Por muitos anos, vi o Botafogo invertendo prioridades. Ainda que tivesse competições importantes ou almejasse algo grande para sua temporada, o Alvinegro insistia em disputar o Carioquinha com força máxima. Alguns jogadores, de maneira bastante infeliz, até chamaram o torneio de “nossa Champions”.

Felizmente, essa época não demorou para acabar. Desde o início da temporada, vi o Glorioso dando ao estadual a sua devida importância: nada mais do que um laboratório para testes e uma oportunidade de dar ritmo aos jogadores necessitados. Infelizmente, o Carioca, que já foi considerado o torneio mais charmoso do país, hoje é apenas uma competição fraca, que suga o dinheiro dos clubes e enriquece a federação.

Posto isso, vamos às diferenças. Usar o estadual para testar jogadores e descansar os titulares não significa passe livre pra tropeçar em pequenos. Perdemos para o Madureira, tropeçamos no Nova Iguaçu e hoje ganhamos na bacia das almas do Macaé – isso mostra problemas na montagem do elenco visando toda a temporada, já que os reservas de hoje serão, eventualmente, titulares no Brasileirão e até na Libertadores. Será que Antônio Lopes e companhia fizeram seu trabalho da maneira correta?

Apesar de ter aberto o placar com um belo gol de Lindoso logo no início, o Botafogo voltou a mostrar problemas em seu volume de jogo ofensivo. Até assustou o fraquíssimo time do Macaé em algumas oportunidades, mas a falta de qualidade dos nossos reservas enquanto equipe esteve escancarada por longos 90 minutos. No entanto, conquistamos a primeira vitória no estadual com um erro grave de arbitragem – e isso é outro ponto importante a ser mencionado.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Lindoso fez belo gol, participou bem do jogo e foi o melhor em campo

Fiquei pensando, do apito final até agora, como os adversários – em especial os “co-irmãos” lá da Gávea – conseguem sentir prazer e tirar sarro diante de ajudas de arbitragem? Em um jogo que não valia nada, me senti profundamente constrangido. Imagina quem tira vantagem de marcações erradas da arbitragem para comemorar títulos e classificações importantes.

Além disso, vale frisar: o assistente, que só estava ali para enxergar a saída da bola e não o fez, hoje errou a nosso favor; amanhã, pode ser contra nós. Por isso, é muito importante que combatamos esse nível sofrível de juízes que não se cansam de estragar campeonatos no Brasil. Repudio veementemente o gol com saída nítida da bola pela linha de fundo e também os acréscimos exagerados.

A cabeça segue no jogo de quarta-feira, pela Libertadores. Enquanto esse dia não chega, me permito ficar feliz em ver as prioridades acertadas do Botafogo – e também ficar preocupado com a montagem do elenco, que se mostra cada vez mais defeituosa. É bom que os defeitos se mostrem agora, para que possam ser corrigidos visando as competições mais importantes do ano.

Notas

Gatito: 3
Não foi exigido durante quase todo o jogo. Na única defesa – simples, inclusive – em que foi exigido, voltou a mostrar fragilidade com seus repetitivos rebotes perigosos, resultando no gol de empate do Macaé. Preocupante demais, inclusive para quarta-feira.

Marcinho: 7
Peça importante no jogo ofensivo. Mostrou boa desenvoltura com dribles e jogadas individuais. Falta insistir mais nas jogadas de fundo – o que era realmente complicado com a nossa dupla de ataque de hoje.

Renan Fonseca: 6
É triste vê-lo voltar a vestir nossa camisa. Mais uma vez, foi facilmente driblado no gol do adversário. Chega a ser constrangedor. No ataque, fez o lançamento no lance do gol da vitória.

Igor Rabello: 6,5
Sem muito trabalho, fechou bem os espaços e ajudou na saída de bola.

Gilson: 5,5
Não é preciso vê-lo jogar por muito tempo para notar que faltam recursos técnicos.

Rodrigo Lindoso: 8
O melhor no time de hoje. Chamou a responsabilidade, fez um belo gol e ditou o ritmo do meio-campo, participando de todas as jogadas importantes.

Dudu Cearense: 6,5
Vontade de sobra, qualidade nem tanto. Apesar de muito participativo, errou mais do que deveria. Ainda assim, uma peça de reposição interessante.

Gustavo Bochecha: sem nota
Mais uma daquelas historias cruéis do futebol. No jogo mais importante de sua carreira até agora, sofreu lesão preocupante no joelho. É um menino de potencial incrível – e muita garra, pois até tentou voltar a campo, mesmo diante das dores. Sinta-se abraçado, garoto. Recupere-se e volte à luta. O futuro é seu.

Leandrinho: 5
Pouco participou da articulação das jogadas e não chegou perto da área para concluir. Mais uma oportunidade não aproveitada pelo garoto que apareceu tão bem na base. Ainda tenho fé no seu potencial, mas precisa acordar.

Guilherme: 7
É inegável que está se esforçando para aproveitar a oportunidade de ouro na carreira. Na frieza da nota, deu os passes para os dois gols do Botafogo. Ainda assim, não entendo esse tipo de contratação. Jogador que nitidamente não tem futebol para mais que jogos como o de hoje.

Joel: 4,5
Nem lembrava que esteve em campo. Apagadíssimo.

Matheus Fernandes: 6
Entrou no lugar de Bochecha e foi correto. Mostrou boa movimentação e ajudou a rodar a bola no meio-campo.

Fernandes: sem nota
Improvisado na lateral e jogando apenas cerca de 10 minutos, não tem como avaliá-lo.

Vinicius Tanque: 7,5
Entrou com a disposição de sempre. Falta qualidade, mas lutou e conseguiu se destacar marcando o gol da vitória aos 53 minutos do 2º tempo.

Jair Ventura: 7
Acertou novamente em escalar reservas. Apenas fico me perguntando onde estão Gorne e Yuri, dois dos principais destaques do time sub-20 campeão nacional, além de Victor Lindenberg, que sequer subiu aos profissionais. Jogadores como Guilherme e Joel pouco acrescentam e ainda tiram o espaço de algumas de nossas jóias. Além disso, cabe a ele ter pesadelos com Gatito até quarta-feira.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC