* A maioria dos treinadores quando chega a um clube tem um certo “prazo de tolerância”, um período em que ganham tempo e não sofrem tantas críticas por haver um entendimento de que é uma fase de adaptação. Franclim Carvalho deu um certo azar de não ser assim com ele no Botafogo. Já chegou no olho do furacão, por diversos motivos.
* Um deles é que a temporada está em andamento, em abril, e o Botafogo já teve decepções na temporada. Outro é que assumiu o time após duas vitórias com Rodrigo Bellão, não depois da péssima campanha de Martín Anselmi. Outro é a sociedade, como um todo, está mais impaciente.
* Dito isso, o técnico precisa se ajudar. Errou demais e foi determinante no empate em 2 a 2 com o Coritiba, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Já começou mal desde a lista de relacionados, sem Ferraresi (principalmente) e Mateo Ponte. A explicação foi o limite de estrangeiros. Mas por que incluir Chris Ramos? Por que três meias que apresentam estilo parecido (Santiago Rodríguez, Álvaro Montoro e Jordan Barrera)? E Mateo Ponte, até improvisado na esquerda, seria melhor que Jhoan Hernández.
* Piorou na escalação. E muito. Franclim Carvalho simplesmente tirou jogadores que tornam o time mais físico e competitivo, que duelam e brigam por espaço. Como Ferraresi, Edenílson, Lucas Villalba, Matheus Martins e Júnior Santos. Até Allan havia melhorado como primeiro volante. Repetiu o erro de treinadores anteriores de colocar meias técnicos, que jogam com a bola no pé e não dão força, intensidade nem velocidade. Casos de Santi, Montoro e Barrera. Difícil encaixar esses três juntos, dois e, hoje em dia, até mesmo um (os três estão mal). Ao menos, corrigiu no segundo tempo.
* Precisou jogar mais um primeiro tempo fora (como já havia sido contra o Caracas) para perceber que o melhor é colocar um time próximo ao que Rodrigo Bellão fazia. Uma equipe mais física, no 4-1-4-1 (Cristian Medina foi o primeiro volante), pontas abertos, Danilo mais avançado para jogar (não buscando a bola lá nos zagueiros). Será que o treinador aprendeu?
* O time já estava bem no 1 a 1, próximo de virar o jogo, quando Franclim cometeu mais um erro. Colocou Chris Ramos, lento, fora de forma e sem ritmo, há meses sem jogar, no lugar de Vitinho, recuando Lucas Villalba para a lateral. O espanhol mais atrapalhou do que ajudou. Mesmo assim, saiu o segundo gol. Aí, pesou ter colocado o raçudo uruguaio em uma zona sensível, na qual não está acostumado. Ele falhou feio, o que custou o empate.
* E por que o Botafogo marcava com linhas altas após ter virado o jogo? Por que Bastos foi dar bote (errado) lá no meio-campo? Por que levou contra-ataque ganhando a partida? Perguntas para o treinador, porque tudo isso é orientado previamente.
* Se o Botafogo tivesse um bom diretor de futebol ou uma lógica de processos, também poderia ser diferente. Franclim está repetindo erros de treinadores anteriores, parece ter que ver para crer, não tem ninguém para falar “isso funciona” ou “isso não funciona”. O único membro da parte técnica que poderia passar a ele uma linha do próprio clube voltou para o sub-20 (Bellão), poderia ter ficado pelo menos um mês como auxiliar. Não ficou.
* Se é assim, o peso e a responsabilidade vão ficar apenas em Franclim Carvalho. O desafio do treinador, que é promissor e merece respaldo, é entender rapidamente todo o contexto e as opções que tem, além de entregar bons resultados. Porque prazo de tolerância não vai ter, precisa de vitórias para comprar o tempo necessário.