Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade .
Jogos

Campeonato Brasileiro

14/03/26 às 20:30 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

X

Escudo Flamengo
FLA

Libertadores

10/03/26 às 21:30 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

0

X

1

Escudo Barcelona-EQU
BSC
Ler a crônica

Taça Rio

07/03/26 às 18:00 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

3

X

1

Escudo Bangu
BAN
Ler a crônica

Textor tem escolhido treinadores ruins para o Botafogo ou não tem dado a eles o que cada um necessita?

Ricardo Azambuja

Por: Ricardo Azambuja

- Atualizado em

Textor tem escolhido treinadores ruins para o Botafogo ou não tem dado a eles o que cada um necessita?

Nos últimos tempos, a SAF do Botafogo tem sido marcada por uma sequência de decisões questionáveis (para dizer o mínimo) tomadas por John Textor. E essas decisões não se limitam ao campo econômico ou às disputas societárias que cercam a Eagle. Elas também alcançam, de maneira cada vez mais evidente, o futebol.

Não é a primeira vez que o Textor concede entrevistas nas quais demonstra incômodo com o trabalho de treinadores que ele próprio escolheu. Em algumas ocasiões, fez críticas diretas. Em outras, preferiu mandar recados mais sutis, mas ainda assim claros o suficiente para gerar ruído no ambiente. Foi exatamente o que voltou a acontecer nesta semana (durante a festa de premiação do Campeonato Carioca).

Todos nós sabemos que Textor tem um perfil controlador e que, na maior parte das vezes, centralizou para si a escolha dos técnicos do Botafogo. Durante muito tempo, ele falou sobre o chamado “Botafogo Way” (aquela famosa ideia de jogo baseada em um time ofensivo, com jogadores rápidos, fortes e tecnicamente qualificados, blá blá blá). Dentro dessa lógica, algumas contratações de treinadores pareceram caminhar na direção desejada, sendo a mais exitosa delas, sem dúvida, a do Artur Jorge.

AJ não representava exatamente 100% do modelo idealizado pelo Textor, mas trazia uma proposta essencialmente ofensiva (agressiva e alinhada com a mentalidade pretendida). Mais do que isso, recebeu as peças necessárias para colocar sua ideia em prática. Houve, naquele momento, um casamento quase perfeito entre a visão do Textor, o perfil do treinador e o material humano disponível. O resultado todos conhecemos: um Botafogo multicampeão em 2024 e a sensação de que o Textor tinha encontrado um critério sólido para escolher seus comandantes.

Essa percepção parecia reforçada por escolhas anteriores (como a de Luís Castro, que também apresentou bons resultados). Já outras situações foram mais complexas. Tiago Nunes, por exemplo, não foi exatamente uma aposta direta do Textor. E o episódio envolvendo a efetivação do Lucio Flavio eu não suporto nem lembrar.

O problema é que, olhando para o cenário mais recente, começa a ficar cada vez mais claro que o processo de escolha de treinadores deixou de ser tão assertivo. E isso não significa, necessariamente, que os profissionais contratados sejam ruins. Nunca considerei Renato Paiva um mau treinador. Também não achava o Ancelottinho um cara incapaz (era, antes de tudo, um técnico em formação, com boas ideias, mas ainda aprendendo a lidar com questões de liderança e gestão de grupo).

O mesmo raciocínio vale para Martín Anselmi. Trata-se de um treinador com identidade forte (autoral e dono de uma proposta muito específica de jogo). E todo trabalho autoral exige condições mínimas para ser bem sucedido (elenco adequado, características individuais compatíveis e tempo para consolidação de conceitos). Não é exatamente o cenário que ele encontra hoje no Botafogo.

Desde o início da temporada, Anselmi tem recorrido a improvisações. Algumas funcionaram. Outras já começam a ser vistas como teimosias (como a utilização do Ponte pelo lado direito da zaga, por exemplo). Ainda assim, era público e notório o tipo de futebol que ele buscaria implementar. Não há surpresa possível nesse aspecto.

Por isso, me incomodaram tanto as declarações recentes do Textor (claramente direcionadas ao treinador), sugerindo que o técnico precisa se adaptar ao elenco existente e encontrar soluções imediatas para vencer. Falar em necessidade de adaptação não é algo que considero errado se pensarmos nisso de maneira isolada e sem contexto. Mas não consigo analisar futebol sem contexto! Sendo assim, acho obrigatório pensar nessa cutucada tendo como base a reflexão sobre a falta de peças ocasionada pelos erros do próprio Textor. E quando analisamos a questão da adaptação dentro desse contexto, será que o Textor tem 100% de razão ao dar a cutucada que deu no Anselmi?

Foi o próprio Textor quem escolheu o treinador. Logo, é razoável supor que conhecia profundamente suas ideias, suas exigências e a forma como constrói suas equipes. Se partirmos desse princípio, surge uma dupla complicação: a contratação de um técnico com necessidades muito específicas e, ao mesmo tempo, a incapacidade de montar um elenco capaz de atender a essas demandas.

É claro que o contexto financeiro pesa. O Botafogo enfrenta restrições importantes (agravadas após o rompimento de relações envolvendo o Lyon e a Eagle). Transfer bans, limitações orçamentárias e incertezas institucionais impactam diretamente o planejamento esportivo. Ainda assim, a incoerência permanece. Por que contratar um treinador cuja filosofia você já conhecia antes da contratação e, pouco tempo depois, criticá-lo publicamente por tentar aplicá-la sem você ter dado ao cara o que ele precisava?

Situação semelhante já havia ocorrido com o Paiva. O padrão se repete e leva a uma conclusão incômoda. O Textor não está conseguindo dar aos treinadores todo o suporte necessário para que eles façam o seu trabalho da melhor maneira.

Resta entender o porquê. Trata-se de uma limitação no conhecimento de futebol, impacto da falta de dinheiro, falta de foco ocasionada pela briga societária ou tudo isso junto? Seja qual for a resposta, o fato é que nós estamos convivendo com um perigoso desalinhamento entre discurso, planejamento e execução (justamente no momento em que mais precisamos de estabilidade).

Comentários