Tiros na escuridão
Sem dinheiro e com poucas perspectivas de novas receitas, a diretoria do Botafogo sofre para remontar um time padrão Série A para 2016.
Por ora, a opção tem sido a prospecção em mercados alternativos, investida que deu relativamente certo com a contratação do uruguaio Alvaro Navarro,de 30 anos, um dos principais artilheiros do time na conquista da Série B, com nove gols em quinze partidas.
Não sei ao certo quanto o jogador estava pedindo para renovar seu contrato, mas não houve acordo e o artilheiro alvinegro agora disputará a Libertadores pelo Puebla, do México.
Já chegaram o zagueiro argentino Joel Carli, de 1,91m, jogador de 29 anos que estava no Quilmes, e o volante equatoriano Pedro Larrea, também de 29, que estava no LDU de Loja, mas que fez parte da equipe da LDU de Quito campeã da Libertadores de 2008 e das Sul-Americana e Recopa de 2009.
E o próximo deve ser mesmo o meia argentino naturalizado boliviano Damián Lizio, de 26 anos, atualmente no Bolívar.
Difícil atestar a qualidade dos três, mas todos têm ao menos um indicativo a referendá-los.
Lizio, por exemplo, traz no currículo o fato de ter sido convocado para a seleção boliviana com certa regularidade.
Nunca é demais lembrar: o ano do retorno à Série A, após o calvário da B, não é fácil. Salvo raras exceções, todos passam sufoco.
E a explicação mais simples é a de que, quase sempre, os clubes são obrigados a modificar o elenco, reforçando-o qualitativa e quantitativamente.
A falta de dinheiro, aliada à escassez de bons valores, dificulta muito trabalho.
Aconteceu com o Vasco em 2015, com o Palmeiras em 2014, Sport e Portuguesa em 2012 e por aí vai… e até mesmo com o próprio Botafogo, em 2004!
Portanto, é bem provável que o clube encontre sérias dificuldades na Série A do próximo ano.
Não se pode negar o esforço do presidente Carlos Eduardo Moreira que vem tentando recuperar o Botafogo, num momento tão complicado da economia brasileira.
E se clubes em situações financeiras confortáveis encontram dificuldades na qualificação do elenco, imaginem aqueles que “vendem o almoço para comprar o jantar”.
E cito como exemplo a negociação com o provável substituto do artilheiro Navarro. Jorge Ortega, de 24 anos, atacante do Sportivo Luqueño, custaria ao Botafogo R$ 240 mil.
Os paraguaios “cresceram o olho” e pediram o dobro.
Mas, pergunto: o que esperar de um “artilheiro” (sic) de 24 anos que tem seus direitos avaliados em R$ 540 mil?
E vou além: isso é aposta ou um tiro no escuro?