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Entre erros e improvisos: o Botafogo que perdeu o rumo

Leonardo Andrade

Por: Leonardo Andrade

- Atualizado em

Entre erros e improvisos: o Botafogo que perdeu o rumo
Vítor Silva/Botafogo

A pior sensação para quem vai ao estádio não é apenas ver o time perder. Derrota faz parte do futebol. O que realmente incomoda é aquela impressão de que o time pode jogar três, quatro, cinco partidas seguidas e absolutamente nada vai acontecer. Nenhum lampejo, nenhuma evolução, nenhum sinal de vida. É quando a arquibancada começa a repetir mentalmente um velho ditado: desse mato não sai cachorro. Nos últimos jogos, o Botafogo tem transmitido exatamente essa sensação.

A responsabilidade existe e é ampla. Vem de cima para baixo, como em qualquer estrutura profissional, mas ninguém está totalmente isento. A falta de goleiro hoje é apenas a ponta de um iceberg maior: o de um trabalho que se desorganizou em várias frentes.

Quando Anselmi assumiu, sabia perfeitamente a sequência de jogos que teria pela frente. Era uma tabela pesada, com clássicos e decisões. E, como dizia um ex-treinador do próprio Botafogo, resultados compram tempo. Quando eles não aparecem, o tempo cobra a conta.

Diante desse calendário, o mínimo esperado era um time mais estruturado, mais preparado. Algo minimamente definido. O que se vê, porém, é um verdadeiro catado em campo: sem goleiro confiável, sem referência ofensiva e, talvez o mais preocupante, sem ideia de jogo.

Quando o Brasileirão do ano passado terminou, o Botafogo vinha de dez jogos de invencibilidade. Havia ali um norte. A sensação era de que o elenco precisava apenas de ajustes pontuais para subir mais um degrau. A própria direção indicava prioridades claras: reforçar a zaga e o meio-campo. Não por acaso. O time terminou a temporada improvisando Marçal na zaga e sofrendo com a falta de volantes.

Veio então um mês de transfer ban, seguido de um processo de contratações que passou longe de demonstrar urgência. O resultado apareceu de forma simbólica nesta semana: três jogadores estrearam no clássico contra o Flamengo, enquanto Edenílson sequer pode ser inscrito na Libertadores por questão de horas em plena segunda-feira de Carnaval.

Na quarta-feira, o Botafogo foi eliminado da Libertadores com Newton atuando como volante e depois improvisado na zaga no segundo tempo. Ontem, contra o Flamengo, a solução para volante foi Allan, um jogador que em um ano e meio de clube teve pouquíssimos momentos realmente úteis. No ataque, a esperança chegou a recair sobre Matheus Martins, que segue na mesma toada: lampejos isolados em um período já longo de Botafogo. Arthur Cabral que custou caro, não consegue acertar um chute no gol.

Enquanto problemas antigos seguem sem solução, novos vão surgindo. A posição de goleiro virou uma incógnita. Falta um atacante confiável. A saída de Cuiabano abriu mais um buraco na lateral esquerda.

No topo dessa cadeia está John Textor, que tenta transmitir uma normalidade que não existe. E no futebol, a bola não entra por acaso, assim como também não deixa de entrar por acaso.

A crise financeira do Botafogo já se reflete em diferentes setores do clube. A instabilidade administrativa gera dúvidas, insegurança e um ambiente cada vez mais pesado. Em alguns momentos, parece que a incerteza chega paira até sobre o segurança do Nilton Santos.

Mas para corrigir a rota, antes de tudo é preciso saber qual é a rota. Hoje, honestamente: o Botafogo tem uma?

Isso também não significa que a culpa esteja apenas na direção. O elenco precisa assumir sua parte. Ver jogadores experientes se esquivando do protagonismo não ajuda. Ouvir Barboza pedir “segurança” levanta uma pergunta inevitável: que segurança ele transmite quando entra em campo jogando no modo Junior Baiano?

Transferir culpa nunca resolve problema. O elenco do Botafogo é caro e hoje entrega muito pouco em relação ao investimento feito.

Curiosamente, boa parte desse elenco foi montada por um departamento de scout que em outros momentos conseguiu fazer muito com pouco. Houve acertos importantes no passado recente. No ano passado, inclusive, algumas ideias de montagem foram podadas por diretrizes financeiras. Ainda assim, contratações foram feitas, algumas delas pedidos diretos do próprio scout.

No meio de tudo isso, a sensação é parecida com a de um time que passa dez anos atacando sem conseguir fazer um gol. Mas talvez exista algo ainda pior: a sensação de falta de direção. É como caminhar por uma floresta sem mapa e sem bússola. Você anda, anda, anda e não sabe se está se aproximando da saída ou apenas se aprofundando ainda mais no mato.

O Botafogo agora terá três jogos seguidos como visitante. No futebol, crises às vezes se resolvem com sequência de vitórias que reorganiza o ambiente. Mas para que isso aconteça, é preciso algo que hoje parece faltar: um plano claro para sair do mato.

 

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