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Promessas não pagam boletos: Textor testa de novo sua credibilidade

Leonardo Andrade

Por: Leonardo Andrade

- Atualizado em

Entrevista de John Textor, acionista da SAF Botafogo, em janeiro 2026
Arena Alvinegra/YouTube

John Textor voltou a aparecer ontem. E, como quase sempre acontece nessas ocasiões, voltou acompanhado de promessas. Falou em aporte ainda nesta semana, em resolver pendências imediatas com a intenção de “jogar um balde de água” no incêndio que virou a crise financeira do Botafogo: transfer ban, dívidas pressionando o caixa e um clube que, mais uma vez, vive no limite da credibilidade.

Desde o meio do ano, quem controla efetivamente o cofre da Eagle Football é a Ares. Não se trata de retórica, mas de um dado objetivo. Após executar as garantias do empréstimo do Lyon, o fundo passou a ter poder decisório sobre os fluxos financeiros da holding. Em julho, Textor até fez uma movimentação junto ao clube social para retirar o Botafogo da influência administrativa direta da Ares. Ainda assim, o efeito prático foi outro: a circulação interna de recursos foi travada e a torneira para General Severiano acabou fechada. Textor passou a ser estrangulado financeiramente de forma direta, o Botafogo de maneira indireta. O resultado foi um clube paralisado, sem margem de manobra.

Nesse cenário, Textor pareceu menos um gestor presente e mais um observador distante. Preso a estruturas que ele próprio criou, longe do cotidiano do clube e, sobretudo, incapaz de oferecer respostas rápidas quando o Botafogo mais precisou. Quando o caixa aperta, atraso não é detalhe burocrático. É veneno.

A promessa feita ontem foi a de um novo aporte, articulado junto a parceiros antigos de outros negócios. O problema é que nada foi esclarecido sobre a forma desse dinheiro. Não ficou claro se viria por meio de uma estrutura regular da Eagle, como um aporte efetivo que sinalizasse algum tipo de pacificação interna com a Ares, ou se seria uma operação usando o nome do Botafogo, seja via empréstimo ou por outro tipo de engenharia financeira.

O maior prejuízo talvez já nem seja financeiro, mas emocional. Existe hoje uma crise clara de confiança com a torcida, construída promessa após promessa que não se materializou. O botafoguense já escutou o “agora vai” vezes demais nesses últimos tempos. E confiança, ao contrário do dinheiro, não aceita aporte emergencial. Ela se parece com um copo de vidro: pode até ser colado depois de quebrado, mas nunca volta ao estado original.

Textor tenta novamente acalmar os ânimos. O problema é que discurso não paga boletos, não derruba transfer ban e não registra jogador. Para apagar um incêndio desse tamanho, não basta jogar água à distância. É preciso entrar no fogo, assumir o risco e resolver de fato.

A semana será importante. Não pelo que foi dito, mas pelo que será feito. No Botafogo de hoje, promessa já não circula como cheque.

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