Mais experiente entre os quatro candidatos, Carlos Eduardo Pereira tem 56 anos, concorreu à presidência do Botafogo em 2011, quando foi derrotado por Maurício Assumpção, e foi vice-presidente do clube entre 1994 e 1996, quando Carlos Augusto Montenegro estava no poder. Administrador com especialização em marketing, ele concorre pela chapa ouro “Oposição Unida”.

Carlos Eduardo Pereira ainda tem o ex-jogador Carlos Alberto Torres como aliado e faz duras críticas à gestão atual botafoguense. Entre suas principais propostas, ele fala em fazer o clube voltar ao Ato Trabalhista para se livrar das penhoras e ter receitas, além de modernizar o departamento de futebol.

“Tudo o que envolve essa gestão passa por uma falta de transparência e até uma falta de lógica que assustam. Não sabemos sequer se os jogadores dispensados (Emerson, Bolívar, Edilson e Júlio César) tiveram seus contratos rescindidos. Descobrindo qual a situação de fato, se o Botafogo puder utilizá-los e for do interesse deles, será nosso também, pois são jogadores de muita qualidade”, disse Pereira.

Confira abaixo a entrevista completa com Carlos Eduardo Pereira:

PRIORIDADES E PRINCIPAIS PROPOSTAS

Minha maior prioridade é fazer o Botafogo voltar ao Ato Trabalhista. Hoje, o clube é considerado sonegador e isso é péssimo para qualquer tipo de política financeira que queiramos implantar. Voltando ao Ato, livraríamos o clube das penhoras e voltaríamos a ter receitas. Na mesma linha, precisamos pagar as primeiras parcelas do Refis. Já contamos com um grande investidor para nos ajudar, já a partir de dezembro. Mesmo com pouco tempo de negociação com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em função do recesso de fim de ano. Precisamos também negociar os empréstimos feitos pela atual gestão, que não passaram pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho Fiscal e se tornaram mais um acervo de dívidas para o clube. Buscaremos entender a origem dessas dívidas e negociar com os credores, já que o Botafogo não tem capacidade de pagamento no momento. Depois, modernizaremos o departamento de futebol, pois hoje não temos um Centro de Treinamento e nem vice-presidente de futebol. A retomada do Engenhão é outro ponto importantíssimo para nós, pois é o maior gerador de receitas para o clube. Um sócio torcedor mais agressivo se faz muito necessário, e para isso, contamos com o nosso estádio. Queremos também fazer uma reforma estatutária, democratizando o Botafogo, com direito a voto para o sócio-torcedor e a criação, de fato, de uma categoria de sócio contribuinte, pois a que existe é péssima.

PLANEJAMENTO PARA O FUTEBOL

Buscaremos formas de tornar o futebol autossuficiente, descolando o futebol do clube social. Porém, não podemos reduzir tanto o orçamento, já que provavelmente, teremos que pegar o Botafogo em uma situação que não condiz com a sua grandeza, na segunda divisão. Apesar do modelo (subindo quatro times) facilitar o acesso, não podemos brincar com um clube gigante em uma situação ruim. O Botafogo tem um departamento de futebol caro, mal escolhido e com um plantel muito fraco, principalmente depois da decisão de dispensar os quatro atletas (Emerson, Edílson, Bolívar e Júlio César), como fez a atual gestão. Implantaremos um novo modelo, com um superintendente verticalizando a gestão. O Vagner Mancini e o Gottardo estão abandonados no futebol. São dois profissionais que respeito muito e que não podem ser apontados como culpados pelo fracasso alvinegro nesse ano. Ainda assim, é precipitado tomar qualquer tipo de partido nesse momento. Após o campeonato e caso nós venhamos a assumir a presidência, tomaremos essa decisão em conjunto.

Tudo o que envolve essa gestão passa por uma falta de transparência e até uma falta de lógica que assustam. Não sabemos sequer se os jogadores dispensados tiveram seus contratos rescindidos. Descobrindo qual a situação de fato, se o Botafogo puder utilizá-los e for do interesse deles, será nosso também, pois são jogadores de muita qualidade.

