* O Botafogo demitiu Martín Anselmi. Mesmo com a vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, o clube não tem paz. Não dá para falar que é injusto, pelos resultados e pelas eliminações. Ainda que o treinador tenha encontrado um clube bagunçado, com transfer ban, atraso na chegada de reforços e série de lesões, era possível ter desempenho melhor.
* O mínimo que se esperava era a classificação para a fase de grupos da Libertadores. A eliminação para o Barcelona-EQU é o grande baque, o grande revés de Anselmi. E poderia ter sido evitado se ele fizesse o simples.
* No futebol, já costuma dizer Luís Castro, vitórias “compram” tempo. Em vez de se adaptar ao que o Botafogo e o elenco precisavam, Anselmi quis implantar seu estilo de jogo, complexo, diferente, com o qual os jogadores não estavam acostumados. Quando finalmente teve três bons zagueiros à disposição, parou de usar o esquema com três zagueiros. Abusou de improvisar atletas e de escalá-los fora de posição, morreu abraçado com suas ideias.
* A questão que fica é: o Botafogo vai corrigir a rota e mudar ou vai repetir erros? Vai de novo atrás de técnico “autoral”, de jogo de posse de bola, posicional, tentando ser propositivo? Geralmente, estrangeiro. Ou vai buscar um treinador mais conservador, que vá num esquema mais habitual, como 4-4-2 ou 4-3-2-1, que fortaleça o sistema defensivo e seja mais maleável? Qual será a escolha de John Textor?
* Não é novidade que o modelo que gostamos (e nos acostumamos) a ver do Botafogo nos últimos anos é de time alto, forte, intenso, de transições rápidas, até para aproveitar o tapetinho do Estádio Nilton Santos. Será que vai rolar?
* No fim das contas, qual o projeto para o futebol do Botafogo? Há? Mais uma vez, o clube vai “começar” o ano praticamente em abril. Isso se fechar rapidamente com o novo treinador.
* E aí entra a questão de memória de futebol. Há alguém no clube para passar ao técnico novo informações para não repetir os erros do anterior? Periga o futuro comandante voltar com Neto e Léo Linck no gol, apostar no insosso Joaquín Correa como titular, em Álvaro Montoro ou Jordan Barrera como ponta correndo atrás de lateral, em Danilo como primeiro volante etc. Ou até nas bizarrices de Anselmi, como Mateo Ponte e Newton de zagueiros ou Nathan Fernandes de ala esquerda.
* Certo é que o Botafogo não pode errar de novo. O futuro na temporada depende da escolha desse novo técnico. Que desta vez a diretoria acerte.