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John Textor tem ou não tem que ser retirado do Botafogo?

Ricardo Azambuja

Por: Ricardo Azambuja

- Atualizado em

John Textor, do Botafogo
Reprodução/SporTV

A cada dia que passa, essa novela de John Textor com a Ares e a Eagle parece que está caminhando para não terminar. A gente já não aguenta mais falar sobre esse assunto, mas, ao mesmo tempo, a gente tem que falar, porque é algo que muda totalmente a perspectiva do Botafogo. A gente ainda não sabe se para o bem ou para o mal, mas uma coisa é certa (e é uma das poucas certezas que a gente tem): o resultado final dessa batalha jurídica e societária vai mudar o rumo do Botafogo.

Nos últimos dias, a gente tem visto um movimento do clube social que vai além de simplesmente acreditar no que o Textor fala. Agora, existe uma cobrança por garantias, por comprovações, por revisão do que ele apresenta por parte de terceiros, no caso o Banco BTG, que é uma instituição bastante reconhecida. Isso mostra claramente que houve uma mudança de postura.

Durante muito tempo, a gente funcionou quase como um lugar onde o Textor falava o que queria e, antes mesmo de ele terminar a frase, a coisa já tinha acontecido. Todo mundo assinava tudo o que precisava ser assinado. Quem buscava um pouco mais de fiscalização era logo abafado, muito em função do poder que o Textor adquiriu por estar investindo no clube, por ter tirado a gente daquele período muito ruim em que esportivamente não significávamos nada no Brasil.

Mas essa postura mudou. Esse jogo de poder mudou, especialmente com todo esse cenário de calamidade financeira. E essa mudança é positiva. Eu espero, inclusive, que ela traga uma mudança de mentalidade na torcida. Falo isso com muita tranquilidade, porque eu sempre cobrei transparência e fiscalização por parte do clube social.

Daqui para frente, eu espero que o torcedor do Botafogo entenda que é preciso, sim, fiscalizar. O Botafogo social é acionista da SAF e precisa prezar para que a SAF esteja bem financeiramente. Ele não tem que querer o poder, não tem que querer gerir, até porque já demonstrou não ter capacidade para isso. Agora, fiscalizar não é algo opcional, não é “seria bom se fizesse”. Não. É obrigatório. Tem que fazer.

Então a gente caminha para um cenário em que o Textor já não faz tudo o que quer. Os poderes dentro da própria SAF começaram a questionar suas ações. E aí entra uma discussão muito forte sobre se o Textor tem que ser mandado embora ou não. Essa é uma questão extremamente complexa. Hoje, ele é o único investidor que se mostra disponível e com vontade real de administrar o Botafogo. Isso tem um peso enorme, por mais que a gente não goste do que ele fez, da irresponsabilidade financeira que aconteceu.

Porque, na prática, você tira o Textor e acontece o quê? O clube social consegue gerir o Botafogo sozinho? A galera que está hoje na SAF conseguiria? Teria apoio da Ares/Eagle? Como ficariam esses dois atores dentro desse contexto? Não é uma solução simples, longe disso.

Por isso, antes de simplesmente apontar se tem que tirar ou não o Textor, a gente precisa esgotar todas as possibilidades com o próprio Textor. E, nesse ponto, o social está sendo perfeito. Pega tudo o que ele diz que vai fazer, todo o planejamento que ele apresenta, e submete isso a uma análise profunda, o mais técnica possível. A partir daí, você decide para onde seguir.

Se a conclusão for: “não acreditamos em nada do que o Textor está dizendo e temos parecer técnico dizendo que isso não é confiável”, então, para dar o próximo passo (que seria tirar o cara do poder), você precisa estar muito bem calçado e ter um plano claro para executar.

E, se chegarem à conclusão de que esse passo precisa ser dado, que ele seja feito com o máximo de responsabilidade possível e muito bem comunicado à torcida. Que sejam apontadas, de forma clara, as razões da saída do Textor, para que no futuro não haja contestação. E, se houver contestação, que seja possível voltar no passado e demonstrar, por A mais B, exatamente por que a saída do Textor aconteceu.

Decisões complexas usualmente acabam gerando consequências igualmente complexas, mas chega uma hora em que não é possível mais adiar a tomada de decisão. O Botafogo precisa resolver o caminho que vai seguir, e quem tem a caneta precisa assumir as suas responsabilidades.

Joguem limpo com a torcida, pois assim todos nós estaremos na mesma página e a chance de rolar um revisionismo histórico será menor. Chegou o momento de dar um ponto final nessa indefinição.

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