Terceiro e quinto colocados no Brasileiro, respectivamente, Flamengo e Botafogo são os cariocas responsáveis por trazer os jogos da Libertadores de volta ao Rio. Para o Flamengo, que chegou a sonhar com o título Brasileiro, a competição internacional já é uma realidade há mais tempo e, melhor, o time não disputará as eliminatórias antes da fase de grupos. Classificado só na última rodada da Séria A, o alvinegro tem uma missão diferente: o time terá que passar por duas fases de mata-mata contra adversários ainda não conhecidos. O sorteio da fase eliminatória e dos grupos será realizado em 21 de dezembro, na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai.

No rubro-negro, os planos já são conhecidos. Com uma base formada, o clube buscará reforços pontuais, como um lateral-esquerdo, que deve ser o peruano Miguel Trauco, da seleção peruana e do Universitario, um volante (o preferido é Rômulo, ex-Vasco e hoje no Spartak Moscou, da Rússia) e dois atacantes de lado de campo com qualidade na finalização. Aí, Marinho, do Vitória, e Vitinho, do Internacional, são os preferidos.

Nesta terça-feira à tarde, o clube vai inaugurar o centro de treinamento do Ninho do Urubu, onde fará a pré-temporada em janeiro. Nesta segunda-feira, o Flamengo anunciou a desistência da Florida Cup, devido ao adiamento em uma semana da temporada de 2016. Será no agora completo CT que Zé Ricardo tentará encontrar uma forma diferente para o time. Neste Brasileiro, a equipe caiu de produção no fim da temporada.

– Pretendemos manter nossa base e fechar poucas contratações pontuais. No ano que vem vamos em busca de mais um ano forte, mas com títulos, porque a torcida merece – disse Zé Ricardo no domingo.

A situação do Botafogo é bem diferente. No início do campeonato, a missão do alvinegro parecia ser apenas escapar do rebaixamento. Com a entrada de Jair Ventura, que terá seu contrato renovado, e a melhora no desempenho, a vaga na Libertadores passou a ser possível, mas a confirmação só veio na última rodada, o que atrasou o planejamento para a competição sul-americana, iniciado hoje. Para tornar o trabalho ainda mais complicado, o clube terá que passar por dois confrontos em mata-mata para finalmente chegar à fase de grupos.

Apesar das dificuldades, o presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira, garante que os reforços não apenas irão repôr as perdas que o time terá, como o goleiro Sidão, o lateral-esquerdo Diogo Barbosa e o atacante Neílton, como irá qualificar o elenco. O dirigente diz ainda que fará isso sem colocar o clube no caos financeiro, que, em 2014, fez o clube disputar a Libertadores em meio a protestos de jogadores por atraso no pagamento de salários e prêmios.

– Em 2013, o Botafogo teve despesas muito superiores à sua capacidade de sobrevivência e chegou quebrado à competição – analisou Pereira, hoje, em entrevista ao GLOBO, ao falar sobre a gestão do então presidente Maurício Assumpção. – A situação hoje é muito diferente. O Botafogo está em processo de recuperação, não fez loucura até o momento, não saiu do orçamento e não chegará à Libertadores devendo salários. Não pretendemos prometer grandes contratações, de grande craques, em função das nossas limitações orçamentárias, mas vamos ter uma melhora gradual. A equipe foi reforçada de 2015 para 2016, e tenho certeza de que faremos uma montagem para uma nova evolução em 2017.

Para aumentar a capacidade financeira, o clube se sentará à mesa com a Caixa Econômica Federal para fechar o acordo para a próxima temporada e acredita que a vaga na Libertadores é um trunfo para alcançar um acordo mais vantajoso. Além disso, o clube anunciará na quinta-feira um novo formato para o programa de sócio-torcedor.

– O nosso orçamento para 2017 vai ser ajustado à medida que tivermos informações sobre remunerações da Libertadores, mas ainda é cedo. O fato de poder contar com o Estádio Nílton Santos (Engenhão) em sua plenitude é uma ferramenta importante para alcançarmos mais sócios e aumentarmos as receitas do clube – afirmou Pereira. – O objetivo do Botafogo é a vitória esportiva, mas tem que buscar isso dentro de sua realidade financeira. Não adianta detonar tudo o que construímos.

Fonte: O Globo Online