Seedorf avalia 1º ano: ‘Bem-sucedido em país especial’

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No sábado, Seedorf completou um ano como morador do Rio de Janeiro e jogador do Botafogo, e a comemoração veio no domingo, em forma de gol para a torcida na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense na Arena Pernambuco. A cereja do bolo foi a liderança isolada do Campeonato Brasileiro. 

Em entrevista por e-mail ao GLOBOESPORTE.COM, o craque holandês voltou no tempo para recordar o que de mais marcante passou no clube neste período. Apesar dos 37 anos de idade e quase 21 de profissional, disse que vivenciou experiências pela primeira vez, como alguns rituais de vestiário. Também aprendeu que o calendário brasileiro não é para qualquer um.

Na reta final de sua passagem de dez anos pelo Milan, Seedorf não era utilizado em todas as partidas. Era poupado em algumas delas para que estivesse sempre em boas condições. Pelo Alvinegro, precisou ser muito mais presente.

– Eu senti que poderia ter feito melhor, nas minhas temporadas anteriores fui utilizado apenas para os grandes jogos – contou.

O holandês nascido no Suriname também teve a oportunidade de observar de perto a tentativa de mudança do Brasil a partir da iniciativa popular. Antenado, ele vê o país como “especial” e que está querendo “escrever sua história novamente”. Confira a entrevista completa com o craque.

Seedorf Botafogo x Fluminense (Foto: Antônio Carneiro / Pernambuco Press)
Seedorf comemora gol que deu a vitória ao Botafogo no clássico com o Fluminense (Foto: Antônio Carneiro / Pernambuco Press)

GLOBOESPORTE.COM: como você avalia este primeiro ano no Brasil? Aconteceu tudo como você esperava?

SEEDORF: Foi um ano muito intenso, com grandes momentos e novas experiências. Eu não tinha expectativas, não estou acostumado a tê-las em geral, mas eu fui agradavelmente surpreendido com a cordialidade do país. Fico feliz por ter sido bem-sucedido na Meca do futebol e ter conseguido mostrar quem sou dentro e fora de campo.

O que não sabia do futebol brasileiro e que só passou a saber após sua chegada?

Eu não sabia muito sobre a preparação antes dos jogos e dos rituais internos, como a reza antes e depois dos jogos. É muito interessante ver certos mecanismos.

Quais foram os momentos mais marcantes deste primeiro ano? E os mais complicados?

Minha chegada foi um momento inesquecível. A primeira semana foi incrivelmente emocional. A alegria dos fãs, o respeito e carinho da população brasileira… A coisa mais complicada para mim foi a lutar contra o meu cansaço. Joguei ano e meio sem um descanso real. Eu senti que poderia ter feito melhor, nas minhas temporadas anteriores fui utilizado apenas para os grandes jogos, mas sentia falta de ritmo de jogo. Tive que me adaptar a uma nova forma e tempo de treinamento, alimentação, cultura, cultura do clube, jogadores novos e minha personalidade de querer influenciar diretamente tudo ao meu redor. Não tenho 20 anos mais, então, sem tempo a perder é o meu lema! Isso tudo foi pesado!

Os brasileiros puderam ver de perto uma versão do Seedorf artilheiro, o que não era muito comum. Como tem sido esta sensação?

Na Europa eu joguei poucos anos na posição em que estou jogando agora, perto dos centroavantes, e, consequentemente, mais perto da área do adversário. No entanto, eu fiz meu gol de número 100 no jogo contra a Ponte Preta em jogos da liga nacional. Nada mau para quem sempre jogou mais como armador, você não acha?!

Antes de você chegar, havia uma provocação dos rivais ao Botafogo por causa do “choro da derrota”. Com suas demonstrações de emoção em alguns momentos, parece ter mudado o significado das lágrimas no clube…

Estou feliz e orgulhoso de ter esta influência positiva. Este é um país especial, que está querendo a história escrita novamente e dispostos a crescer e aprender. Fica mais fácil de ter um impacto positivo.

Recentemente o Brasil passou por uma experiência de mobilização popular que não era vista havia muito tempo para cobrar melhorias e protestar contra corrupção. Como observou isto?

Eu acho que é positivo quando a população mostra seu comprometimento em melhorar seu país. Sem as pessoas não há nada, então, assumindo responsabilidades, o governo tem que agir para um futuro sustentável do país para o povo. Progresso vem com responsabilidades assumidas por todos, governo e população. É semelhante ao clube e equipe técnica e os jogadores. O Botafogo é um bom exemplo dessa responsabilidade assumida pelos jogadores e funcionários.

O que achou da Copa das Confederações? Acredita que o Brasil está no caminho certo para ter sucesso na Copa do Mundo, tanto dentro de campo quanto na organização?

Eu gostei. Os jogos foram com muitos gols, mentalidade ofensiva e uma ótima atmosfera. Os fãs brasileiros sabem como comemorar em uma partida quando querem. A Copa do Mundo vai ser um sucesso. Minha única preocupação é sobre o que será feito com todas as oportunidades de crescimento do país usando este fantástico evento.



Fonte: Globoesporte.com
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