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No anunciado rebaixamento do Botafogo, jovens se salvam, mas clube não

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Por FogãoNET

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No anunciado rebaixamento do Botafogo, jovens se salvam, mas clube não
Vitor Silva/Botafogo

O jogo que selou o terceiro rebaixamento da história do Botafogo (os outros foram em 2002 e 2014) não teve lágrimas ou expressão de sofrimento dos torcedores. Foi em meio ao silêncio melancólico do Nilton Santos que os alvinegros perderam para o Sport por 1 a 0 — a 28ª derrota no campeonato — e ficaram sem chances matemáticas de escapar de uma queda anunciada há semanas.

Com 24 pontos, o time agora só pode chegar aos 36. É a mesma pontuação do Bahia, o primeiro do Z-4. Mas nem nesta posição o time pode chegar mais, já que não tem condições de alcançar os baianos no número de vitórias.

Ainda restam quatro rodadas, e o que resta agora é lutar para evitar que esta campanha seja a pior da história do Botafogo desde a primeira edição do Brasileiro. Com 23,5% de aproveitamento, o desempenho atual só não é pior que o de 1993 (21%). O próximo adversário é o Grêmio, no Nilton Santos, na segunda-feira. Mas fica a dúvida se ainda há alguma força.

A sexta-feira, que já era por si só tão tensa para os torcedores alvinegros, começou diferente. Ao contrário do que vinha ocorrendo no Rio desde o início de 2021, a cidade amanheceu chuvosa e com a temperatura mais amena. Para uma torcida tão supersticiosa, significava algo. Restava saber o quê.

Mas o céu cinza e o silêncio do Nilton Santos não poderiam indicar outra coisa que não uma noite triste. Por mais que a torcida tentasse acreditar num milagre, o terceiro rebaixamento do Botafogo já estava encaminhado. Com 24 pontos antes da partida, o time só poderia chegar até os 39. Para escapar da queda, ainda precisaria contar com uma combinação de resultados.

O time que entrou em campo tinha uma média de idade de 22,3 anos. Resultado da série de contratações erradas feitas pela diretoria. Em toda a temporada, 52 atletas foram usados. Alguns já até deixaram o clube. Na reta final, a última tentativa era apostar nos jovens. Nada mais simbólico. Afinal o único recurso ainda disponível aos alvinegros era mesmo a esperança.

O jogo

O empate contra o Palmeiras, na última rodada, era um sinal de que a aposta na garotada não fora ruim. Mas não se podia exigir que eles consertassem todos os erros de uma temporada inteira. Entrega mais uma vez não faltou. Liderado por um Matheus Nasciomento determinado a dar tudo de si para evitar a queda, o Botafogo chegou com perigo ao gol do Sport já no começo do jogo. Foram quatro finalizações em 12 minutos.

O jovem de 16 anos explorou sua facilidade para o drible e os chutes de fora da área para incomodar a equipe pernambucana. A melhor oportunidade foi um voleio de primeira que, embora bonito, foi na direção do goleiro Luan Polli.

A dificuldade em conseguir abrir o placar rapidamente se converteu em nervosismo. Some-se a isso o estado do gramado, pesado por causa da chuva. E o Sport soube aproveitar a situação para crescer na partida. Explorou os lados do campo, passou a incomodar e logo chegou ao gol. Aos 19, um chute de longe de Marcão fez a bola resvalar no braço de Romildo. O jogador claramente aproximava o membro do corpo. Mas, ainda que polêmica, a determinação da Fifa é clara: o pênalti deve ser marcado. E Maidana não desperdiçou.

– É muita injustiça. Cada jogo é uma interpretação e a gente fica sem saber o que fazer. A bola nem ia em direção ao gol. Mas a gente não tem o que fazer – lamentou Kanu.

A determinação pode e precisa ser revista. Os 12 pênaltis marcados contra o Botafogo no Brasileiro, sendo cinco com auxílio do VAR, tornam compreensível a torcida e os jogadores se sentirem injustiçados. Mas a verdade é que um time que só venceu quatro vezes em todo o campeonato não tem condições de colocar a culpa de seu drama nas regras da Fifa.

O placar favorável era tudo o que o time de Jair ventura precisava para se acomodar em seu estilo de jogo favorito. Encolheu-se ainda mais atrás, de forma a formar um bloco em frente à sua própria área e apostou nos contra-golpes velozes.

A entrada de Matheus Babi e a pressão maior na marcação fizeram o Botafogo reagir na etapa final. Em alguns momentos, chegou a sufocar e esteve perto de marcar. Mas o lado negativo de tantos jovens em campo cobrou seu preço. O excesso de vontade aliado ao nervosismo se transformou em cansaço. Melhor em campo, Matheus Nascimento deixou o campo aos 31 sem forças.

Na reta final, esperança ainda havia. A cena dos jogadores arrastando um contundido Sousa de campo, aos 47, para não perder os últimos minutos mostrava isso. Mas já não havia fôlego. Um final simbólico para o jogo que selou o triste destino do Botafogo.

Fonte: O Globo Online

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