Ex-chefe do departamento médico do Botafogo, Luiz Fernando Medeiros se pronunciou ao site “Globoesporte.com” sobre sua demissão, a qual considera decisão política. Ele admitiu ter ficado surpreso e afirmou que médico não provoca lesão em jogador.

– Foi colocado que após uma série de lesões o Botafogo trocou o departamento. Realmente houve uma série de lesões. Mas há um erro de conceito nisso. O médico não provoca as lesões. O médico trata, diagnostica e indica o tratamento. Na verdade, na maioria das vezes o tratamento é executado por fisioterapeutas. Apenas indicamos e supervisionamos. As lesões musculares são tratadas com tratamento fisioterápico. Nessas lesões musculares, que realmente foram inúmeras, não houve nenhuma recorrência. Isso é importante. Nenhum jogador que se recuperou voltou a sentir a mesma lesão. Houve o caso do Montillo, que se recuperou em uma semana de uma lesão no adutor, mas voltou a campo e sentiu a panturrilha. Agora, nessa nova lesão, ele sentiu a posterior da coxa. Não é um problema do médico. – afirmou o médico, demitido juntamente com Alexandre Salles. Eles serão substituídos por João Grangeiro e Christiano Cinelli.

Após oito anos de Botafogo e 44 jogadores operados, o médico garatiu ter um bom currículo e explicou os casos de lesão, sem entrar em detalhes, por questões éticas. Luiz Fernando Medeiro assumiu dois erros.

– Acho que cometi dois erros. Um foi ter ficado calado por muito tempo. Apanhei calado. Mas eu estava amarrado e continuo. Não posso abrir o prontuário médico dos pacientes. Não posso entrar em detalhes por conta do sigilo médico. Eu fiquei calado e quis preservar os atletas. Foi um problema, mas há um motivo ético. O segundo erro foi ter sido otimista no prognóstico do Jefferson. Reconheço que fui otimista. Achei que ele ficaria bom mais rapidamente, dei o prazo de três a quatro meses, mas a lesão era mais grave, a ponto de incapacitá-lo para retornar e ser necessária uma revisão. Se o Jefferson não fosse goleiro, e trabalhasse, por exemplo, como jornalista ou médico, ele já estaria bom. Mas para agarrar, realmente, é mais difícil. Na hora de cair no chão ele sente dor. Mas essa falta de vivência em relação à lesão me levou a ter um prognóstico mais otimista – explicou.

Fonte: Globoesporte.com