* Tudo que mais se pede no Brasil é tempo para treinar. O paradoxo é que parece quanto maior o período de preparação pior o time volta. É uma especie de destreinamento, somada à perda de ritmo de jogo, que influencia dentro de campo.
* Como aconteceu no Botafogo no empate em 1 a 1 com o Fluminense, neste sábado, no Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. O time perdeu a densidade competitiva, além de ter sido atrapalhado pelo próprio treinador, Franclim Carvalho.
* O que explica a escalação de Lucas Villalba e Kauan Toledo como titulares? É curioso como com o técnico um jogador pode sair de reserva não utilizado para começar jogando no jogo seguinte. E vice-versa. E eles nada fizeram em campo para justificar a chance. Pelo contrário.
* Pior do que a escalação deles foi a demora de Franclim Carvalho em substituí-los. Estava óbvio para todo mundo que o empate do Fluminense estava prestes a acontecer, mas a impressão é que o técnico só pode mexer após os 12 minutos do segundo tempo. O time pedindo socorro e nada dele ajudar. Custou caro.
* Porque o jogo era tranquilo e era até fácil até então. O Fluminense, reserva e em má fase, pouco ameaçava. Mas o Botafogo adotou seu modo banho-maria, aquele no qual nem parte para atacar nem recua as linhas para se defender. Fica sujeito a sofrer um gol a qualquer instante.
* Esse é um dos grandes problemas do Botafogo de Franclim Carvalho. Ele quer ter controle com posse, não consegue, e não sabe ter o controle sem a posse. Os jogos ficam muito vivos e aleatórios, podendo pender para qualquer lado. Às vezes a sorte sorri, como contra Santos e Cruzeiro. Mas nem sempre.
*O treinador também não foi tão bem nas alterações. Inexplicável o fim com três centroavantes, assim como a saída de Montoro. Mesmo cansado, era a lucidez do time, era quem poderia tirar algo da cartola.
* Dito isso, Franclim Carvalho tem importância em segurar a barra do Botafogo no momento mais delicado da SAF, em conseguir manter alguma estabilidade e em ser parceiro do clube. Falta mais leitura de jogo, decisões mais rápidas e acertadas, mais resultados. Cabe a ele refletir.
* O que cabe à diretoria é perceber que o Botafogo já está há mais de um ano precisando de pontas e negligenciando contratações para a posição. O setor ofensivo não tem referências, não tem um cara de confiança, não tem resolvido jogos. É preciso contratar.
*De onde você espera que saiam gols do Botafogo? Principalmente de Arthur Cabral, mas este tem média de um gol a cada quatro jogos. A maioria dos outros jogadores de gente têm dificuldade em balançar as redes. Há muitos coadjuvantes e poucos protagonistas.
* Ou o Botafogo corrige isso para tentar objetivos maiores ou se contenta com resultados medianos, com trocar pontos e com o meio de tabela.