O Botafogo corre contra o tempo para transformar o futebol do clube em empresa e ter parte da milionária dívida paga por investidores. Segundo a Ernest & Young todo o projeto tem de estar de pé em cinco meses. Só assim, o alvinegro evitará um iminente processo de falência. É o período de obter a autorização da CBF, até a terceira semana de janeiro do ano que vem, para mudar a razão social.

– O projeto primário é para não deixar o clube fechar as portas ano que vem – afirmou  o especialista em consultoria para clubes esportivos e sócio da Ernest & Young, Alexandre Rangel, que fez o estudo. – Tudo foi feito baseado no balanço de 2018, provavelmente vamos encontrar mais passivo. A cada mês aumenta o valor da capitalização necessária e com o passar do tempo fica mais difícil fechar a negociação. Se ficar para o ano que vem, se torna praticamente inviável.

Após sim da diretoria do Botafogo nesta sexta-feira, a consultoria fará um aprofundamento da situação do clube. Detalhamento da dívida, contato com credores e investidores, num processo semelhante à recuperação judicial, mas, no caso, feito por uma empresa.

Com a assinatura do contrato de 30 anos, o clube cederá os direitos de operar o futebol e, em contrapartida, terá a dívida paga pelos investidores no curto e longo prazos para sanar o clube. Ou seja, não terá mais qualquer ingerência no esporte. Um conselho diretor será formado pelos acionistas e profissionais da área serão contratados: CEO, diretor de futebol, técnico e comissão técnica.

– Os investidores, mesmo botafoguenses, não poderão interferir diretamente no que acontecerá em campo. A maioria não tem interesse em se envolver diretamente. Vão se comportar como conselho de administração cobrando resultados financeiros da atividade empresarial – explica Rangel, destacando que haverá uma comissão formada por integrantes da empresa e do clube social para fiscalizar o contrato.

Os atuais dirigentes do clube cuidarão apenas da parte social – e todo o patrimônio – e dos esportes olímpicos.  A empresa terá os ativos do futebol e do Centro de Treinamento, a ser construído. O Estádio Nilton Santos, que pertence à Companhia Botafogo, terá um contrato à parte para direito de uso.

– Na primeira fase, parte da dívida será paga (cerca de R$ 350 milhões) em cinco anos. Assim, os dirigentes não terão que se preocupar com dívidas e terão tempo para se reestruturar – afirma.

Na segunda fase, serão pagas as dívidas do Profut, a partir do sexto ano de contrato. O total deve girar em cerca de R$ 800 milhões. Quando tudo estiver sanado, e a empresa já estiver dando lucro, haverá uma espécie de royalties pagos ao clube social, em valor a ser determinado.

Com a criação da empresa, o futebol do Botafogo deixará de ser sem fins lucrativos. O objetivo é dar lucro e atrair mais investidores, mesmo que não são sejam alvinegros. Foi colocado na ponta do lápis os custos do impacto tributário. São menores do que as dívidas com penhoras, a correção por juros e renegociação com bancos.

Fonte: O Globo Online