A saída de John Textor do Botafogo era primordial, não vou fazer revisionismo histórico. Com a saída dele, tornou-se obrigatória a tomada do poder por parte do social, mas precisava ser uma tomada de poder tão intervencionista no futebol? A resposta é não. Obviamente, esperava ver o presidente João Paulo Magalhães Lins tomando algumas decisões, mas nada próximo a montar ele próprio uma comissão técnica.
Partindo desse ponto, quero discutir com vocês o que, na minha visão, são as principais causas para vermos o time entrando em campo com uma postura tão ridícula e alheia à importância dos jogos que estamos tendo.
Não é de hoje que o Botafogo é um clube absolutamente sem um comando firme e assertivo. Sendo muito justo, esse é um problema que já estava presente na gestão Textor e que, ao meu ver, está sendo agravado na gestão João Paulo. Olho para o comando do futebol e vejo um diretor que sempre demonstra ter uma postura absolutamente passiva e uma direção do clube social que não possui qualificação para gerir o futebol de um clube do tamanho do Botafogo.
A impressão que o cenário atual me passa é que todos no futebol (tirando o staff) estão apenas fazendo o mínimo e que não existe uma cobrança firme pra que haja a obrigatória mudança de postura. Tudo que envolve o futuro do Botafogo está “bloqueado” por conta da novela para a entrada da GDA, e a minha interpretação é que essa falta de perspectiva clara está contribuindo para que alguns jogadores estejam com a cabeça fora do clube, como Danilo e Medina, por exemplo. Será que rolou uma conversa 100% honesta entre direção e jogadores?
O momento pede um papo reto, nos moldes daquele que o Freeland teve lá atrás e que foi muito bem exposto na série “Acesso Total”. Não podemos aceitar que nenhum funcionário que represente o Botafogo entregue o mínimo do mínimo. É preciso fazer com que exista uma mentalidade de busca pela excelência, custe o que custar.
É preciso fazer com que qualquer jogador do Botafogo tenha a certeza de que será seriamente cobrado se ao menos não entregar a postura esperada. Nós, torcedores, conseguimos conviver com jogador sem qualidade e inteligência para jogar, mas jamais conseguiremos aturar jogadores indolentes, displicentes e acomodados como estão sendo vários desse elenco atual.
A esperança é que a comissão técnica de Tite consiga reverter essa apatia generalizada e que, em 2027, o futebol sofra uma mudança profunda. É OBRIGATÓRIO que o presidente João Paulo não apite em mais nada no futebol e que a gestão seja feita a partir de uma equipe montada e liderada por um profissional que entenda de futebol e que já o tenha vivido no nível que um clube do tamanho do Botafogo exige.
Obviamente, a SAF precisa estar administrativamente bem estruturada, mas o futebol precisa receber uma atenção urgente e especial. O futebol é a grande força motriz da SAF e precisa ser gerido sem interferências que privilegiem amizades em detrimento de competência comprovada e correntemente atualizada dentro dos padrões mais modernos.
O momento pede atenção e cobrança forte dentro das quatro linhas, mas não podemos esquecer de cobrar e exigir competência e profissionalismo de quem toma as decisões fora delas.