Com quase seis meses no cargo, C. E. Pereira faz balanço: ‘A autoestima voltou’

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Após quase seis meses à frente da diretoria do Botafogo, o presidente Carlos Eduardo Pereira, falou com exclusividade à reportagem da Super Rádio Tupi. O dirigente fez uma avaliação do trabalho feito durante esses meses, que tem como foco principal a reestruturação do clube e o retorno do time à elite do futebol brasileiro.

“Seis meses de muito trabalho, luta e resultados encorajadores. Todo o esforço tem sido direcionado para a equipe de futebol, já que o clube depende do time voltar para a Série A. Fomos às finais do estadual diante do Vasco, começamos bem o Brasileirão… acho que nesse aspecto estamos indo bem e com isso conseguiremos alavancar uma recuperação financeira. O sócio-torcedor está refletindo esse bom momento. Na parte da gestão do clube, procuramos fazer a mais responsável e transparente possível, reduzindo ao máximo as despesas e tentando melhorar as receitas, apesar de termos perdido o patrocinador master. Apesar de termos voltado ao Ato Trabalhista, ainda existem questionamentos de advogados. Na área fiscal e dívidas cíveis, estamos tentando negociar e retornando ao Reffis, com nosso pleito de compensação de recursos bloqueados. Com relação aos credores individuais, estamos tentando indicar que em 2015 o Botafogo não vai gerar excedentes para pagar a ninguém, mas que a partir de 2016 e 2017 teremos um planejamento para montar uma programação.”

O presidente sempre fala em suas entrevistas em conquistar novamente a confiança e o orgulho do torcedor botafoguense. Após o Campeonato Carioca, onde o time fez uma ótima campanha, quase conquistando o título Estadual, Carlos Eduardo Pereira afirmou que a auto estima voltou realmente.

“A autoestima voltou. Antes de ser respeitado externamente, é preciso se valorizar. Anteriormente víamos botafoguenses de cabeça baixa, com vergonha de usar a camisa e hoje, mesmo disputando uma Série B, já vemos os torcedores pelas ruas, com orgulho e reconhecimento pela combatividade da equipe, que é limitada, mas em momento algum deixa de representar o Botafogo como todos nós queremos. Acho que os botafoguenses estão mais confiantes”

Confira na íntegra:

Aprovação do orçamento de 105 milhões de reais, sendo 81 milhões para o futebol, e previsão de lucro de 31 milhões

“Essa é a expectativa. O lucro não chega a se materializar, porque é uma questão de contabilidade e, principalmente, porque existem muitas despesas. O mais importante para o mercado é que o Botafogo mudou. Não apenas deixou de se endividar, como trabalha com redução de custos e diante disso esperamos gerar algum tipo de excedente para acertar algumas dívidas do passado. Temos o plantel, especialmente direitos de imagem de 2014, atletas de 2013 e 2012, ou seja, um elenco de compromissos a serem pagos e que temos que dedicar uma atenção. Mas, assim que gerarmos esses excedentes, não tenho dúvidas que conseguiremos entrar nos trilhos.”

Expectativa de lucro entre janeiro e março de 1,2 milhões de reais em relação aos 4 milhões estipulados

“Não tenho dúvida. Tanto dentro da nossa política de austeridade, e lançando mão dos patrocínios pontuais, que foi uma ótima solução do departamento de marketing, no sentido de que procuramos rentabilizar todos os setores do clube. Ainda não temos o Estádio Nilton Santos em sua plenitude, o que faz uma grande diferença para a questão das receitas. O clube hoje tem aproximadamente R$5,5 milhões em recursos bloqueados: R$1,9 milhões na justiça do trabalho e R$3,5 milhões com a prefeitura, onde aguardamos o reembolso. Então, para um orçamento restrito como o nosso, que gira em torno de R$100 milhões, ter 5% bloqueado é extremamente duro. Ainda assim, o esforço que temos feito é a economia do lápis, da borracha, apagando as luzes de todos os cômodos, reduzindo a folha de pagamento, enfim, para que os compromissos do Botafogo sejam cumpridos com funcionários e atletas, nesta missão de vida ou morte para o clube (Série B).”

Nova lei de punição ao clube de salários atrasados preocupa

“Muita dor de cabeça, faz com que os cabelos caiam e percamos algumas horas de sono também, mas foi um compromisso que assumimos com o plantel lá em Várzea das Moças. Poderia faltar o cafezinho da presidência, mas não faltaria o atendimento a eles. Nossa política continua sendo essa: concentrar todos os esforços possíveis no atendimento e as melhores condições para nossa equipe. Vejo que está tendo retorno e reconhecimento desse esforço, nos dá uma sensação de unidade que nos estimula a trabalhar por esses compromissos”

Notas oficiais em resposta aos ex- presidentes Maurício Assumpção e Bebeto de Freitas

“As duas notas foram de esclarecimentos. O primeiro do conselho fiscal, que procurou indicar que em nenhum momento o ex-presidente Maurício Assumpção se ofereceu para qualquer tipo de apresentação de documentos a eles, então procurou esclarecer isso. E a outra, foi no sentido de situar os fatos, principalmente em função ao ex-presidente Bebeto de Freitas que tentou colocar todos os dirigentes do Botafogo como farinha do mesmo saco. Então tentamos situá-lo de que ele foi um presidente condenado na junta de julgamento e recursos, também no Conselho Deliberativo e que ainda existem recursos não comprovados da gestão dele que aguardam devolução. Portanto eram esclarecimentos importantes para restaurar e recompor a verdade dos fatos.”

