Botafogo e a vitória da cervejinha

Botafogo e a vitória da cervejinha
Vítor Silva/Botafogo

Ontem, depois da goleada tranquila do Botafogo por 4 a 1 sobre o Bragantino no Nilton Santos, segui o ritual: vesti uma das muitas camisas 7 abençoadas por São Mané, coloquei o uniforme alvinegro no meu parceiro inseparável, Ted, o bulldog mais botafoguense do planeta, e fomos dar uma volta para respirar a vitória.

Há coisas na vida que parecem escritas antes mesmo do Big Bang, e uma delas é a sensibilidade de um cachorro. Ted sabia, já no passeio, que a vitória havia sido serena. Caminhava leve, alegre, exibindo a calma de quem entende que o Botafogo venceu sem sustos, como quem saboreia um chicabon à beira-mar, apenas aproveitando o momento.

Enquanto andávamos, confesso que procurei por algum vascaíno uniformizado, só para passar por perto e, sem dizer nada, plantar na mente dele o lembrete de que em 11 dias é a vez deles encararem o Niltão. Porque, sim, o jogo psicológico também faz parte da batalha. Foi nesse devaneio que me perguntei: há quanto tempo o Botafogo não entregava uma partida dessas? Uma vitória de cervejinha.

E o que é a vitória da cervejinha? É aquele jogo que, à medida que se desenrola, dá a sensação de que basta abrir uma gelada, conversar com os amigos no estádio e esperar o resultado se confirmar naturalmente. Nada de sobressaltos, nada de drama. Só o prazer de assistir ao Botafogo jogar. Um triunfo tão óbvio quanto a gravidade, tão simples quanto o ar que respiramos.

Talvez seja a idade me tornando mais sentimental, mas vitórias assim tornam a semana leve antes mesmo de começar. E como é bom, em meio a tanta tensão fora de campo, saídas de jogadores, rumores e desabafos juvenis em rede social, ver um Botafogo consolidado no G5, mirando jogar sua terceira Libertadores seguida e, mesmo em setembro, ainda na briga por algum título.

Que a pausa traga ainda mais equilíbrio ao time. E que venham mais dessas vitórias de cervejinha, aquelas que até o cachorro sabe que foram tranquilas.

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