Todos no Botafogo sabem que o título da Série B foi suficiente para subir, mas é pouco diante da grandeza do clube. Pouco como o dinheiro para investir em contratações de peso para o ano da volta à Série A. Desta maneira, comissão técnica e diretoria enfrentam o dilema de montar um time competitivo com recursos escassos, sem ferir a tradição de glórias alvinegra.

Principal fonte de recursos do clube, a cota de direitos de transmissão de TV destinada ao Botafogo seria de R$ 17 milhões. O prêmio pelo título da Série B pago pela CBF foi de “apenas” R$ 400 mil. Em levantamento realizado no primeiro semestre deste ano, era do alvinegro a maior dívida do futebol brasileiro: R$ 845 milhões. Ontem, a luz do Engenhão foi cortada. O estádio deve mais de R$ 1 milhão em contas atrasadas de energia e água, que já estava com o fornecimento suspenso. Funcionários foram dispensados do trabalho no estádio.

Devido ao rombo nas contas e com um cenário de crise econômica nacional, o presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira, é transparente para não iludir o torcedor.

— Teremos os pés no chão, porque é grave a crise. A maior injeção de recursos que o clube terá virá da TV. Além dele, os patrocínios na camisa. A partir do momento que o time conseguir mais patrocínios, maior será o orçamento. Mas podem esperar um Botafogo digno das tradições — declarou Pereira.

Além de negociar para a obtenção de novos patrocinadores, Pereira espera por uma definição em relação ao novo fornecedor de material esportivo. A Puma permanecerá até o fim do Campeonato Carioca, prazo que o presidente também dará para uma melhor avaliação do elenco. Neste momento de ida ao mercado, os dirigentes alvinegros irão às compras na Série B e na América do Sul.

— São dois mercados interessantes e esperamos concluir as contratações até meados de janeiro. Depois, ao longo do Estadual, faremos um novo relatório das carências para o Brasileiro. A montagem será feita de maneira inteligente, aliando uma espinha dorsal experiente ao talento da nossa base — declarou Pereira.

Dentro dessa política de contratações, o Botafogo trouxe o zagueiro argentino Joel Carli e o meia boliviano Damián Lizo, além de ter acertado ontem com Diogo Barbosa, lateral-esquerdo que atuou pelo Goiás este ano.

Fonte: O Globo Online