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Ninguém está tirando John Textor do Botafogo; ele próprio está fazendo isso

Ricardo Azambuja

Por: Ricardo Azambuja

- Atualizado em

Ninguém está tirando John Textor do Botafogo; ele próprio está fazendo isso
Vitor Silva/Botafogo
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Na última sexta-feira tivemos a assinatura de um contrato vinculante entre SAF Botafogo e GDA Luma, acordo que vinha sendo ventilado havia algumas semanas, mas que acabou sendo adiado por conta de todas as idas e vindas na Justiça e nos bastidores.

E é justamente todo esse emaranhado jurídico que nos traz as perguntas de milhões: podemos ficar tranquilos? John Textor está 100% fora?

Eu queria muito poder responder com um joinha ambas as perguntas, mas creio que ainda precisaremos de mais um tempo para chegarmos nesse lugar de paz. Bora falar um pouco sobre isso…

Conforme já venho defendendo há bastante tempo, o melhor para o Botafogo é não ter mais a presença de John Textor em seu comando. Infelizmente, o próprio Textor tornou a sua presença o principal entrave para que a SAF Botafogo continuasse sendo viável (com o auxílio do Social, que não fez o trabalho de fiscalização corretamente).

Ao instaurar uma gestão financeira tão irresponsável, nos vimos em uma situação absolutamente calamitosa e que exigiu uma tomada de decisão tão dura quanto necessária: foi preciso seguir caminhos separados.

Não é segredo para ninguém que o lugar onde Textor se sente mais à vontade é na Justiça, certo? Ao longo de toda a nossa relação com ele, foram inúmeras as interpretações “divergentes” dele para contratos celebrados com clubes e empresários de jogadores. Foram inúmeros os movimentos para ganhar tempo através de recursos judiciais que claramente tinham como objetivo adiar pagamentos devidos pela SAF Botafogo/Textor.

Ou seja, se tem uma coisa que faz parte do modelo implementado, é esse lance de brigar na Justiça até que se esgote a última chance de fazer isso, mesmo sabendo desde muito cedo que a decisão final não será favorável.

Dentro desse cenário, não creio que alguém tenha sido surpreendido com a atitude do Textor ao entrar com um processo questionando a validade da transferência de 90% das ações da SAF Botafogo que eram dele no início e que acabaram sendo transferidas para a Eagle para que, posteriormente, fossem dadas como garantia para os empréstimos tomados pelo Textor e que viabilizaram a compra do Lyon.

Trata-se de uma interpretação por parte de Textor e seus advogados que não encontra um inequívoco embasamento ao analisarmos a documentação que apresentei com exclusividade no meu perfil do Twitter. A necessidade de um pagamento adicional de R$ 150 milhões consta na documentação, mas a interpretação mais usualmente utilizada no meio jurídico é a de que esse crédito está vinculado à existência de um crédito, e não de propriedade.

Essa talvez seja a única espécie de amarra que ainda existe entre SAF Botafogo e John Textor, e espero que essa ligação seja encerrada da maneira mais rápida e justa possível.

Caso Textor tenha mesmo direito ao crédito dos R$ 150 milhões, que ele receba esse dinheiro ou tenha essa quantia abatida da imensa dívida que ele ainda possui com seus sócios na Eagle.

Eu lamento muito que tenhamos chegado a esse ponto, mas ABSOLUTAMENTE NINGUÉM é maior que o Botafogo.

Essa é uma lição que todo e qualquer investidor deve receber antes de entrar, não importando o contexto em que entre.

O Botafogo sempre se recusará a morrer, pois nós, os verdadeiros botafoguenses, estaremos sempre prontos para salvá-lo.

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