* “Nossa ideia é propor o jogo. Não podemos ter jogadores como Danilo, Montoro, Santi, Jordan e Matheus Martins e estar à espera de equipe reativa. Não. Queremos equipe que assuma o jogo e controle o jogo com bola. Todos os treinadores procuram isso. Por vezes temos jogadores com essas características e outras não. Nós temos esse tipo de jogador. Por isso que eu disse que nossa ideia é essa. Há jogos que vamos conseguir, há jogos que não vamos conseguir”.
* Essa foi uma das falas de Franclim Carvalho no empate em 1 a 1 do Botafogo com o Caracas, nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, na estreia na Copa Sul-Americana. Vai na mesma linha da apresentação oficial, de que seu estilo “casa perfeitamente com o Botafogo Way“. Preocupante.
* O que é o tal Botafogo Way? Até hoje não se sabe, é uma ideia vaga. Em tese, parece um estilo de jogo de controlar com a bola, ter um time mais técnico, de troca de passes, de marcação com linhas altas, de jogo posicional. É o que John Textor quer. É o que esse elenco não consegue. E vai tentar de novo, como já tentou com Renato Paiva, com Martín Anselmi, com Bruno Lage, com Tiago Nunes etc.
* E somos repetitivos. O melhor Botafogo dos últimos anos é o de força, intensidade, reativo, chegadas rápidas ao gol. E que se defende bem com linhas baixas, que sabe se portar no momento que é pressionado. Curiosamente, o caminho que Rodrigo Bellão deixou com duas vitórias. E já foi largado. Do nada, foi deixado de lado o trabalho do interino para ir na linha, pasmem, de Martín Anselmi.
* Bellão colocou um time mais físico, com três volantes (o que libera Danilo para jogar), com dois pontas com força e velocidade e um centroavante. Franclim voltou a apostar em meia franzinos, armadores sem agressividade, como Álvaro Montoro e Santiago Rodríguez. Voltou a tentar ser ofensivo e deixou a defesa exposta, tendo que correr atrás de atacantes.
* O Botafogo fez o tipo de jogo que mais incomoda o torcedor. O ritmo banho-maria, de troca de passes pelo meio, de escassas finalizações, de pouca força, de falso controle. Até porque Santi e Montoro (e outros nesse estilo, como Joaquín Correa e Jordan Barrera) não são atacantes, não são pontas e não são meias. A produção é baixa, o poder de definição é baixa e contribuição na marcação é baixa.
* Enquanto isso, jogadores mais físicos e intensos, que correm mais, sequer entraram. Casos de Edenílson e Lucas Villalba, que foram bem em jogos anteriores. Talvez não tenham técnica refinada, talvez não sejam estilo Botafogo Way, mas entregam o que os jogos pedem.
* O ponto positivo, se é que há algum em empatar com o modestíssimo Caracas no Nilton Santos, é que há tempo para Franclim Carvalho trabalhar, para se ajustar e para entender melhor o que tem à disposição. O técnico mostrou incômodo com a troca de passes lenta na defesa e no meio, com a falta de agressividade no ataque e até com as poucas faltas feitas. Quer um time marcando na frente e parando jogo quando necessário.
* Resta torcer para que perceba o quanto antes que o Botafogo, até pela situação do clube, hoje dificilmente vai controlar jogo. Não consegue ganhar com o controle nem contra o Caracas. É ser menos Martín Anselmi e mais Rodrigo Bellão. Ou os resultados serão os mesmos do técnico argentino demitido.