Blog: Odebrecht decide abdicar da dívida com o Botafogo, hoje de R$ 35,5 milhões

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A dívida do Botafogo com a Odebrecht aumentou em 2016. Chegou a R$ 35,5 milhões. Mas não há preocupação em nenhum dos lados. Embora detenha garantias agressivas para o empréstimo, que envolvem direitos econômicos de atletas alvinegros e receitas do estádio Nilton Santos, entre bilheterias, camarotes e outras propriedades comerciais, a empreiteira abdicou de cobrar o valor.

O empréstimo foi tomado pelo clube em 2013, ainda sob a direção do ex-presidente Maurício Assumpção, hoje expulso até do quadro social botafoguense. A Odebrecht fez um agrado para que o Botafogo assinasse um contrato de fidelidade para o uso do Maracanã, então recém-inaugurado, o que nunca aconteceu de fato. O time jogou no estádio, porém com acordos pontuais, partida a partida.

O valor começou em R$ 11,4 milhões em 2013. O Botafogo nunca pagou. Logo, com juros a 165% o CDI, uma taxa do mercado financeiro, mais altos do que em outros empréstimos, a dívida aumentou com o passar dos anos. Subiu para R$ 23,7 milhões em 2014, depois para R$ 28,8 milhões em 2015, e bateu em R$ 35,5 milhões em 2016. Os números estão nos balanços financeiros do clube.

A Odebrecht não quer saber do dinheiro porque, como o time está sem grana, o imbróglio teria de ser resolvido na Justiça. Há outro complicador. A Odebrecht, em consórcio com a OAS, foi a responsável pela reforma mais recente do Nilton Santos. O estádio foi interditado também em 2013 e só reabriu no início de 2015. Portanto, num confronto judicial, o Botafogo poderia culpar a construtora e cobrar dela valores por perdas, danos e lucros cessantes – as receitas não realizadas em decorrência da interdição.

Como o Botafogo não quer pagar, mas a Odebrecht não se importa com o calote, a perspectiva é que a dívida aumente e… prescreva.

Fonte: Blog Época Esporte Clube - Revista Época