Em longa entrevista ao site Globoesporte.com, o ex-volante Túlio respondeu duramente às críticas do presidente Carlos Eduardo Pereira sobre o processo que move na Justiça contra o clube pela dívida de R$ 1,5 milhão contraída na época de jogador.

Em entrevista à Rádio Botafogo, Pereira chamou Túlio de “chorão” – em referência ao episódio do chororô na Taça Guanabara de 2008 – e acusou o ex-atleta de estar querendo furar a fila do Ato Trabalhista. Por causa desse processo, a Justiça autorizou que bens pessoais de Carlos Eduardo Pereira sejam penhorados para quitar a dívida, mas o clube vai recorrer.

Túlio explicou a situação, pediu diálogo com a nova diretoria, chamou Carlos Eduardo Pereira de mal educado e revelou que vai estar no Estádio Mané Garrincha na sexta-feira como torceor para assistir a ABC x Botafogo.

Confira alguns trechos do que disse Túlio:

CRÍTICAS DO PRESIDENTE

“Foram declarações absurdas. Parece que eu que sou o vilão por ter cobrado uma dívida trabalhista. Não estou entendendo em que ponto ele quer chegar. Acho que quer me transformar em vilão ou fazer minha caveira com a torcida. Só tivemos pessoalmente um contato, que foi aqui em Brasília, e ele foi muito mal-educado comigo. Claro que a dívida não é dele, é do Botafogo, mas ele assumiu sabendo que era um clube endividado. Quem determina o caminho jurídico é o advogado, e eu não sou advogado para saber qual o melhor caminho. Ele agora está cuspindo fogo, atirando pedra em mim do nada, dizendo que eu não poderia ter feito isso com o Botafogo. E os dirigentes podem fazer o que estão fazendo comigo? Quem faltou com respeito foi ele. Eu fiquei cinco anos no Botafogo com dedicação total. Em 2006, saí para o Japão sabendo de uma dívida de FGTS. Poderia ter saído na Justiça, sem que o clube recebesse a multa rescisória. Em 2007 voltei tendo uma proposta mais alta do Fluminense e de outros clubes. E agora ele vem me atacar, dizer que sou conivente com um flamenguista. Agora vou bater na porta de advogado perguntando para qual time ele torce? É um absurdo o que ele está falando e não está se colocando na minha posição.”

‘FURAR’ O ATO TRABALHISTA

“Eu acompanhava o Ato e achei excelente quando o Botafogo entrou. Mas na gestão do ex-presidente, o Botafogo furou o Ato por conta própria. Quem garante que não vai fazer de novo? Eu não sou advogado, eu contratei um porque o clube não quis fazer um acordo comigo. O Renato Blaute (diretor financeiro da época) me mandava emails me enrolando para a dívida prescrever, como seu eu fosse um ignorante e não soubesse disso. Eu dizia que poderia fazer um acordo do jeito que fosse bom para o Botafogo porque não queria chegar ao ponto de levar para a Justiça. Mas nunca mandaram proposta alguma. Por que o presidente também não me procurou e propôs um acordo? Foi falta de consideração e má-fé.”

BENS PESSOAIS DO PRESIDENTE EM RISCO

“Não acho justo que pague com os bens dele uma dívida que o Botafogo construiu. Mas também não acho justo que negligencie uma dívida que é do clube e que eu tenho direito de receber, porque trabalhei para isso. Meu sentimento de amor pelo Botafogo não tem nada a ver com isso. Não é porque tenho o maior carinho do mundo que vou abrir mão de um dinheiro que tenho para receber e que trabalhei com muita dignidade.”

SER CHAMADO DE ‘CHORÃO’

“Foi difícil escutar isso do presidente do clube pelo qual eu mais tenho amor. Meus filhos e minha família são Botafogo, tenho tudo do Botafogo aqui em casa. Nunca vou deixar de ser Botafogo por causa de um cara que assumiu a presidência e trata os ex-jogadores como ele tem me tratado. Se eu chorei foi porque tive respeito e paixão pelo clube. Chorei num momento em que não podia mais fazer nada, que tinha esgotado minhas forças depois que coisas externas tiraram um título do Botafogo. Chorei por impotência. Da mesma forma que me estou me sentindo agora por não poder me defender dessas palavras, porque jamais eu gostaria de chegar ao nível de discutir com o presidente do Botafogo pela mídia. Um cara que está sendo baixo e covarde comigo. Ele sabe que minha voz não vai ter o mesmo poder da dele. Está fazendo isso comigo covardemente.”

DESGASTE COM A TORCIDA?

“De maneira alguma. Na sexta-feira o Botafogo joga em Brasília (contra o ABC, no Mané Garrincha) e eu vou como torcedor comum, na arquibancada. Muitos torcedores daqui prestaram solidariedade a mim. Isso é o que que vale. Não é o presidente com palavras ofensivas. Uma discussão que poderia ser em alto nível ele está levando para um baixo nível que eu não vou cair. Ele não vai conseguir colocar em dúvida o sentimento que eu tenho pelo Botafogo. Eu sei o que sinto por esse clube, e o que eu tive com o Botafogo ninguém vai apagar. Quem tinha que estar com vergonha dessa situação era o presidente, não eu. Se eu não estou no meu direito, a Justiça vai dizer.”

Fonte: Globoesporte.com