Na raia número seis da pista de atletismo do Estádio Nilton Santos, em 2016, Usain Bolt fez história. Quase três anos depois dos Jogos Olímpicos, porém, é outro velocista que levanta a torcida. Erik não tem os recordes ou as medalhas do jamaicano, mas também arrisca suas arrancadas a alguns metros dali, na ponta direita do Botafogo.

Um dos jogadores mais rápidos do Brasileirão, Erik carrega a velocidade em seu DNA. Desde que chegou às categorias de base do Goiás, já se destacava por ser muito mais rápido do que os outros jogadores. Uma relação de amor que ultrapassa as quatro linhas do campo.

– Eu amo tudo que tem velocidade. Vejo Flash (série), acompanho Fórmula 1, no videogame eu só escolho os times mais rápidos – destacou, antes de reconhecer sua característica mais forte. – Vou sempre me desafiando, tentando a cada dia fazer um treino mais veloz do que o outro. O futebol nem sempre é só velocidade, mas sei que é uma qualidade que tenho. Espero nunca perdê-la.

Botafogo: um caso de família

A história de Erik com o Botafogo vem desde antes dele jogar pelo clube. O pai, Seu Bernardo,  é um alvinegro fervoroso. Quando mais jovem, chegou a criar um time amador homônimo em Novo Repartimento, no Pará, cidade natal do atacante.  É justamente por isso que, mesmo revelado pelo Goiás e com passagens por Palmeiras e Atlético-MG, ele sente um gosto especial ao vestir a camisa do Botafogo.

“Quando você encontra seu lugar, sua casa, você se sente bem”

A combinação deu certo. Desde que chegou ao clube, Erik é o principal artilheiro do time. Neste ano, foram sete gols em 16 jogos, mais do que um quarto dos gols do Botafogo. A trajetória pelo clube de coração de seu pai deixa Erik ainda mais orgulhoso ao lembrar do esforço feito por ele em sua infância.

– Eu sou do interior do Pará, de um assentamento. O vizinho mais próximo estava a um, dois quilômetros. Saí da roça. Tenho muito orgulho de falar da minha infância, das batalhas que minha mãe e meu pai tiveram. Carrego aquele espírito, de todos os dias ser ainda melhor. Era isso que meu pai fazia. Saía cedo para trabalhar, para garantir o outro dia. Tive dificuldades e isso me fez muito forte para encarar a vida.

Erik, do Botafogo, na raia eternizada por Usain Bolt
Erik na raia eternizada por Usain Bolt
Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Pelérik, Flasherik e um novo lar

 

Um relâmpago desce das nuvens ao chão em uma velocidade arrebatadora. Mais rápido do que o próprio som, ilumina o mais escuro dos céus em milésimos de segundos. Foi com uma rapidez parecida que Erik conquistou os torcedores do Botafogo. Contratado durante o Brasileirão de 2018, o atacante se firmou, ficou e se transformou em um dos jogadores mais importantes do elenco alvinegro.

E o bom desempenho com a camisa do clube não tem passado despercebido pela torcida. Nas ruas e na internet, os alvinegros comemoram a boa fase de Erik, que ainda se acostuma com os novos apelidos. É “Pelérik” para cá, “Flasherik” para lá… Embora não se sinta tão confortável com a comparação ao Rei do Futebol, o atacante sabe que isso é apenas um sinal de carinho dos torcedores. E é por essas e outras que ele não poderia se sentir melhor acolhido no Botafogo.

– Toda a minha família ficou encantada com a forma com que fui recebido pelos torcedores do Botafogo, e com tudo que vem acontecendo desde que cheguei. A torcida na rua me reconhece, esse carinho é especial. Quando você encontra seu lugar, sua casa, você se sente bem.

Fonte: Site da CBF