Blog do Roberto Porto
Gênio das letras e paixão pelo Fogão!

O 'Forró de Curitiba'

junho 16, 2009 21:03 by rporto
 
 
Domingo, quando liguei a televisão, juro pela minha mãe mortinha – até porque ela já se foi – que pretendia torcer pelo Clube da Beira da Lagoa, aliás, Flamengo. Estava empolgado com a escalação do Imperador no ataque rubro-negro, ele que manda e desmanda em todas as comunidades cariocas. Torcia, também, pelo Juanito das Candongas, aquele lateralzinho que gosta de meter medo em seus adversários. E, também, pela camisa vermelha e preta, embora os ‘inimigos’ achem que ela parece pano de macumba. Mas tudo bem. Ajustei a TV Fla no Canal 4 e fiquei à espera de uma surra naquele time de Curitiba, que seus torcedores apelidaram de ‘Coxa’.

De repente me lembrei que tenho, na capital do Paraná, um amigo de um amigo de um tio meu – gente finíssima, que torce pelo Coritiba. Aí, mesmo contra a vontade, passei a querer que o Coritiba aplicasse no Flamengo um novo forró, desta vez o ‘Forró de Curitiba’, Afinal estamos em junho e os paranaenses – como todo o povo brasileiro – comemoram as datas juninas. E aconteceu o que todo mundo viu. O Coritiba esculachou o time do Urubu, metendo 5 a 0 nos peitos da turma da Praia do Pinto.

Fui dormir contente, imaginando a alegria do amigo do amigo do meu tio. Mas confesso que, da próxima vez – juro pelo meu pai mortinho – até porque ele já se foi também – que darei mais uma oportunidade ao Flamengo, que está sempre na TV Globo. Aliás, O Globo, na segunda-feira, abriu em manchete ‘Derrota inaceitável’.

E eu pergunto por quê? O Globo quis dizer que o Flamengo – também chamado de Simpaticíssimo e Mais Querido – não pode ser esculachado? Fiquei sem entender a manchete.

O Flamengo, por acaso, é inderrotável? O Bruno não é o melhor goleiro do Brasil? O Imperador de Vila Cruzeiro não é o tal – que não treina de manhã porque tem atividades noturnas? Tenham paciência. Ele tem compromissos.

O ‘Forró de Fortaleza’ já está longe no calendário esportivo e foi aplicado pelo Botafogo no Castelão no time de Romário, o ‘Marrentinho’. Por que o Coritiba não poderia repetir a façanha? A cada gol do ‘Coxa’, esquecido de que pretendia torcer pelo Mais Querido, dei gritos medonhos, que assustaram todo o condomínio e que me valeram uma advertência do síndico, que, por falta se sorte minha, frequenta a Praia do Pinto.

Mas, como diria João Saldanha, vida que segue. Outros forrós virão por aí, pois o Brasileiro está só começando. Mas, pelo menos a princípio – desde que não tenha amigos de amigos de meus parentes – sempre estarei disposto a dar uma força àquela camisa de umbanda. Tenho pelo Flamengo um carinho incomensurável. E não haverá de ser a reedição de um forró curitibano que afetará essa minha atitude – tomada de repente.

Mas que os 5 a 0 foram demais, isso foi. E por pouco o Mengão não toma de mais. Pena que a Globo tenha abaixado o som do olé – nem mesmo se referiu a isso – e que Júnior Capacete tenha comentado a partida. O gol contra, então, foi espetacular. Jamais havia presenciado uma jogada daquelas. E estou certo de que vascaínos e tricolores também ficaram com pena do rubro-negro.

Mas o importante foi a nova edição do forró, desta vez no Paraná.

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