Dossiê ao Conselho Deliberativo com irregularidades da gestão de Maurício Assumpção

“O relatório veio do Conselho Fiscal e as grandes preocupações ficaram com a Odebretch, sem dúvida alguma, com esses recursos coletados com empresários onde o Botafogo pagou comissões com empréstimo, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida. Pagamentos para terceiros, depois o nome desses foi mudado e posteriormente foi descoberto que era advogado do Eduardo Húngaro, então uma ligação muito grande de pessoas neste empréstimo e a destinação não muito clara do que foi feito com estes recursos. O caso do Vitinho é preocupante, porque recebemos uma multa judicial da ordem de R$8 milhões, que estamos recorrendo, pela demora do clube de apresentar o contrato e os direitos do atleta estavam bloqueados por ordem judicial. É uma dor de cabeça que teremos que gerenciar daqui para frente, além de uma série de outras operações que o Conselho Fiscal indicou. Nós, seguindo a orientação do Conselho Fiscal, seguimos para a presidência do Conselho Deliberativo para que isso nos dê o subsídio necessário no processo que será aberto pela junta.”

Estimativa da diretoria de reestruturar o Botafogo em oito anos

“Essa estimativa que a gente fez foi com base no momento presente do clube. É claro, que a gente tem alguns fatores que podem melhorar e reduzir esse prazo. A gente tem a expectativa de uma melhoria da cota do Botafogo na transmissão no próximo ano. Retornando o Botafogo à Série A, serão 60% de reajuste sobre a nossa cota atual e, com isso, eu tenho certeza que nós conseguiremos um patrocínio master, vamos conseguir alavancar receitas. O Estádio Nilton Santos não estará disponível, ai é outro fator de inibição, uma vez que o estádio estará para os jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro vai precisar encontrar alternativas para o campeonato de 2016. A gente precisa adaptar o orçamento do clube a isso, mas acredito que a tendência seja uma melhoria constante do nosso quadro. A gente pensou em sete ou oito anos como um prazo conservador, mas a gente acredita que em seis, talvez, mas perseverando sempre e, principalmente, eu acho que o futebol do Botafogo está demonstrando, hoje, que você não necessariamente precisa gastar demais para você ter uma equipe competitiva. Eu acho que é muito importante a competência na seleção dos atletas, na montagem da equipe, e eu cito, aí, o exemplo do René e do Antônio Lopes, que montaram o plantel do Botafogo e, o destaque importantíssimo. O Botafogo montou esse plantel sem pagar 1 centavo de comissão a qualquer empresário, então isso faz toda a diferença, isso ajuda muito que a gente tenha uma redução de custos e um bom planejamento.”

Dificuldade de conseguir patrocínio master

“Eu acho que nós tivemos a grande dificuldade de ter assumido o clube no dia 26 de novembro de 2014, praticamente no final do ano e, com isso, as empresas já estavam com seus orçamentos para 2015 fechados. E aí é muito complicado, tanto que o departamento comercial direcionou a nossa busca por patrocínios pontuais ao varejo. Normalmente, o varejo não está presente em camisas de clubes de futebol, pois trabalha com campanhas pontuais, com liquidação, dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, são eventos muito pontuais. Quando você não tem uma marca, não está preocupado em ter a sua marca, e sim trabalhar ofertas. Mas isso tem se mostrado uma boa opção, porque a gente teve essa dificuldade, as empresas já estavam com esse orçamento fechado. A gente tem a expectativa de uma receita bastante razoável, o Botafogo tinha essa receita razoável até o ano de 2014, que infelizmente perdeu, o patrocinador, optou não renovar em função dos muitos problemas que teve com a gestão passada, e a gente está procurando fazer, plantar hoje, ao longo de 2015, as sementes que certamente vão frutificar no ano de 2016. E o país também está vivendo um momento muito complicado, eu acho que tudo isso conspirou para que a gente tivesse mais dificuldades. Mas, estamos caminhando, o departamento comercial está fazendo um ótimo trabalho e o marketing também, e eu tenho certeza que a gente vai seguir bem nesse caminho.”

Expectativa em relação ao Estádio Nilton Santos

“O Estádio Nilton Santos tem demonstrado, primeiro de tudo, que a torcida do Botafogo sentia a falta de uma conexão maior com ele. Eu tenho certeza que a proposta da nossa diretoria de dar ao antigo Engenhão, o nome de Estádio Nilton Santos, que foi acolhido pelo prefeito Eduardo Paes, foi um marco na relação da torcida e do nosso plantel com o estádio. Indiscutivelmente a gente sentiu essa mudança, sente uma ligação, um pertencimento no estádio, porque o nome do Nilton, a figura do Nilton, ela é extremamente cara para todos nós, e foi assim uma sensação de unanimidade muito boa, torcedores de outros clubes também reconhecendo a importância do Nilton. Vamos ter que entregar o estádio provavelmente depois do Campeonato Brasileiro, nós concluiremos o Campeonato Brasileiro de 2015 fazendo todas as partidas com o mando de campo do Botafogo, no Estádio Nilton Santos, isso é muito importante para deixar registrado para a torcida do Botafogo. Nós temos nosso programa de sócio-torcedor que privilegia a utilização do Estádio Nilton Santos e faremos aí todos os nossos jogos. Não jogaremos fora, apenas as partidas que o mando de campo pertencer ao adversário, e no retorno das Olimpíadas, a gente tem uma expectativa de ter um estádio reformado, recuperado, hoje ele está um pouco castigado em função do tempo de utilização e dessas obras que foram realizadas de forma emergencial. A gente acredita que o estádio seja uma ferramenta muito importante de geração de receitas.”



Fonte: Super Rádio Tupi
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