Em longo depoimento ao quadro “A Voz do Presidente”, da Rádio Botafogo Oficial, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, mostrou-se muito preocupado com a possibilidade de ver seus bens e de outros dirigentes do clube penhorados em virtude do processo movido pelo ex-volante Túlio na Justiça. Ele questionou a validade do Ato Trabalhista, que coloca todos os credores numa fila de pagamentos e organiza as dívidas trabalhistas dos clubes brasileiros.

Na última semana, o Botafogo perdeu o recurso que tentava anular a decisão da Justiça autorizando a penhora de bens pessoais de Carlos Eduardo Pereira, Nelson Mufarrej (vice-presidente geral) e Heraldo Lopes de Almeida (representante do Conselho Deliberativo). O recurso foi negado pela desembargadora Vólia Bomfim Cassar, do TRT da 1ª Região. Carlos Eduardo Pereira quer se reunir com a presidente do TRT, Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos.

– Quero transmitir aqui à torcida do Botafogo a minha preocupação em relação à Justiça do Trabalho. O Botafogo completou agora em dezembro o pagamento de R$ 13 milhões em ações trabalhistas em atraso. Foi um esforço muito grande, que privou nossa equipe de recursos, que poderia ter melhorado a qualidade do nosso elenco. Fizemos isso em respeito ao Ato Trabalhista, que é um instrumento fundamental, mas que me parece haver um caminho de mão única. Só o Botafogo tem obrigação de cumprir com os nossos compromissos. Basta um juiz de primeira instância ter um entendimento distinto do que está previsto no Ato Trabalhista para colocar em xeque esse instrumento, que tem permitido a diversos credores receberem seus valores justos. O pior de tudo é que esses juízes ainda permitem que os advogados que pensam única e exclusivamente nos seus ganhos tentem atingir o patrimônio pessoal dessa diretoria, que nada mais tem feito do que se esforçar e cumprir em dia com suas obrigações. Chega a ser injusto, revoltante, que tenhamos que conviver com situações como essa. Pretendo ir à presidência do Tribunal Regional do Trabalho e perguntar se o Ato Trabalhista realmente é um instrumento válido, e se esse é o caminho que a Justiça do Trabalho nos orienta a seguir para cumprir com nossas obrigações e não sofrer ameaça de inviablização das receitas do clube – disse o presidente.

Fonte: Redação FogãoNET