A renovação de contrato de Marcelo, no início do mês passado, foi publicada no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF nos últimos dias. Lá, consta o aumento salarial e o vínculo até dezembro de 2020. O que registro não mostra é o valor da multa rescisória do zagueiro, que tem só 21 anos e na primeira temporada como profissional colocou o chileno Esteban Paredes e o paraguaio Roque Santa Cruz no bolso durante os confrontos na Pré-Libertadores. Precavido, o Botafogo ofereceu um compromisso melhor e elevou o preço para quem quiser tirá-lo de General Severiano: U$ 42 milhões (cerca de R$ 132,5 milhões) para transferências internacionais e R$ 100 milhões para dentro do país.

Há sempre dois valores nesses casos porque, no mercado interno, a multa deve estar sempre atrelada ao salário do jogador, enquanto para o exterior não existe esta regra. Marcelo subiu com contrato ainda da base, ganhando cerca de R$ 10 mil, mas após se destacar recebeu um aumento parecido com o que foi oferecido a Emerson Santos, mas tendo ainda bônus por produtividade – pela quantidade de vezes que entrar em campo. Com Carli de volta, Jair Ventura já o escalou até como lateral-direito improvisado para não tirá-lo do time titular.

Sob o novo contrato, Marcelo passa a ser o maior ativo do clube, com multa duas vezes maior do que tinha Luís Henrique, atacante avaliado em R$ 60 milhões antes de trocar o Botafogo pelo Atlético-PR ao escolher sair e não renovar no final do vínculo. Obviamente, a diretoria não espera vender a joia tão cedo e nem por esse preço, mas os valores ajudam a proteger o Alvinegro e evitar um novo “caso Vitinho”. Em 2013, o CSKA Moscou, da Rússia, pagou a multa de € 10 milhões (então R$ 31,6 milhões) e o tirou da concentração sem precisar sequer negociar.

Marcelo é de Resende (RJ), passou quase três anos no Fluminense e foi contratado por empréstimo no primeiro semestre do ano passado. Logo nos primeiros meses em General Severiano, virou destaque, teve 60% de seus direitos comprados pelo Alvinegro e se tornou campeão brasileiro sub-20. O jovem, que recebia o salário padrão de jogadores que sobem da base, não tem empresário e é representado por seu pai nas negociações, que tem mútua confiança de Manoel Renha, diretor da base e um dos homens fortes do futebol alvinegro.

Fonte: Jornal Floripa