Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade .
Jogos

Campeonato Brasileiro

- Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

X

Escudo Palmeiras
PAL

Campeonato Brasileiro

- Maracanã

Escudo Flamengo
FLA

3

X

0

Escudo Botafogo
BOT
Ler a crônica

Campeonato Brasileiro

- Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

2

X

3

Escudo Athletico-PR
CAP
Ler a crônica

A SAF de Bacaxá no Botafogo

A SAF de Bacaxá no Botafogo

A torcida esperava que a nova era do Botafogo representasse uma ruptura: profissionais de mercado, um projeto esportivo claro, critérios técnicos e uma estrutura capaz de apontar um rumo para o futuro. A realidade da transição, porém, começa a desenhar outro cenário. João Paulo Magalhães Lins se tornou o nome forte do processo e as movimentações recentes têm um detalhe em comum: profissionais que passaram pelo seu círculo de confiança no Boavista começaram a aparecer na estrutura alvinegra. Marcelo Salles, Ronaldo Torres, a tentativa de contratação de Paulo Bonamigo e a chegada de Thiago Alves ajudam a criar uma impressão inevitável. Nada disso torna qualquer um deles incompetente. Mas o contraste entre o que se esperava e o que começa a acontecer é impossível de ignorar: a torcida aguardava uma nova SAF. Até agora, quem parece ter chegado primeiro foi Bacaxá.

João Paulo também começa a descobrir que ser presidente do Botafogo é bem diferente de conduzir uma articulação longe dos microfones. Durante boa parte do processo que culminou na saída de John Textor, o presidente do associativo falou pouco publicamente, e muitas questões importantes ficaram sem explicações para a torcida. Agora, porém, cada declaração parece abrir uma nova ponta. Em maio, por exemplo, a proposta da GDA divulgada pelo Canal do Manel previa investimentos em CT e categorias de base. Meses depois, o debate voltou a girar em torno da necessidade de mobilizar recursos para projetos que, em tese, já estavam contemplados no horizonte da futura investidora. No campo esportivo, a contradição também chama atenção. No último mês, João Paulo falou em uma folha salarial entre as cinco maiores do futebol brasileiro. Agora, a informação é de que o orçamento para 2027 pode estabelecer um teto de R$ 19 milhões mensais, valor que colocaria o Botafogo distante desse grupo. Os prazos para a conclusão da venda também foram sendo sucessivamente adiados, novas versões sobre negociações e acordos surgiram e, no meio de tudo, o torcedor continua tentando entender onde termina a transição e onde começa o projeto da nova SAF.

E a SAF de Bacaxá vai muito além das contradições no futebol. Basta olhar para o Conselho de Administração. Os nomes escolhidos para a nova composição possuem vínculos evidentes com o clube. Estêvão Prates Benincá assumiu a presidência do Conselho e agradeceu publicamente a confiança de João Paulo no desafio. Ricardo Menezes Mello já integrava o Conselho Fiscal do associativo, Carlos Thiago Cesario Alvim, além de atuar como assessor da presidência do clube, declara-se amigo pessoal de João Paulo e contou com seu apoio na eleição de 2014 para a presidência do Botafogo. Não há qualquer irregularidade nisso. O ponto é outro: o principal órgão de governança da SAF que será entregue a uma nova controladora está sendo estruturado a partir de escolhas e relações do próprio associativo.

É justamente aí que surge a maior incógnita desta nova fase. A futura controladora já exerce influência direta, afinal, foi ela quem colocou dinheiro para dar fôlego ao Botafogo. Ainda assim, até agora não apresentou à torcida um projeto esportivo claro, tampouco indicou um único profissional para integrar a estrutura do clube. Não se sabe se terão responsáveis de mercado para futebol, qual será o modelo de gestão ou qual caminho pretendem dar ao Botafogo nos próximos anos. Enquanto essas respostas não chegam, João Paulo se consolida como o principal elo entre General Severiano e Gabriel de Alba.

E talvez seja justamente essa a grande magia do Botafogo de 2026. A empresa que ainda não comprou oficialmente a SAF já influencia decisões. O clube social, que deveria conduzir a passagem de bastão, parece cada vez mais confortável ocupando espaços permanentes. O presidente virou o principal elo com o futuro investidor. E os profissionais que começam a aparecer parecem ter encontrado um caminho bastante único até o Lonier. É quase uma versão de Lua de Cristal: tudo pode ser, basta acreditar. Só falta alguém explicar exatamente o que será.

Talvez tudo possa ser, basta acreditar. Mas o Botafogo não pode construir seu futuro apenas na base da fé. Uma SAF precisa de comando, projeto e direção. Porque, sem responder de fato sobre o futuro, a prometida nova era continuará correndo o risco de parecer exatamente aquilo que a ironia já batizou: a SAF de Bacaxá.

Siga o FogãoNET no Google Discover
Comentários