O corpo da cantora e compositora Beth Carvalho, que morreu hoje, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, será velado na sede do Botafogo, sede do clube do time do coração da sambista. A informação foi confirmada ao UOL pelo clube. Ela será velada no Salão Nobre do clube, na zona sul carioca, das 10h às 16h.

Após o velório, a sambista será cremada no Crematório do Caju, zona norte do Rio, de acordo com a assessoria da cantora.

“Nossa eterna madrinha! Obrigado”, diz uma mensagem postada no perfil do clube no Instagram.

Beth Carvalho falava com frequência sobre o Botafogo e chegou a escrever textos sobre o amor ao clube. Sempre que comparecia aos estádios para acompanhar o clube do coração era ovaciona pelos torcedores.

Diversas canções de sua autoria, inclusive, estão no repertório das torcidas cariocas, não apenas a do Botafogo. O clássico “Vou Festejar” é o mais marcante.

A madrinha do samba, intérprete de canções como “Andanças” e “Coisinha do Pai”, estava internada no Hospital Pró-Cardíaco, no Botafogo, desde o dia 8 de janeiro. Em nota, o hospital informou que a causa foi infecção generalizada (sepse).

Em comunicado, o empresário da sambista, Afonso Carvalho, confirmou que ela morreu às 17h33, “cercada do amor de seus familiares e amigos”.

Desde o ano passado, Beth Carvalho não estava conseguindo andar por problemas na coluna e chegou a fazer shows deitada nos últimos meses por dores nas costas. A sambista convivia havia anos com uma inflamação na parte inferior da coluna. Um show que ela faria no Rio de Janeiro, em 5 de maio, em comemoração ao seu aniversário, foi cancelado ontem por “recomendações médicas”.

Entre 2012 e 2013, Beth ficou internada por cerca de um ano no hospital Pró-Cardíaco, no Rio, devido a complicações de uma cirurgia. No final de 2018, Beth se mudou para a casa de Luana, sua única filha.

A história de Beth Carvalho

Vinda da Zona Sul carioca, Beth Carvalho entrou para a história como a grande madrinha do samba. Nascida em 5 de maio de 1946, em uma família de classe média, ela teve contato com o samba desde pequena. Aos oito anos de idade já se maravilhava com as gravações de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida. Ainda menina, ao assistir ao desfile das escolas de samba, encontrou outro amor definitivo: a Estação Primeira de Mangueira. Seu grande sonho era ser bailarina, ao qual dedicou muitos anos de sua juventude.

Na adolescência, inspirada pela bossa nova, começou a tocar violão e virou professora de música. Beth mergulhou fundo no samba, rompendo barreiras e dando voz a gênios esquecidos. Passou a gravar sambas-enredo numa época em que apenas homens o fazia. E aproximou-se de dois grandes gênios de sua Estação Primeira: Cartola e Nelson Cavaquinho, assumindo o papel de madrinha.

Gravou sucessos como “Vou Festejar” e “Coisinha do Pai” –esta, muitos anos depois, utilizada para acordar um robô em Marte. E o Brasil passou a conhecer talentos como Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Bira Presidente, Ubirany, Zeca Pagodinho.

Seu último trabalho foi o disco “Ao Vivo no Parque Madureira”, gravado em 2014. No Carnaval de 2017, foi enredo da Alegria da Zona Sul, escola do Grupo de Acesso do Carnaval carioca e participou do esquenta ao lado do intérprete Igor Vianna cantando “Vou Festejar”.

Suas últimas aparições públicas comoveram os fãs. Debilitada, em setembro do ano passado ela se apresentou deitada em um divã, junto com o Fundo de Quintal. “Pedi pra produção trazer esse ‘chaise longue’ para eu deitar. Afinal de contas, se tem ‘Na Cama com Madonna’, tem ‘Na Cama com Beth Carvalho'”, disse ela ao público no show em São Paulo. Seu último show, também deitada, foi em 21 de outubro de 2018 na Oktoberfest do Rio de Janeiro.

Fonte: UOL