No tradicional estádio de Moça Bonita, Botafogo e Bangu se enfrentaram com o objetivo de melhorar suas campanhas no Estadual e tentar resgatar um pouco da credibilidade de um campeonato que a FERJ estragou.

O jogo foi movimentado e equilibrado, visto que o Alvinegro poupou quase todos os seus titulares e entrou em campo com time misto. Para dificultar ainda mais as coisas para nós, Pimpão ainda foi expulso aos 34 minutos do 1º tempo e chamou o Bangu para o nosso campo de defesa.

A decisão de dar minutos de jogo para peças pouco utilizadas até aqui foi ótima, mas só vai até a página 2: não consigo entender o que faz nosso técnico ignorar a existência de Yuri e Renan Gorne, dois dos destaques da equipe sub-20 na temporada passada.

Ainda assim, o saldo foi positivo. Vencemos, entramos na zona de classificação para as semifinais pela pontuação geral e encostamos nos líderes do do grupo para o mata-mata da Taça Rio. É fato que o campeonato não tem, nem de longe, o mesmo prestígio de anos atrás – ainda assim, vale pela rivalidade dos jogos finais e, principalmente, pela renda que podemos obter com a taça.

Enquanto sonhamos com a volta da empolgante Libertadores, utilizamos o Estadual para homogeneizar as condições de jogo do elenco e fortalecer o esquema de jogo – que, visivelmente, ainda carece de ajustes. Jogos como hoje servem também para a diretoria enxergar as fraquezas do elenco e perceber a necessidade de qualificar o grupo para o restante da temporada.

Jair precisa trabalhar as bolas paradas e as triangulações no setor ofensivo, que voltaram a desaparecer. Além disso, é necessário incentivar as finalizações de média e longa distâncias – algo que só foi tentado hoje por Roger, centroavante do time, que precisou sair da área para buscar o jogo.

Sigo otimista e com a sensação de que estamos no caminho certo. Como disse, há coisas a melhorar – e isso só será visto com mais nitidez se valorizarmos um pouco mais todas as competições. Ainda que tenha perdido todo o seu famoso “charme”, o Carioca ainda serve, afinal, para fazermos um trabalho cada vez melhor.

Notas

Saulo: 6
Fez uma boa defesa em boa cabeçada de Loco Abreu logo no início do jogo. No restante da partida, foi mero espectador.

Marcinho: 6,5
Desempenho razoável para bom. Teve dificuldades na marcação contra Guilherme, o melhor jogador do Bangu, mas foi participativo no campo ofensivo.

Renan Fonseca: 5,5
Incrível como tem dificuldade até para correr. Perdeu na velocidade para um veterano de 40 anos e foi envolvido em algumas jogadas. Ainda assim, por sorte e incompetência do time adversário, não comprometeu o resultado.

Igor Rabello: 6
Também não fez uma partida segura, mesmo diante da fragilidade do time da casa.

Victor Luis: 6,5
Abandonado no setor defensivo, ficou muitas vezes no mano a mano e teve dificuldades na marcação. No jogo com a bola, como sempre, foi um dos mais lúcidos.

Rodrigo Lindoso: 5,5
Não aproveitou a nova oportunidade dada por Jair. Na função de Airton, não conseguiu proteger a defesa e nem rodar o jogo no meio-campo.

João Paulo: 6,5
Se movimentou bastante e foi quem mais marcou no meio-campo. Poderia ter aparecido mais no apoio.

Montillo: 5
Não conseguiu ser protagonista nem contra o fraco Bangu. Embora ainda seja início de temporada, precisa mostrar algum futebol para justificar sua contratação. Apagado, saiu no intervalo.

Joel: 6
Fez o gol que deu alguma tranquilidade para o jogo do time. Ainda assim, não mostrou nenhuma qualidade – fora o oportunismo no lance em que marcou. Não parece ser opção que agregue algo ao elenco. Atuando como extremo, ignorou a necessidade de marcar, deixando Victor Luis em apuros.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Vinha sendo o melhor do time, o mais lúcido em campo, até cometer duas faltas bestas e ser expulso. Sua displicência mudou o panorama do jogo e colocou o resultado em risco.

Roger: 7
Com a confiança em alta, seu futebol vem crescendo. Saiu bastante da área para buscar jogo e foi o único a arriscar finalizações de média/longa distância – em uma de suas tentativas, surgiu o primeiro gol.

Fernandes: 7
Entrou no intervalo para compensar a expulsão de Pimpão e foi bem. Como extremo, deu alguma cobertura no sistema defensivo e chegou à frente com perigo, participando de tabelas. Sofreu o pênalti que sacramentou a vitória.

Guilherme: 5,5
Sua análise é a mesma de sempre, cada vez mais sólida: muita velocidade e disposição e nenhuma capacidade de tomar decisões certas. Sua contratação não faz sentido para mim, já que não agrega em nada e tira espaço de meninos da nossa base.

Sassá: 7
Seu gol finalmente saiu. Entrou bem, jogou para o time e foi premiado com o pênalti que sacramentou não só a vitória, mas também a sua volta ao grupo após os problemas extra-campo. Será útil.

Emílio Faro/Jair Ventura: 7
Mandaram bem ao rodar o elenco e prevenir as lesões, visto que o DM não é confiável. Só continuo sem entender a não utilização de peças como Yuri e Gorne, destaques do time campeão nacional no sub-20. Essa é a hora de testá-los.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC