* O Botafogo fugiu completamente do simples e do trivial essa semana. Desde o pós-jogo contra o Remo, as notícias foram no modo loucura. E não é que, ainda assim, vieram os três pontos contra o Atlético-MG? Que bom.
* A loucura começou com a polêmica do suposto “maior bicho da história” prometido para vencer o Remo, posteriormente negado. Uma informação que veio de dentro, que jogou mais pressão nos jogadores e que em nada ajudou. Criou foi um clima de desconfiança em elenco, torcida e diretoria. Entre si.
* Haveria, então, uma coletiva dos dirigentes para falar sobre o momento do Botafogo. Não houve. O que aconteceu foi um treino aberto para a imprensa no sábado.
* E o que se esperava? A palavra da diretoria, mobilização interna, uma sensação de urgência. O que houve? Um treino comum, entrevista de dois jogadores, explicações de Tite. Uma sensação de normalidade. Na atividade, o técnico esboçou duas equipes, misturadas, e fez a imprensa especular time. E não houve qualquer indício do novo esquema tático, que falaremos mais abaixo.
* No dia seguinte, papo com organizadas. Em diferentes momentos. Sem protestos, sem vídeos, sem intimidação, sem divulgação prévia ou durante. Apenas depois. As torcidas foram até citadas e elogiadas pelo técnico Tite, após a vitória sobre o Atlético-MG.
* Ainda teve Gabriel de Alba aparecendo do nada, corredor de apoio em treino com dirigentes, funcionários e jogadores da base. Danilo, que estava sendo preparado para o jogo com o Galo, teve lesão constatada. Alex Telles teve uma forte gripe inflamação na garganta. Ou seja, desfalque das duas referências técnicas da equipe.
* Para completar a preparação, minutos antes do jogo, é noticiado que Marcelo de Lima Henrique (!) é o novo assessor de arbitragem do Botafogo. Que multiverso é esse? Preferimos nem falar muito do assunto.
* Veio, então, a surpreendente escalação de Tite. Três zagueiros, três volantes, dois centroavantes. É a tática da vida 2.0? Difícil entender e explicar. Qual foi a função de Danilo Pereira? E as alterações? O Botafogo chegou a ter em campo três laterais-esquerdos.
* Deu a bola ao time reserva do Atlético-MG, tirou e sequer utilizou os jogadores técnicos Zieych e Montoro. E aí até faz algum sentido. O Botafogo tentou jogar e propor o ano todo, quase nunca conseguiu. Acumulou frustrações. Em reta final, tiro curto, fortaleceu a defesa e colocou jogadores mais competitivos.
* É verdade que a fragilidade do Galo reserva (e a freguesia também) ajudou. Mas pareceu um esboço de caminho. Justino e Huguinho deram espírito de vibração, se entregaram, correram e lutaram. Ter três zagueiros ajuda a resolver o fato de não haver um primeiro volante confiável. O meio pode ser melhorado com Danilo nesse esquema, o ataque (que teve boa atuação de Tiquinho Soares) tem a ganhar com uma opção diferente do que Danilo Pereira. Pode ser um atacante móvel como Matheus Martins ou Kauan Toledo, pode ser um meia-armador como Ziyech. Tite alternou entre o 5-3-2 e o 5-4-1 no jogo.
* Pode-se questionar o método, mas não o resultado. O Botafogo venceu. O que poderia acontecer com qualquer outro esquema, dado o quão pouco o Atlético-MG fez. Mas, no fim, o que importa é que vieram os três pontos em uma semana louca. E que faltam mais três pontos em um ano louco do Botafogo. O importante é não baixar a guarda nem se desmobilizar até a situação ser resolvida.