Quero começar reiterando que não sou absolutamente ninguém para dizer como você deve administrar as suas expectativas em relação ao Botafogo, mas quero dividir com vocês a visão de alguém que acaba tendo um acesso maior aos bastidores. Sim, eu efetivamente posso contribuir nesse debate. Ao longo desse tempo todo cobrindo o Botafogo, consegui criar uma rede de relacionamentos que me possibilitou conhecer um pouco mais do nosso clube por dentro. Obviamente, não sei de todas as coisas, mas certamente sei de pontos importantes.
Conforme já comentei na live do Fala Fogão, já ouvi de gente importante nos bastidores que o plano atual para as próximas temporadas seria algo na linha de “pelo menos uns três anos ali pelo meio da tabela”. Mas também já ouvi que o Gabriel de Alba pretende solidificar a recuperação judicial (ou seja, fazer pagamentos e demonstrar seriedade) para usar a credibilidade conquistada e tentar acelerar o processo, encurtando o prazo para além das tais três temporadas de meio de tabela e, assim, buscar montar times capazes de brigar por títulos de maneira mais rápida.
Ao conversar com pessoas que estão diretamente ligadas ao comando atual do Botafogo, me pareceu que existe uma mistura de cautela com uma dose de otimismo em relação àquilo que alguns dizem ser o tal plano do De Alba para o Botafogo.
Tendo ouvido essas duas versões, resolvi manter os pés no chão e pensar de maneira bastante sóbria. Minha expectativa é ver o Botafogo mantendo um time competitivo dentro das suas possibilidades, apostando bastante em scouting e deixando espaço para uma eventual contratação de algum nome que “traga a torcida de volta”. Sim, ouvi que o nome do Luiz Henrique ainda é falado, mas, sinceramente, prefiro nem pensar nisso. E esse acaba sendo um ponto sensível nessa conversa.
Cada um é livre para buscar informações onde bem entender, mas sugiro que tomem muito cuidado com qualquer discurso que se aproxime ao de uma assessoria, e não ao de jornalismo. É muito sedutor embarcar numa onda em que tudo se crava e que tenta fazer parecer que detém o monopólio da informação. Faço sempre questão de lembrar que o bom jornalismo é aquele em que existe questionamento e senso crítico, não o que apenas copia e cola versões.
Estamos na era do engajamento pelo engajamento, da espetacularização, e isso assume níveis gigantescos quando existe paixão envolvida. É preciso ter muito cuidado ao consumir informações nos dias de hoje. Não quero dizer que todas as versões sejam mentiras, ok? Apenas quero lembrar aos senhores e senhoras que, nesse mundo do futebol, muitas vezes o que vale é aquilo que os personagens querem que nós saibamos, e não necessariamente o que realmente está acontecendo.
Sempre vigilante e desconfiado: esse é o meu estado. Estamos vindo de uma experiência bastante traumática com o Textor e precisamos ter um cuidado redobrado daqui para a frente.
Enfim, meu pensamento vai na direção de entender que a situação do Botafogo é bastante grave e complexa. Mas, obviamente, você pode escolher seguir a linha que quiser, inclusive aquela que vende a GDA como um pote de ouro no fim do arco-íris e que crava aquilo que nem sempre pode ser cravado.