* É costume nos últimos anos o Botafogo trocar o pneu com o carro em movimento, como se diz no futebol. Desta vez, o clube inovou. Retirou os pneus, não tem estepe e está andando sem rodas.
* Não dá para negar que o Botafogo fez certo em limpar o elenco, em diminuir a folha salarial e se livrar de jogadores que não faziam parte dos planos. O problema é que não houve reposição. O time está derretendo, se desmanchando, sem ninguém fazer nada.
* O ideal em um cenário bem planejado é você já começar a ir preparando reposição dentro do próprio elenco. Exemplo: seu atacante titular é cobiçado no mercado, já comece a pensar o substituto, seja na própria base ou seja uma contratação, para ir se adaptando aos poucos. Obviamente, o Botafogo está muito longe disso. Não dá nem para dizer que há planejamento.
* Afinal, quem é o piloto? Quem comanda o futebol? Quem é o homem-forte? É Gabriel de Alba, da GDA Luma? Não parece. É algum executivo de futebol? Não parece. É o presidente do Botafogo associativo João Paulo Magalhães Lins? É o que parece.
* E o Botafogo resolveu virar o Boavista? A situação chegou a um ponto de Thiago Alves, ex-diretor do clube de Saquarema, estar na concentração junto com o elenco e ir para o estádio com o time. Nada contra. Até porque dizem que é um ótimo profissional e bastante respeitado no meio. Mas por que esse medo ou vergonha do clube social em se comunicar com a torcida?
* O Boavista talvez não precise se comunicar tanto, o Botafogo sim. O torcedor é desconfiado, mas joga junto. Só que o clube associativo está perdendo janelas de oportunidade. Fez o que pôde para afastar John Textor e ganhou crédito com a torcida. Não aproveitou. Era hora de falar, de anunciar um projeto de reconstrução, de pedir apoio. Nada fez.
* Quando demitiu Franclim Carvalho, deu uma boa notícia ao torcedor, que se animou. Mas junto anunciou a contratação de três ex-funcionários do Boavista, o que abafou a notícia positiva. Não há ninguém pensando no quão importante é a comunicação com a torcida?
* É bem verdade que o presidente João Paulo Magalhães Lins teve méritos no processo de afastamento de Textor, de derrubada dos transfer bans, de pedido de recuperação judicial. Mas no futebol não é o caso de delegar? De entregar a pasta para quem realmente entenda do assunto?
* O Botafogo parece não perceber, mas tem 11 dias para definir seu futuro na temporada e, quem sabe, nas próximas. É o tempo que falta para o fechamento da janela de transferências. E nem um treinador há. Rodrigo Bellão é queimado como interino sem ter ideia de até quando ficará.
* Quando chegará o novo técnico? Quanto menos tempo ele tiver, menor será a oportunidade de conhecer o elenco, identificar carências, pedir contratações e ajustes. E se não vier ninguém vai ser duro o fim do ano.
* Como já foi o clássico com o Flamengo, com derrota por 3 a 0. A impressão é que o rival venceria como quisesse. E até se complicou, deixou o Botafogo vivo no jogo por muito tempo. Faltou qualidade para aproveitar.
* Hoje, o Botafogo precisa de zagueiro, de volantes, de meias e de pontas. E de treinador. E de um diretor de futebol. São 11 dias para perceber que é necessário investir nisso ou pode chegar uma conta bem mais pesada no fim do campeonato.