PLANOS PARA O ENGENHÃO

O primeiro ponto é termos uma conversa franca com a prefeitura para saber concretamente qual a previsão de reabertura do Engenhão. O Botafogo precisa lutar para ser ressarcido dos prejuízos que teve, pois precisa de receita e certamente tem direito, já que teve seu estádio tomado e ficou a esmo, sem nem ter tempo de se programar. A partir daí, analisaremos a possibilidade de novas receitas. Captaremos recursos no mercado. Uma coisa muito importante é a negociação de naming rights do estádio, algo que compete ao Botafogo e pode se mostrar uma luz no fim do túnel, já que como próximo estádio olímpico, o Engenhão representa um grande valor para o mercado internacional. Inclusive, já temos empresas interessadas nesse sentido. Respeitaremos os contratos e avaliaremos os mesmos para fazer com que tenhamos o máximo de receitas provenientes do Engenhão. Outro ponto muito importante: o Engenhão será botafoguense. Alvinegro, como tem que ser. As cadeiras não serão azuis e vermelhas, como nessa gestão, de forma assustadora. O Botafogo precisa se impor e tornar o estádio mais aprazível para o seu torcedor.

PROJETOS DE MARKETING E SÓCIO-TORCEDOR

No departamento de marketing, teremos a volta do Márcio Padilha, responsável por toda a estruturação da área no Botafogo no começo da última gestão, um dos únicos acertos dela. Depois que fugimos das diretrizes originais e com a saída do Márcio, nós perdemos muito. Ele será o grande responsável por fazer o barco do Botafogo tocar e confio plenamente em sua capacidade. Integraremos o marketing e o comercial, pensando em valorização da nossa marca, que já está consolidada: todos conhecem o Botafogo, que é um dos maiores clubes do mundo. Precisamos de credibilidade e autoestima. Vamos valorizar o clube e esse será o foco do planejamento de marketing.  Já pelo lado do programa de sócio-torcedor, precisamos mudar o atual programa e torná-lo mais agressivo. Precisamos abaixar os preços e aumentar o número de torcedores no estádio. Democratizar a política é outra bandeira da nossa chapa. Queremos dar direito a voto aos sócios-torcedores. Além disso, praticaremos preços baixos, trazer o torcedor de volta ao estádio, o mínimo permitido pela Federação e Ministério Público. Queremos estádios cheios. Além disso, criaremos um modelo de sócio contribuinte mais barato, com o pagamento de joia e mensalidade mais barato e baixando a taxa de manutenção. Temos que corrigir categorias que não pagam no clube, para aumentar a renda fixa do Botafogo.

DIVISÕES DE BASE, CT EM MARECHAL HERMES E CAIO MARTINS

Temos uma pendência levantada pelo MP e associação de moradores próximas ao estádio, por isso, ele está em péssimo estado de conservação. Buscaremos negociar com comunidade e investidores, para fazer Caio Martins voltar a ser fonte de renda para o clube. Marechal Hermes foi derrubada e é um terreno pequeno (menos de 20 km²), não é suficiente para um CT. Por isso, não é uma prioridade para 2015, só poderemos mexer nisso a partir de 2016. Por isso, construiremos um CT em uma área maior (cerca de 100 m²), para integrar as divisões de base. Utilizaremos nossos atletas, que são de qualidade. Vimos o Gabriel, Jadson, Vitinho e tantos outros dando retorno técnico e financeiro. É isso que queremos, reformular o Botafogo. Integraremos a base ao futebol profissional e faremos o Glorioso voltar a ser forte.

QUAL PANORAMA ESPERA ENCONTRAR NO CLUBE?

Minha grande preocupação é mexer no “esqueleto” do Botafogo. A cada gaveta que você abre em General Severiano, tem surpresas desagradáveis e mais apreensão para os próximos anos. Metade das receitas estão comprometidas para 2015. O plantel de 2014 não recebeu quase nada, fundamentalmente dependemos do acordo com o TRT para voltar ao Ato. O Tribunal precisa entender que o Botafogo quer pagar as dívidas e irá quitá-las, dentro de sua capacidade de pagamento. A transparência será uma norma na nossa gestão. Além disso, já temos uma nova fabricante de materiais para 2015 engatilhada, pois desejamos melhorar o patamar dos nossos rendimentos nesse sentido. Vamos conversar para renovar o patrocínio master com a Guaraviton, que quer permanecer no Botafogo. Mas o principal, de fato, é desbloquear receitas. Não podemos ficar passivos, como a Chapa Azul, que representa a continuidade da gestão tenebrosa de Maurício Assumpção. Representa a situação, possui quase 80% dos sócios ligados ao atual presidente. Por fim, tenho uma pergunta para o torcedor do Botafogo: Você está satisfeito? Sócio do Botafogo, você está satisfeito? Tivemos nossa pior participação nos pontos corridos, fomos muito mal na Libertadores, um ano pífio. Se você não está satisfeito, junte-se a Chapa Ouro! Vamos mudar o Botafogo.

Fonte: ESPN.com.br (dia 24/11)