Análise: Botafogo de Barroca muda estilo no início, mas perde a força e o jogo

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Pedro Raul em Botafogo x Flamengo | Campeonato Brasileiro 2020
Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo veio para o clássico contra o Flamengo, válido pela 24ª rodada do Brasileirão, pressionado pela sequência de sete jogos sem vencer no campeonato. Com o novo treinador Eduardo Barroca em home-office por conta do teste positivo para Covid-19, coube a Felipe Lucena a tarefa de comandar o time do banco de reservas. E a tarefa não era nada simples: enfrentar o favoritismo do rival em um jogo em que só a vitória interessava aos dois lados.

Já conhecido pelo torcedor alvinegro, Barroca tem a predileção por um estilo de jogo baseado na posse da bola. Em sua primeira experiência como técnico em General Severiano, em 2019, deixou a má impressão de comandar um time pouco criativo, que apesar de controlar a posse tinha muitas dificuldades em saber o que fazer com a bola e criar situações claras de gol.

Agora, o novo treinador assumiu um time que tem médias por jogo de 46,8% de posse de bola (15º no campeonato), 10,3 finalizações (7º), 1,9 chance clara de gol (8º), 1 gol (16º) e apenas 10% de finalizações convertidas em gol (18º).

No Nilton Santos, onde o alvinegro tem a pior campanha como mandante na Série A, Barroca e Lucena prepararam a equipe para começar o jogo subindo a marcação com muita intensidade e sufocando a saída de bola do adversário, com seis, sete jogadores no campo de ataque. Frequentemente, Lucena chamava a atenção de José Welison para encaixar no bloco de marcação da frente, para evitar o espaçamento entre defesa e ataque. Outro pedido incessante do treinador era por pressão no homem da bola a todo momento.

Quando o Flamengo escapava da pressão inicial, o alvinegro ora se fechava com duas linhas bem próximas, uma de quatro e outra de cinco, ora formava um 4-1-4-1 com José Welison preenchendo o espaço na entrelinha. Em ambas as formações, foram importantes as recomposições e dobras de marcação de Nazário e Rhuan nas pontas, impedindo que o rival conseguisse superioridade numérica pelos lados do campo.

Com a bola, o Glorioso evitou a saída curta e preferiu passes mais diretos, buscando sobretudo o centroavante na referência. Após três finalizações nos primeiros minutos do jogo, incluindo uma boa oportunidade com Pedro Raul no primeiro lance da partida, o Botafogo teve dificuldades em conseguir se estabelecer no campo ofensivo. Só voltou a levar perigo aos 44 minutos. A entrega e o comprometimento na fase defensiva comprometeram a chegada ao ataque.

Na segunda etapa, justamente em um erro de Marcinho na saída de bola, situação que o Botafogo não ofereceu ao adversário no primeiro tempo, o Flamengo chegou ao gol com Everton Ribeiro. O gol fez Lucena mudar o time e entrar com Kalou e Babi nos lugares de Rhuan e José Welison. Lucas Campos entrou no lugar de um cansado Nazário e a equipe passou a jogar com quatro atacantes. A criação de jogadas, no entanto, ficou comprometida com o meio de campo pouco povoado e a bola não chegou aos atacantes.

Victor Luis ainda foi expulso, aos 39 minutos do segundo tempo, tornando mais complicado o empate. Ainda assim, o Botafogo teve uma última chance com Kalou em cobrança de falta sofrida por Lucas Campos na entrada da área, mas a bola parou em Diego Alves e a partida terminou.

Quinta derrota consecutiva do alvinegro que agora encara uma série de três jogos fora de casa contra São Paulo, Internacional e Coritiba. Nos 15 jogos que restam no campeonato, o Botafogo precisa alcançar um aproveitamento maior que 50% para chegar aos 44, 45 pontos. Missão dura para Barroca e seus comandados.

Números do jogo:

Posse de bola – BFR 34% x 66% FLA;

Finalizações – BFR 13(2 no gol) x 14(3) FLA;

Chance claras de gol – BFR 1 x 0 FLA;

Passes – BFR 293 (75% certos) x 572 (89%) FLA;

Faltas – BFR 16 – 26 FLA

Fonte: Redação FogãoNET

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