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John x João: uma escolha de Sofia do Botafogo

Leonardo Andrade

Por: Leonardo Andrade

- Atualizado em

John Textor e João Paulo Magalhães em Botafogo x Vasco | Copa do Brasil 2025
Vítor Silva/Botafogo

A expressão “escolha de Sofia” costuma ser usada quando qualquer decisão envolve perdas profundas. O Botafogo, que parecia ter deixado esse tipo de dilema para trás ao se tornar SAF, volta a encarar exatamente esse cenário. O torcedor, mais uma vez, é colocado diante de caminhos que não oferecem segurança real.

De um lado, está John Textor, com um modelo ousado, acelerado e altamente arriscado. Uma gestão que lembra um carro de Fórmula 1 em alta velocidade em uma pista molhada, capaz de disputar a ponta, mas sempre à beira de perder o controle. Do outro, o clube social, que carrega três décadas de erros, omissões e ausência de soluções concretas. No fim, a sensação é de escolher entre uma montanha-russa instável e um elevador que nunca sai do lugar.

As recentes reportagens do jornal “O Globo” ajudam a entender como esse cenário se agravou. A tentativa de socorrer o Lyon, pressionado pela DNCG, expôs o funcionamento do modelo de rede multiclubes de Textor. Para demonstrar liquidez, ele promoveu uma série de movimentações financeiras entre ativos e caixa do grupo, tentando provar que o Lyon não operava de forma isolada, mas dentro de um ecossistema.

Um movimento de alto risco e prejudicial ao Botafogo. Textor assumiu compromissos sem ter garantias sólidas de sustentação. A aposta era ganhar tempo e reorganizar tudo no futuro. Mas o plano falhou. A DNCG não aprovou, a Ares acionou cláusulas de garantia e Textor perdeu o controle sobre o fluxo financeiro da Eagle.

A partir daí, o efeito foi imediato. O Botafogo passou a sofrer com asfixia financeira, e aquele mérito inicial de fazer o clube voltar a girar rapidamente evaporou, pois ele zerou o caixa do Botafogo. A montanha-russa seguiu seu curso natural: subida intensa, descida brusca. No jogo alto, faltou lastro e muita responsabilidade como é o padrão de quem banca par de dois.

Diante desse cenário, Textor tenta uma última cartada. Segundo reportagens recentes, uma operação que envolve um empréstimo com juros elevados, seguido por uma segunda etapa em que essa dívida seria convertida em ações para novos sócios, aliviando o peso financeiro. Com isso, ele buscaria recompor forças, negociar com a Ares e manter de pé o modelo multiclubes, que mesmo com riscos altíssimos ele diz confiar.

O problema é que essa segunda etapa depende do clube social.

E é nesse ponto que o outro lado da disputa se expõe.

O clube social não barrou o primeiro empréstimo, optando por se abster, mas agora trava a conversão em ações ao não assinar a segunda etapa. A justificativa é a perda de confiança em Textor. Nos bastidores, reportagens recentes indicam que há movimentações para retirá-lo do controle, inclusive com negociações diretas com a Ares para ganhar tempo e buscar um novo investidor.

Outra reportagem de ontem do O Globo revela um ponto ainda mais sensível: as alternativas discutidas passam por novos investidores ou até recuperação judicial. E esse “ou” diz muito. O mercado de SAFs no Brasil já não vive o mesmo entusiasmo de anos atrás. A janela de oportunidades diminuiu, e captar investimento hoje é mais difícil. Apostar nisso sem um plano sólido é, no mínimo, arriscado. O clube social conta com o apoio do BTG Pactual nesse processo. A experiência do banco no tema, porém, é limitada. Sua principal atuação foi na modelagem de uma possível SAF do Fluminense, baseada na participação de investidores ligados ao clube, torcedores ilustres. Esse é o “OU recuperação judicial”?

Enquanto isso, o clube social segue com postura de silêncio sepulcral. O silêncio e movimentações contrastam com declarações recentes do presidente João Paulo, que até pouco tempo afirmava estar totalmente alinhado com a SAF e defendia Textor. A mudança de posição sem explicações claras reforça a sensação de falta de norte.

Há também um componente estratégico nessa imobilidade. Ao não viabilizar a conversão da dívida em ações, o social pressiona ainda mais a situação de Textor. E, caso ele saia, segundo jurista consultados, existe a possibilidade de questionamento judicial dos juros do empréstimo inicial, alegando abusividade. Um processo que poderia se arrastar por anos. Ou seja: para o social, o impasse no curto prazo é conveniente.

No meio de tudo isso, o torcedor revive velhas sensações com nomes novos. Trocam-se termos, mas não o problema. Sai a penhora, entra o transfer ban. Sai o atraso de salários, entram dívidas com clubes. A insegurança estrutural permanece.

No fim, o Botafogo está preso entre dois caminhos que pouco tranquilizam.

John Textor oferece ambição, falta de responsabilidade e risco elevado. Um projeto capaz de levar ao topo, mas que já demonstrou abraçar o colapso na mesma velocidade.

O clube social, por sua vez, oferece um histórico de três décadas sem soluções consistentes, sem chegar ao topo da montanha-russa, falta de responsabilidade, e, até aqui, sem apresentar um plano para o futuro.

A escolha de Sofia alvinegra está posta. Não entre o certo e o errado, mas entre o imprevisível e o insuficiente. E o mais preocupante é que, em qualquer um dos caminhos, o futuro segue sendo uma incógnita.

 

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