A cena constrangedora comprova.

O grande Botafogo de Futebol e Regatas se apequenou.

Clube que orgulhava o Brasil.

Tinha Garrincha, Didi, Nilton Santos.

Amarildo, Heleno, Jairzinho, Marinho Chagas.

Quarentinha, Caju, Manga, Zagallo.

E, sem preconceito, Túlio.

Dividia com o Santos a base dos times campeões de Copas.

Arrasado por dirigentes extremamente incompetentes, irresponsáveis, cercado por transações incompreensíveis, o Botafogo foi cruelmente tratado como entidade.

O descaso conseguiu igualar as duas vezes campeão deste país com dois vergonhosos rebaixamentos.

Apesar de ser arrendatário do excelente estádio Olímpico Nilton Santos, não para de afundar no redemoinho financeiro que atormenta os botafoguenses há decadas.

As dívidas atuais passam de R$ 731 milhões.

Os atrasos dos salários dos jogadores viraram triste rotina.

Os de março estão atrasados, a perspectiva é que o de abril também não sejam pagos.

E para elencos fraquíssimos, assustadores para a camisa tradicional alvinegra.

Não é culpa dos atletas.

Mas de quem os contrata.

Os vexames em campo se acumulam.

O último título importante foi o Brasileiro de 1985.

São 34 anos.

Os cada vez mais insignificantes Cariocas não são levados a sério por ninguém longe da Baia da Guanabara.

E nem pelos próprios torcedores que sabem do medo que passam a cada início do Brasileiro, quando o maior sonho é o menor: não ver o Botafogo rebaixado.

O sentimento incomoda, mesmo quem não é do Rio de Janeiro.

E provoca a mais pura revolta, de quem ama o futebol brasileiro.

O dirigentes apelam para empréstimo e mais empréstimos de bancos ‘amigos’ e ‘botafoguenses nobres’.

Só que os juros são cobrados e pesados.

Não é à toa que tantos querem repassar o futebol do clube para os bilionários Irmãos Moreira Salles, sócios do Banco Unibanco Itaú.

É  o sonho dos sonhos.

Para encobrir tantas gestões irresponsáveis, incompetentes.

Tudo isso dói na alma.

Mas a postura pequena, indigna do Botafogo, aconteceu nesta noite de 12 de abril de 2019.

O treinador Zé Ricardo voltou demitido de Caxias do Sul.

Foi demitido depois de oito meses de trabalho.

41 jogos – 17 vitórias, 11 empates e 13 derrotas.

Aproveitamento de 55,2%.

Sua passagem foi fraca.

Mas conseguiu levar o Botafogo à nona colocação no Brasileiro de 2018.

Desviou o caminho do time da ameaça do terceiro rebaixamento.

Levou para a Sul-Americana.

Classificou a equipe para a segunda fase da competição, eliminando o argentino Defensa y Justicya.

No Carioca foi um fracasso.

E caiu na Copa do Brasil.

Pouco?

Sim, para o grande Botafogo de Futebol e Regatas.

O Glorioso, a Estrela Solitária, o Fogão.

Não para o fraquíssimo elenco que treinou.

Mas tudo fica revoltando na chegada ao aeroporto Santos Dumont.

Ele já havia sido dispensado pela diretoria.

Poderia tranquilamente sair com o elenco, por uma porta lateral, com o ônibus do clube.

Só que ele decidiu não se dobrar.

Sabia que não havia cometido crime.

Deu o seu máximo para o Botafogo.

Ninguém tem o direito de falar de sua honestidade.

Zé Ricardo teve como única companhia o preparador de goleiros Flavio Tenius.

Não houve piedade, um mínimo gesto de grandeza da direção botafoguense.

Seria fundamental a presença de seguranças para proteger seu ex-treinador.

Era o mínimo de dignidade.

De humanidade.

Todos sabiam o clima bélico de alguns ‘torcedores’ que se sentem no direito de ameaçar fisicamente, xingar, humilhar, o treinador que, movidos pela estúpida paixão e não pelo raciocínio, não conseguiu resultados espetaculares com o Botafogo.

Como se fosse um criminoso.

E não quisesse vencer.

A cena foi constrangedora.

Ameaças, palavrões de homens e mulheres.

Que se mostravam mais selvagens, irracionais, percebendo serem filmados pelas televisões, pelos pessoas comuns com seus indefectíveis celulares.

As imagens já invadiram as redes sociais, o Youtube.

O Botafogo será sempre um gigante na história. Hoje se comporta como pequeno

O Botafogo será sempre um gigante na história. Hoje se comporta como pequeno

Botafogo

O humilhado não foi Zé Ricardo.

Foi um treinador que 24 horas atrás comandava o Botafogo.

O clube se apequenou ao fazê-lo passar por tamanho vexame.

Mesmo se ele não quisesse.

Seguranças tinham a obrigação de protegê-lo.

Os próximos treinadores que se preparem.

Ainda devem agradecer a chance de comandar um clube tão importante.

Com uma das camisas mais representativas do Brasil.

Mas não contem com respaldo, com mão forte, com apoio.

Serão jogados aos leões nas derrotas.

Isso combina com clubes pequenos.

Não com o Botafogo Futebol e Regatas.

Que tristeza…

Fonte: Blog do Cosme Rímoli - R7.com