Nos tempos atuais, com a chuva de informações que temos acesso é preciso analisar cada vez mais dados para chegar a certas conclusões. Entre “fake news”, que é mais fácil de identificar, existe algo mais perigoso: a desinformação bem vestida, aquela narrativa que nasce fora, atravessa o muro e passa a ser discutida dentro de casa como se fosse verdade absoluta.
Uma dessas narrativas ganhou força entre parte da torcida do Botafogo, e curiosamente ecoa ainda mais fora dela. A ideia de que o clube teria abraçado um projeto quase exclusivo de jovens, uma espécie de “Red Bull Bragantino versão alvinegra”, focado apenas em contratar garotos para lucrar no futuro. É uma tese simples, fácil de repetir e que costuma reaparecer sempre que o resultado oscila ou o extracampo ferve, como agora.
Os gráficos abaixo ajudam a colocar ordem na casa. E, como toda análise, é preciso separar percepção, uso de jogadores e perfil real do elenco.
(Temporada Atual – Ano de Nascimento)
Quando olhamos para a composição do elenco atual, a primeira coisa que salta aos olhos é onde está a maior concentração de atletas: entre 25 e 29 anos. Justamente o auge físico e técnico de um jogador. Logo atrás vêm os atletas de 20 a 24, aquela idade de explosão, e depois os de 30 a 34. Há, inclusive, uma presença nada desprezível de jogadores acima dos 35.
O Botafogo tem um elenco adulto, experiente e equilibrado. Jovens existem, e devem existir, mas estão longe de ser maioria.
Este talvez seja o gráfico mais importante para entender a confusão.
Olhando para o gráfico da evolução da média de idade do elenco, percebemos algo curioso. Em 2022, no início da SAF, nossa média era de 27,3 anos. Hoje, em 2026, ela é de 26,9 anos.
Já a linha branca, que representa os 10 jogadores que mais atuam, cai de forma mais acentuada, especialmente a partir de 2024.
Aqui está o ponto-chave:
👉 No início da SAF, quem acumulava mais minutos eram os jogadores acima da média de idade do elenco; hoje, essa carga passou para atletas mais jovens, abaixo dessa média.
Quem vem assumindo a maior carga do time são, cada vez mais, os jogadores jovens. Em 2025, esse movimento foi intensificado pelas muitas lesões em atletas mais experientes. Ainda assim, o cenário é claro: o time titular ganhou um motor mais jovem, enquanto o banco o elenco como um todo segue oferecendo experiência. A sensação de juventude não nasce apenas da idade, mas de quem surge para decidir as partidas.
• No início da SAF, a referência técnica era o Tiquinho Soares, um veterano. A bola de segurança era dele.
• Depois, passamos para o protagonismo de Luiz Henrique, já mais jovem.
• Agora, em 2026, a “joia da coroa” e grande esperança técnica é o Montoro, com apenas 19 anos.

Em 2022 e 2023, o Botafogo tinha forte presença de jogadores entre 25 e 34 anos. Em 2024, essa faixa segue dominante. Em 2025 e 2026, há um aumento claro de atletas mais jovens, mas sempre convivendo com jogadores experientes.
Esse deslocamento do protagonismo para atletas mais jovens caminha junto de uma estratégia de valorização financeira, pensada para gerar futuras vendas e sustentar a estrutura de elenco, ainda mais necessária em um cenário atual bastante pressionado por transfer ban, notícias de alto endividamento e outras situações graves extracampo.
A torcida enxerga quem resolve, quem chama o jogo e quem sustenta o time nos momentos decisivos. E esses protagonistas, hoje, têm rostos cada vez mais jovens.
No fim, a discussão não passa pela idade, mas pela responsabilidade assumida por esses atletas e pela valorização deles como ativos do clube.