Botafogo já assinou contrato de 2 anos com o Maracanã

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Saem os jogadores e entram os operários, mais uma vez. No dia seguinte à final da Copa das Confederações, o clima no Maracanã era de ressaca. E ninguém sabe ao certo por quanto tempo isso vai durar. O Rio voltou na segunda-feira à dura realidade: Botafogo, Flamengo e Fluminense continuam sem ter onde jogar. O Engenhão ficará fechado até novembro de 2014 para obras de reforço na estrutura da cobertura, e o Maracanã ainda não tem data para ser reaberto. Ontem, os funcionários da Fifa já começavam a desmontar as estruturas temporárias do estádio da final, e operários das secretarias de obras municipal e estadual voltaram às calçadas para terminar intervenções no entorno. No Engenhão, os operários da Odebrecht já começaram a montar o canteiro de obras.

O Maracanã ainda não tem previsão de reabertura para o público. Mesmo com dois clássicos cariocas marcados para os próximos 15 dias, Botafogo x Fluminense, domingo agora, e Vasco x Flamengo, dia 14, os times vão ter de jogar, mais uma vez, fora do Rio. O primeiro confronto acontecerá na Arena Pernambuco. O segundo ainda não tem definição.

A Fifa vai entregar o Maracanã diretamente ao consórcio formado pelas empresas Odebrecht, AEG e IMX no dia 9. Mas, apesar de a empresa líder ter reformado o Maracanã, o grupo diz que ainda precisa fazer uma avaliação das condições do estádio.

O Vasco ainda tenta liberar São Januário para a partida contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro. Porém, normalmente, a Policia Militar só permite que jogos desse porte aconteçam no estádio com apenas 10% das arquibancadas para a torcida visitante. Medida nunca aceita pelos rivais cariocas. Diante dessa perspectiva, o diretor-geral do clube, Cristiano Koehler, pediu ao Maracanã S.A. a liberação do estádio, mas o pleito foi negado.

— Fomos informados pelo consórcio de que não haverá tempo hábil para preparar o estádio — informou Koehler.

Nesta terça, Vasco, Flamengo e representantes da Federação de Futebol do Rio devem se reunir para decidir o destino da partida. Uma das possibilidades levantadas é jogar no Castelão, em Fortaleza. Com isso, os próximos três jogos dos cariocas podem ser disputados em arenas que também receberam as estruturas temporárias da Fifa para a Copa das Confederações (o Flamengo jogará com o Curitiba no Mané Garrincha, em Brasília, no sábado, às 18h30m).

O consórcio administrador ainda não pôde entrar oficialmente no Maracanã, uma vez que, depois de consecutivos atrasos, o estádio foi entregue diretamente à Fifa no prazo limite (dia 27 de abril).

Os problemas do grupo que vai operar o Maracanã não serão resolvidos nem no dia 9 julho, quando o consórcio assumir a concessão pelos próximos 35 anos. É que ainda não houve acordo com os clubes, como exige o edital de licitação.

Fla, flu e botafogo sem ‘casa’

Segundo o edital, se o consórcio não assinar um contrato de compromisso com pelo menos dois times que façam seus jogos no Maracanã, o grupo perde a licitação, e o segundo colocado assume. Ou se uma nova concorrência é aberta. Os dois clubes que mostraram interesse foram Flamengo e Fluminense, já que o Vasco tem São Januário, e o Botafogo, o Engenhão. Porém, a negociação com o rubro-negro está complicada. Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, o vice-presidente de finanças do clube, Rodrigo Tostes, disse que o acordo estava muito longe. O clube quer receber entre R$60 e R$70 milhões por ano. Mas o consórcio oferece pouco mais que a metade desse valor. A negociação com o Fluminense está mais adiantada.

O grupo tem mais 60 dias (90 desde a homologação contrato, que aconteceu no dia 5 de junho) para apresentar as assinaturas. O acordo já assinado com o Botafogo, que vai jogar como mandante no Maracanã até o Engenhão ser reaberto, não conta para cumprir o edital, pois o período acordado com o alvinegro é de apenas de dois anos. E o edital exige que o contrato com os dois clubes seja por 35 anos.

O acordo firmado pelo Botafogo se deve ao fato de o clube não poder usar o Engenhão até novembro de 2014. É o prazo dado pela prefeitura e pelo Consórcio Engenhão para entregar as obras de reforço estrutural da cobertura. Ontem, representantes das partes envolvidas anunciaram como será a reforma e estabeleceram as datas. Mesmo com o projeto ainda em andamento, os operários começaram a montagem do canteiro de obras.

Todo o custo da reforma será arcado pelo Consórcio Engenhão (formado por Odebrecht e OAS), que não divulgou os valores das obras. Apesar de não ter sido o responsável pelo projeto executivo, considerado causa do problema, o consórcio decidiu bancar o reforço da cobertura em acordo com a prefeitura.

A decisão vai contra o primeiro discurso do prefeito Eduardo Paes. Quando o Engenhão foi interditado, em março, ele afirmou existir uma cláusula, assinada na gestão anterior, que tirava a responsabilidade do segundo consórcio construtor de arcar com erros de projeto. Dessa forma, caberia à prefeitura arcar com os custos.

Tanto a prefeitura quanto o Consórcio Engenhão prometem buscar indenização junto aos responsáveis. Segundo eles, os erros foram causados pelo projeto elaborado pela empresa Alpha a pedido do primeiro consórcio, formado por Delta, Recoma e Racional. Até a volta do Maracanã ou do Engenhão, restam, na cidade do Rio, São Januário e Moça Bonita.

Fonte: O Globo Online

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