Iniciativa Botafogo. Esse é o nome do grupo criado por diversos torcedores apaixonados com o intuito de organizar festas na arquibancada – membros de diversas organizadas e a galera do “povão”, todos juntos única e exclusivamente em prol do nosso time do coração.

Acompanhei, durante toda a semana, o esforço desses meninos e meninas. Abrindo mão de seu dia-a-dia, do conforto de sua casa e da segurança que certamente não há nas ruas do Rio de Janeiro, prepararam minuciosamente todo o visual de nossa bancada. Muitos chegavam em casa de madrugada.

Hoje, ao chegar no Estádio Nilton Santos, me deparei com um ambiente de tristeza e decepção. No chão, todo o material que havia sido preparado com tanto carinho; nos olhos dos meus amigos, a sensação de impotência e abandono. O Botafogo de verdade, em sua essência, somos nós por nós.

A Conmebol destruiu o futebol sul americano. Vi crianças barradas com suas bandeirinhas, idosos impedidos de entrarem com suas faixas e mulheres sem poderem usar sequer seus cachecóis. Torcida sem instrumentos e visual não é arquibancada, é velório.

No entanto, a entidade não é a única culpada. Isso porque a diretoria do Botafogo não fez a menor questão de interferir no problema. Todas as diretorias jogam junto às suas torcidas, as tratam como patrimônio que são; a nossa caga em nossa cabeça, ignora sua importância e, talvez por isso, sejam todos iguais – há tantos anos afundando o clube.

Aos organizadores, foi passado, ainda à tarde, que estaria tudo liberado. Próximo às 19h, o GEPE enviou um email comunicando o veto e alegando que nenhum dirigente os procurou. A partir daí, a Iniciativa Botafogo foi prontamente ignorada até a hora do jogo. Jogamos sem torcida.

Reprodução Internet

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São Paulo x Rosario Central, pela mesma Sul Americana. Por quê?

Com a bola rolando, vi um time chileno patético que fazia cera mesmo perdendo, com o único intuito de tentar cavar brigas que motivassem expulsões ou algo do tipo. Na arquibancada, focos de brigas entre nós mesmos e um torcedor caindo no fosso.

Uma noite muito estranha, com um clima melancólico e um saldo final bastante negativo. Hoje, a classificação foi mero detalhe. A atmosfera, desde o lado de fora do estádio, me tirou completamente a vontade de ver e comentar futebol. Que bom – pois o que o time demonstrou em campo também foi tenebroso.

Resta tentar dormir e esquecer a noite de hoje. No próximo jogo, o Fluminense – numa segunda-feira à noite, acreditem – e a chance de devolver a goleada sofrida no Campeonato Carioca. Nos vemos lá!

Notas

Jéfferson: 5
Apenas alguns lampejos do que sabe fazer. Inseguro nos cruzamentos, saiu mal em lance de chance bisonhamente perdida e falhou no gol.

Marcinho: 5
Sem muito trabalho na defesa. Burocrático no ataque, onde costuma render melhor.

Joel Carli: 6
Partida controlada na medida do possível. Bolas aéreas ainda assustam.

Igor Rabello: 6,5
Bem nos cortes e perigoso nas subidas ao ataque.

Gilson: 6,5
Um dos mais regulares do time, defendeu com segurança e se apresentou bem no ataque. Faltou caprichar nos cruzamentos.

Rodrigo Lindoso: 5
Razoável na marcação, mas muito burocrático na saída de bola. Abusou dos passes laterais e recuos. Precisa chamar a responsabilidade na organização a partir da nossa intermediária.

Matheus Fernandes: 7
Bem na marcação, deu dois chutes perigosos até encontrar as redes, mostrando evolução em um fundamento que vinha sendo criticado. Apareceu pro jogo. Pecou em perder chance cara a cara, mas não é a dele.

Leo Valencia: 4
O pior disparado. Não dá sequência em nenhum lance. Péssimo aproveitamento em cruzamentos e chutes. Precisa sair do time.

Renatinho: 4,5
Sua pior partida pelo Botafogo. Até correu bastante, mas foi muito mal com a bola no pé. Faltou criatividade e visão. Tem potencial para crescer.

Luiz Fernando: 5
Boa movimentação, mas baixa produtividade. Falta ser mais incisivo, ir pra cima dos adversários.

Brenner: 6
A bola praticamente não chegou. Em lance individual, foi bem no drible mas bateu por cima. Na sequência, recebeu de Kieza e mandou na trave. Precisa ser mais munido.

Kieza: 5,5
Entrou fazendo ótima jogada pelo lado logo de cara, mas depois diminuiu o ritmo. Perdeu chance claríssima – e a sua tem peso maior por ser camisa 9.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Entrou com disposição e melhorou o jogo trabalhado pelo lado, mas colecionou mais um gol feito perdido para sua extensa coletânea.

Jean: sem nota
Pouco tempo em campo.

Alberto Valentim: 5
O time não mostrou a mesma organização de sempre e pecou muito na criatividade e saída de bola. Precisa treinar chances cara a cara, onde os jogadores parecem entrar em pane. A bola aérea continua sendo um pesadelo. Time demonstrou pouquíssimo, mesmo contra o bisonho e fraquíssimo Audax.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC