Blog: ‘Interdição do Engenhão seria motivo de piada’

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Dizem que o Brasil entrou definitivamente no circuito dos grandes eventos internacionais, certo? Tudo indica que sim. Pois não é à toa que, numa só tacada, um mesmo país receba as duas maiores competições internacionais do planeta. Cenário perfeito para que o Brasil seja coroado de elogios, certo? ERRADO.

O episódio da interdição-quase-fechamento do Engenhão (em tempo: a arena prevista para receber o esporte nobre dos Jogos Olímpicos – o atletismo) seria motivo de piada em qualquer país meramente desenvolvido.

Afinal, como explicar que uma construção de apenas seis anos seja interditada por conta de problemas estruturais. Das duas, uma: ou quem geriu o processo o fez de forma absolutamente irresponsável ou quem o executou encabeceria qualquer lista dos grandes imbecis da humanidade.

Repetindo: cinco anos, e vê-se que falhas no projeto da cobertura já comprometeram a integridade da arena. Isso não é pouca coisa. Ainda mais levando-se em conta que a construção foi bancada com o meu, com o seu, com o nosso dinheiro (só a cobertura custou cerca de R$ 80, 5 milhões).

Consola-me um pouco ver, pelo menos, que há uma lei (a 8.666/93) que protege o nosso bolso. Ela diz que, por mais que o contrato firmado exima a construtora contratada de responsabilidades futuras, esta cláusula pode ser cancelada. Tudo para que a conta não caia no colo do contribuinte.

Vejamos quais serão os próximos passos. O certo é que a sociedade civil deve estar a postos. Pois, se nos apresentarem essa fatura, alguma reação tem de haver. Essa não pode ir pra nossa conta de jeito nenhum!

A situação do Engenhão se torna ainda mais absurdo quando vemos outros estádios europeus, muito mais antigos, e que historicamente jamais passaram por períodos de interrupção para que fossem consertados problemas estruturais. Reformas aconteceram. Mas só para que as arenas se adaptassem às conjunturas de época do futebol.

É o caso do San Siro (na foto, durante um jogo nos anos 50), de Milão, por exemplo. Inaugurado em 1926, passou apenas por três reformas – em 38, 54 e 89 – todas para a ampliação do número de assentos. Nenhuma para corrigir falhas que poventura tivessem sido causadas pela imprecisão do traço de um arquiteto ou do erro de cálculo de um engenheiro.

O Westfalenstadion vai por caminho semelhante. Construído também em 1926, a arena do Borussia Dortmund também só viu obras quando houve a necessidade da ampliação de lugares disponíveis, as principais delas para as Copas de 1974 (foto) e de 2006 (o Brasil derrotou o Japão ali, por 3 a 1, na primeira fase do Mundial).

O grande segredo dos dois estádios foi que sempre receberam uma intensa manutenção preventiva. Isso, além de representar uma preocupação contínua com a segurança, preservava o rico dinheirinho do contrinbuinte. Só para lembrar: as duas arenas pertencem, respectivamente, às cidades de Milão e de Dortmund.

Lá, dieferentemente de cá, não costumam fazer farra com a grana alheia quando o assunto é futebol.

Fonte: Blog Bola e Arte - Globoesporte.com

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