A janela do Botafogo foi marcada por uma movimentação muito intensa de saídas e chegadas, fato é que esse enxugamento era mais do que necessário tanto para facilitar o gerenciamento do elenco, quanto partindo do ponto de vista financeiro. Observando as carências da equipe relacionadas a perfis, vemos que boa parte delas foi sanada (nem todas necessariamente na qualidade ideal). Agora resta ver como Rodrigo Bellão se sairá nesse contexto, agora tendo uma sequência mais “tranquila” para organizar tudo isso.
O que todos esses nomes novos podem trazer de possibilidades no esquema de jogo do Botafogo?
Hoje vemos uma estrutura base, que não respeita necessariamente uma formação específica, mas busca agregar esses jogadores que atuam mais vezes no 11 inicial (sem incluir de cara contratações que teoricamente vem para serem titulares, como Arthur Chaves e Ziyech).

As contratações nos trazem em suma algumas possibilidades (pensando também naquilo que Bellão tem demonstrado em seus poucos jogos):
– Cristian Medina se tornar o meia aberto pelo lado esquerdo – como atuou no Estudiantes – ao invés de Montoro, facilitando fechar o corredor junto com Telles – pois defende melhor que o 10 – e ser mais um para melhorar a qualidade da construção da equipe no terço final.
O cobertor curto dessa estrutura é: se Ziyech se consolidar titular do lado direito, serão muitos jogadores a gostar de receber no pé e conduzir pelo corredor central, o que vai pedir bastante da ultrapassagem dos 2 laterais do Botafogo e gerar espaço nas costas. Caso atue com um ponta que pisa mais no corredor lateral do que central, pode equilibrar isso.

– Uma dobra de laterais pelo lado esquerdo caso nenhum jogador se firme por lá, visto que Paulinho atuou como ala na Dinamarca e tem característica de chegar bastante na linha de fundo.
Dessa forma, a equipe passaria a atuar de uma maneira mais assimétrica, com Telles atuando na base da jogada e Vitinho cobrindo mais o corredor, empurrando Ziyech para o corredor interior.

– A dupla de atacantes Danilo Pereira e Arthur Cabral, que demonstram se complementar. Danilo ainda não atingiu o potencial que pode e tem poucos minutos pelo clube, mas é simples entender seu perfil e o possível “match” com Cabral. É um segundo atacante que gosta de apoiar principalmente o lado esquerdo do campo, costuma jogar a poucos toques e atacar a profundidade. Não é jogador para sustentar muitos confrontos físicos, mas mais de associação e ataque ao espaço.
Demonstrou isso contra o Palmeiras, fazendo a parede para Danilo puxar o contra-ataque perdido por Villalba e também no gol contra o Cienciano, atacando as costas da defesa.


Essa também é uma estrutura que pode comportar a entrada de Medina pelo lado esquerdo, trazendo possibilidades tanto de atuar da maneira assimétrica, com Telles na base da jogada e Vitinho subindo mais. Ou Huguinho atuando entre os zagueiros para liberar os dois laterais pelo corredor.
Na fase defensiva a equipe forma um 4-4-2, com a única mudança mais significativa sendo Montoro defender pela direita (em que Vitinho consegue sustentar melhor do que Telles sem tanta cobertura).


Só a partir dessas possibilidades vemos um mundo de variações e uma conclusão: o time base do Botafogo nunca foi ruim, mas faltavam muitas peças de reposição/alternativa e goleiros consistentes. Bellão hoje tem uma equipe mais do que suficiente para se garantir na Série A e conquistar vaga para competição Conmebol em 2027, que consiga corresponder!