O Botafogo precisa de uma injeção de em torno de R$ 200 milhões para resolver suas pendências mais urgentes e poder ter finanças saudáveis. É o que aponta estudos encomendados pelos irmãos Moreira Salles para o projeto para sanear o clube e possivelmente transforma-lo em clube-empresa.

João e Walter Salles já deixaram claro em carta a Juca Kfouri que não pretendem comprar o Botafogo. Iniciado no ano passado, o projeto tem o objetivo de tornar viável o clube financeiramente. Há alguns modelos em discussão como a formação de uma empresa para gerir o futebol.

O estudo foi encomendado pelos Moreira Salles à Ernst & Young. No levantamento inicial, constatou-se que seriam necessários em torno de R$ 200 milhões para quitar as dívidas de curto prazo do Botafogo, mais urgentes. Esse é o valor próximo do débito circulante do clube ao final de 2017 que se alterou pouco ao final de 2018, segundo apurou o blog.

O total do débito do clube é de R$ 750 milhões. Mas a maior parte desse valor é fiscal e, portanto, negociado em parcelas dentro do Prout. Já a dívida de curto prazo é composta por empréstimos com bancos e terceiros, dívidas relacionados a futebol, adiantamentos, entre outros compromissos, que estrangulam as receitas do clube.

Os irmãos Moreira Salles têm fortuna avaliada em R$ 11 bilhões, segundo a Forbes. A decisão de investir para pagar a dívida do clube, no entanto, dependerá de que seja feito um modelo que funcione para gerir o clube. Uma das opções é separar o futebol em uma empresa em que eles tenham voz. Outra alternativa citada por João Moreira Salles em sua carta é um fundo patrimonial associado ao clube ainda sem fins lucrativos.

Além do dinheiro para dívida, os irmãos teriam de decidir se haveria mais investimentos para o futebol para tentar enfrentar rivais. A proposta ainda precisa ser moldada antes de ser levada ao Conselho Deliberativo do Botafogo. O presidente do clube, Nelson Mufarrej, ainda é cauteloso sobre o tema.

“Eles (irmãos Moreira Salles) manifestaram a intenção. Eles estão levantando, estão vendo. Esse é um assunto que temos que deixar um pouquinho de lado e pensar no futebol. No momento, se eles vierem, serão bem recebidos, tenho certeza disso. Agora, vamos esperar um modelo”, disse Mufarrej.

O dirigente botafoguense está acompanhando discussões do governo relacionados ao projeto de clube-empresa. Se a lei fosse aprovada, poderia facilitar o investimento do irmãos Moreira Salles na agremiação.

Fonte: UOL