriamente. E Celso Itiberê, o editor de esportes na época, é uma de minhas mais abalizadas testemunhas, assim como Fernando Calazans e Renato Maurício Prado. A rigor, torço sempre pela vitoriosa Seleção Brasileira.
Outro dia, liguei a televisão para assistir ao duelo entre Internacional e Flamengo. E, confesso, queria que o ‘Mais Querido’ superasse o seu rival do Rio Guaíba. Foi então que de repente, não mais do que de repente, me recordei da beleza da Lagoa dos Patos e de uns longínquos parentes que ainda vivem em Porto Alegre, inclusive uma senhora que é amiga de uma amiga de minha tia Philomena. Aí não houve jeito. Passei a torcer pelo Inter, não por raiva do Flamengo, coitado, mas por uma lógica familiar. E vibrei quando Juanito das Candongas errou e permitiu o primeiro gol gaúcho.
A essa altura, eu já estava embrulhado numa toalha vermelha, cantando a música do Inter que imita o ‘Pelados em Santos’, dos infelizmente mortos ‘Mamonas Assassinas’. E quando o Inter marcou o gol da vitória, numa falta muito bem cobrada, dei um berro medonho que assustou todo o edifício onde moro. Vibrei pelos parentes, pela amiga da amiga de minha tia e de todos os colorados que conheço.
Foi uma reação estapafúrdia, bem sei, mas fui dormir feliz da vida com a eliminação do ‘Mais Querido’ da Copa do Brasil. Hoje estou com pena dos rubro-negros, principalmente de Juanito, sujeito disciplinado, que não xinga ninguém quando é driblado.
Confesso que foi a primeira vez que desprezei um clube do Rio, justamente o mais popular e o mais marrento de todos. Mas as coisas vão melhorar. Petkovic, aos 36 anos, já deixou a cadeira de rodas e vai dar um novo tchan ao Mengão.
E o Imperador? Se conseguirem tirá-lo da comunidade onde vive, será um sucesso total. Fiquei apenas com pena de Obina, um craque desprezado até pela torcida do clube. Obina me lembra Berico, que Jorge Cury queria levar para a Seleção Brasileira...
Mas dias melhores virão. Enxuguem as lágrimas, rubro-negros...
5.0 ponto(s). Avaliado por 8 pessoas
- Currently 5/5 Stars.
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5