Olá, amigos. 

 

Eu vim do futuro* e posso afirmar que, lá em dezembro, estaremos radiantes. 

 

O Botafogo administrou sua posição de meio de tabela no Brasileirão sem sustos. Enquanto isso, na Sul Americana, lutou bravamente, surpreendeu a todos e levantou a taça. Todos sabemos, há algum tempo, que isso é um pouco improvável. Mas também não era em 89, 93 e 95?

 

No aeroporto, a festa foi incrível. Subimos novamente na asa do avião enquanto pintávamos a cidade de preto e branco. De uma ponta à outra, crianças, adolescentes, adultos e idosos desfilavam com nossas bandeiras e nossos símbolos, enquanto entoavam como prece o nosso lindo hino. 

 

Lá em dezembro, deixamos para trás o pessimismo. Felizes demais para nos preocuparmos, comentávamos como foi brilhante a campanha do time – que venceu todas as partidas como mandante diante de um Estádio Nilton Santos sempre abarrotado. A campanha foi reconhecida como o maior caso de química entre um time e seu povo. 

 

Os programas esportivos passaram a nos respeitar mais, aumentando o tempo dedicado a comentar com embasamento as notícias do Botafogo. Os jornais aumentaram nossas manchetes e reconheceram nossa força, àquela altura já inegável. 

 

Igor Rabello e Matheus Fernandes, dois grandes destaques da campanha do título, foram vendidos juntos por um total de 50 milhões de euros. Esse dinheiro nos ajudará a quitar boa parte das nossas dívidas. Notando a importância do negócio, o clube anunciou que investirá ainda mais nas categorias de base.

 

Falando nisso, estão todos ansiosos para a festa de inauguração do nosso Centro de Treinamento, que teve sua obra concluída e será uma grande ponte para o futuro. Os dias melhores, enfim, chegaram. O Botafogo reagiu.

 

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
E queremos muito!

 

Porém ainda faltam quatro meses para chegarmos lá. Não sonhe, botafoguense; faça. A demonstração de força que demos ontem, numa quinta-feira, às 19h30, com todos os motivos para não comparecermos, mostrou que tudo isso aí só depende de nós.

 

Quem dorme, sonha; quem trabalha, conquista. Os jogadores deixaram tudo em campo, mesmo com o time limitado. Nós demos show na arquibancada, com mosaico e apoio incondicional, mesmo nos momentos delicados do jogo. O resultado? Todo mundo viu.

 

Como disse um comentarista argentino, até um pouco assustado com o espetáculo nas arquibancadas, em relação à frase do mosaico: “SE LO QUERIA, LO TIENES! IMPRESIONANTE“. Vamos querer. E vamos ter.

 

Que venha o Bahia!

 

*Esse texto foi o resultado de uma noite de muito álcool, amor e felicidade.

 

Notas

 

Saulo: 6
Mero espectador. Só participou ao bater os tiros de meta.

 

Marcinho: 6,5
Bem na marcação e na saída de bola, com triangulações com volantes e meias. Faltou chegar mais ao fundo e explorar o fraco jogo aéreo do adversário.

 

Joel Carli: 7
Xerife de sempre, não deu chances para o ataque do Nacional. Foi bem à frente, quase marcando de cabeça e depois perdendo chance de primeira, o que não é muito a dele.

 

Igor Rabello: 7,5
Ganhou muitas bolas em divididas por cima e por baixo. Ajudou também na saída de bola.

 

Moisés: 8,5
Voltou a exibir o futebol de antes da lesão e fez um excelente jogo; na minha opinião, o melhor em campo. Um leão na marcação e muito rápido na transição para o ataque. Várias roubadas de bola, iniciando ataques perigosos. Que mostre sempre essa vontade.

 

Rodrigo Lindoso: 6,5
Carregado pelo nível do resto do time, não comprometeu. Fez um belo gol de cabeça – e já havia marcado outro, bem anulado. Seu único vacilo foi permitir uma infiltração dentro da área, gerando a única chance de perigo do Nacional.

 

Matheus Fernandes: 7
Muito bem nos desarmes e nas trocas de passe. Bom exemplo disso foi o segundo gol, onde roubou a bola e triangulou com Marcinho e Pimpão até fazer a bola chegar em Valencia. Só cresce. Merecia ter sido convocado por Tite.

 

Leo Valencia: 8
As críticas parecem tê-lo acordado. Começou irregular, mas fez sua melhor partida pelo Botafogo. Muito ligado e ativo, participou de quase todos os lances de perigo e estava inspirado também nos dribles. Um belo gol e uma assistência. Só não foi o melhor em campo, na minha opinião, devido à atuação excelente de Moisés.

 

Luiz Fernando: 6,5
Bem nos dribles e nas arrancadas, mas vem pecando demais nas tomadas de decisão. Ainda há espaço para muito mais.

 

Renatinho: 6
Irregular, alternou boas arrancadas com erros em passes fáceis. Mostrou ainda não ter pique para 90 minutos, mas pode usar essa sequência para crescer e provar seu valor.

 

Aguirre: 6
Visivelmente ansioso, correu muito – às vezes, desnecessariamente – e tentou ajudar de todas as formas. Não brilhou, mas mostrou evolução. Belo chute na trave, de fora da área. Precisa arriscar mais de média e longa distância.

 

Brenner: 4
Entrou mal demais, totalmente fora de sintonia com o time. Tem futebol para recuperar seu espaço.

 

Rodrigo Pimpão: 7,5
Impressionante como seu futebol muda nas competições internacionais. Entrou colocando fogo no jogo. Correu muito, driblou, fez boas tabelas e quase marcou em chute cruzado. Ótima partida.

 

Gilson: sem nota
Felizmente, não teve muito tempo para jogar.

 

Zé Ricardo: 7,5
Fez o simples e colocou o time para cima. Com poucos treinos, o time já está bem mais organizado do que a zona que era com Paquetá. Vamos acompanhar a evolução.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN