Jair Ventura tem moral conosco. É o grande responsável por fazer o Botafogo ser competitivo como é desde o segundo semestre do ano passado. Mas não está imune às críticas. Diante do Avaí, nesta segunda-feira, o técnico alvinegro quis mudar o esquema que estava encaixado e eficiente, e o Botafogo acabou derrotado pelo então lanterna do Campeonato Brasileiro.

Ah, mas aí vão dizer que a bola não quis entrar, que o Botafogo chutou 500 bolas, que o goleiro do Avaí (que até o último jogo era reserva) fez 895 defesas incríveis. Sim, é verdade, não era dia. Mas o Botafogo que enfrentou o Avaí foi desorganizado do princípio ao fim. Antes do primeiro gol de Joel, aos cinco minutos, o Botafogo mal tinha tocado na bola e levou um sufoco inaceitável.

Prova da desorganização foi o número de cruzamentos: QUARENTA E SETE. Uma média de um a cada quase dois minutos. Quando o time não está organizado, não tem jogada, vai no chuveirinho. E foi isso o que aconteceu.

Faixa pedindo três volantes em jogo no passado no MaracanãPágina “Botafogo da Zoeira” resgatou essa foto de uma faixa em jogo no Maracanã

O Botafogo ganhou jogos – contra times fracos ou fortes – com as famosas duas linhas de quatro e a aplicação de todos na marcação, na transição rápida para o ataque. Contra o Avaí, não aconteceu nada disso. Teve a lesão de Montillo logo no começo, e Jair optou por pôr mais um atacante (Guilherme). O time foi uma bagunça só.

A atuação de um jogador em particular exprime bem o desequilíbrio tático do Botafogo: Bruno Silva. Em fase exuberante jogando como meia-direita, sempre aparecendo no ataque, desta vez ficou mais preso à marcação e não ajudou o time como estava ajudando. Quando se muda um time assim, com pouquíssimo tempo para treinar, é muito difícil que as coisas se encaixem rapidamente. Ainda mais com dois jogadores voltando de lesão (Montillo e Camilo).

Contraponto

A torcida é passional, mas quem está lá dentro na hora precisa ser frio na hora da análise. Assim, cabe aqui entender o que Jair quis fazer. Diante do lanterna do campeonato, jogando em casa, o treinador alvinegro quis observar uma formação diferente, mais ofensiva, para quando for preciso, além de dar ritmo aos meias que retornavam de lesão. Era, assim, o “cenário perfeito”. Só que ele já havia feito esse teste, e o resultado contra o Barcelona-EQU não foi satisfatório.

Jair Ventura em ação contra o AvaíJair tem muita moral com a torcida e fará a autocrítica correta (FOTO: Vitor Silva/SSPress/BFR)

Tudo bem, ele não pôde contar com Matheus Fernandes e João Paulo. Mas poderia manter a estrutura tática, colocando Dudu Cearense, Fernandes ou até mesmo Leandrinho nessa linha de quatro. Jair errou, após tantos acertos. Mas, enfim… Bola para frente.

O que estamos querendo enfatizar aqui é que não é hora de caça às bruxas, de lamentações. É hora de unirmos forças, valorizar Jair e o grupo enxuto que ele tem em mãos. Teremos uma maratona de jogos importantes, e não podemos deixar a peteca cair.

Roger dá um abraço na filha Giulia antes do jogo Botafogo x AvaíTem coisa mais linda do que isso? Um beijão na Giulia! (FOTO: Satiro Sodré/SSPress/BFR)


Palmas para a torcida

Que coisa linda é a nossa torcida, não é mesmo? A festa para a pequena Giulia, filha do Roger, foi de emocionar. E mais de 23 mil torcedores numa segunda-feira à noite é algo admirável. A torcida alvinegra é cheia de superstições, cética, vão dizer que havia lá muitos “pé-frios”. Não caiam nessa ladainha. Juntos vamos continuar empurrando o Fogão rumo à história.

Saudações alvinegras!